
A nitrofurantoína é um antibiótico do grupo dos nitrofuranos, usado principalmente no tratamento e na profilaxia da cistite (infecção urinária baixa não complicada). Concentra-se na urina e danifica DNA, ribossomos e enzimas bacterianas, sendo ativa contra Escherichia coli e outros uropatógenos, com baixa indução de resistência.
- Classe: nitrofurano (antimicrobiano urinário).
- Para que serve: cistite não complicada e profilaxia de ITU de repetição.
- Dose adulto: 100 mg de 6/6 h por 5 dias (formulação macrocristais).
- Limitação: não trata pielonefrite (não atinge nível tecidual/sérico).
- Cuidado: contraindicada com TFG baixa e perto do termo da gestação.
O que é a nitrofurantoína e a que classe pertence
A nitrofurantoína é um antibiótico sintético da classe dos nitrofuranos, empregado há décadas como antimicrobiano urinário de primeira linha. Sua característica mais marcante é a farmacocinética: ela é rapidamente filtrada e concentrada na urina, atingindo altas concentrações na bexiga, mas níveis séricos e teciduais muito baixos. Por isso funciona muito bem na cistite (infecção limitada à bexiga) e não serve para infecções sistêmicas nem para pielonefrite.
A nitrofurantoína mantém boa atividade mesmo após décadas de uso, com taxas de resistência baixas frente à E. coli. Por isso, voltou a ser priorizada nas diretrizes de cistite não complicada, ao lado da fosfomicina. É um tema recorrente em provas de infectologia e clínica.
Para que serve: indicações da nitrofurantoína
A nitrofurantoína é indicada para infecções urinárias baixas e profilaxia, sempre quando há boa função renal. Não tem papel no tratamento de infecções do trato urinário alto.
| SITUAÇÃO | USO |
|---|---|
| Cistite aguda não complicada | Primeira linha em mulheres não gestantes com função renal preservada. |
| Profilaxia de ITU de repetição | Dose baixa contínua ou pós-coito em ITU recorrente. |
| Pielonefrite | Não indicada — não atinge concentração tecidual eficaz. |

Mecanismo de ação
A nitrofurantoína é um pró-fármaco: dentro da bactéria, enzimas redutoras (nitrofurano-redutases) convertem-na em intermediários reativos altamente eletrofílicos. Esses radicais atacam de forma inespecífica vários alvos bacterianos ao mesmo tempo — danificam o DNA, inativam ribossomos e bloqueiam enzimas do metabolismo de carboidratos. Esse mecanismo múltiplo e pouco específico explica por que a resistência se desenvolve lentamente: a bactéria precisaria de várias mutações simultâneas para escapar.
Dependendo da concentração, a nitrofurantoína é bacteriostática ou bactericida. Como as células humanas têm menor capacidade de reduzir o fármaco e menor exposição (concentração tecidual baixa), a toxicidade seletiva favorece a bactéria no ambiente urinário.
O espectro de ação da nitrofurantoína cobre os principais agentes da cistite. É ativa contra Escherichia coli (o uropatógeno mais frequente), Staphylococcus saprophyticus, Enterococcus e muitas cepas de Klebsiella. Por outro lado, tem atividade limitada ou ausente contra Proteus, Pseudomonas e Serratia, o que ajuda a definir quando ela não é a melhor escolha. Esse perfil, somado à baixa indução de resistência, sustenta seu papel de primeira linha na infecção urinária baixa não complicada.
Posologia: dose e via da nitrofurantoína
A nitrofurantoína é administrada por via oral, de preferência com alimento para melhorar a absorção e reduzir a intolerância gástrica. A dose varia conforme a formulação (macrocristais ou liberação modificada) e o objetivo (tratamento ou profilaxia). É importante completar todo o curso prescrito, mesmo com melhora rápida dos sintomas, para garantir a erradicação e evitar recidiva. Tomar bastante líquido durante o tratamento favorece o fluxo urinário e o conforto, mas não deve ser exagerado a ponto de diluir demais a concentração do antibiótico na bexiga.
| OBJETIVO | DOSE / DURAÇÃO |
|---|---|
| Cistite (macrocristais) | 100 mg via oral, de 6/6 h, por 5 dias. |
| Cistite (liberação modificada) | 100 mg de 12/12 h, por 5 a 7 dias. |
| Profilaxia | 50 a 100 mg à noite, uso contínuo ou pós-coito. |
Contraindicações e cuidados
A nitrofurantoína é contraindicada na insuficiência renal significativa (em geral com clearance de creatinina abaixo de 30–45 mL/min), porque a redução da filtração impede que ela alcance concentração urinária terapêutica e aumenta a toxicidade sistêmica. É contraindicada no fim da gestação (próximo ao termo) e no recém-nascido, pelo risco de anemia hemolítica, e deve ser evitada em portadores de deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). Não usar na pielonefrite nem em infecções sistêmicas.
Na gestação, a nitrofurantoína pode ser usada com cautela durante boa parte do período, mas é evitada perto do parto justamente pelo risco de hemólise no recém-nascido. Em idosos, a função renal limítrofe é um fator decisivo: mesmo que a creatinina pareça normal, a depuração pode estar reduzida pela idade, tornando o fármaco menos eficaz e mais propenso a efeitos adversos. Por isso, avaliar a taxa de filtração glomerular antes de prescrever é uma conduta de segurança frequentemente cobrada.
Efeitos colaterais
Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais. Os mais temidos, embora raros, são pulmonares e hepáticos, geralmente ligados ao uso prolongado na profilaxia. A toxicidade pulmonar pode ser aguda (quadro de tosse, dispneia e febre, reversível com a suspensão) ou crônica (fibrose, mais insidiosa). Por isso, em uso profilático prolongado, recomenda-se reavaliação clínica periódica e atenção a sintomas respiratórios novos.
| FREQUÊNCIA | EFEITO |
|---|---|
| Comuns | Náusea, vômito, cefaleia, urina amarronzada (benigna). |
| Incomuns | Reações cutâneas, neuropatia periférica. |
| Raros / graves | Pneumonite/fibrose pulmonar, hepatotoxicidade, hemólise na G6PD. |
A pegadinha clássica: a nitrofurantoína trata cistite mas NÃO trata pielonefrite, porque atinge altíssima concentração na urina e baixíssima no sangue e nos tecidos. Se a questão fala em febre, dor lombar e Giordano positivo (pielonefrite), a resposta não é nitrofurantoína.
“Nitro fica na URINA, não no RIM”
A nitrofurantoína se concentra na URINA (bexiga = cistite) e quase não aparece no sangue/tecido renal — por isso não resolve pielonefrite. Outro lembrete: precisa de RIM funcionante (clearance > 30) para filtrar e funcionar.
Perguntas frequentes sobre nitrofurantoína
O que é nitrofurantoína?
A nitrofurantoína é um antibiótico do grupo dos nitrofuranos, usado no tratamento e na profilaxia da cistite, a infecção urinária baixa. Concentra-se na urina e age danificando DNA, ribossomos e enzimas bacterianas. É ativa contra Escherichia coli e tem baixa indução de resistência, mas não trata pielonefrite.
Nitrofurantoína serve para pielonefrite?
Não. A nitrofurantoína atinge alta concentração apenas na urina e níveis muito baixos no sangue e nos tecidos. Por isso é eficaz na cistite, mas não trata a pielonefrite, que é uma infecção do parênquima renal. Nesses casos usam-se antibióticos com boa penetração tecidual.
Qual a dose de nitrofurantoína para infecção urinária?
Na cistite, a apresentação em macrocristais costuma ser usada na dose de 100 mg por via oral de 6 em 6 horas, durante 5 dias. Em formulações de liberação modificada, 100 mg de 12 em 12 horas. Para profilaxia de infecção urinária de repetição, 50 a 100 mg à noite.
- Manual de Farmacologia — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Fosfomicina — outra primeira linha para cistite, em dose única.
- Loratadina — anti-histamínico H1 de segunda geração, clássico de provas.
- Antieméticos — úteis no manejo das náuseas e dos sintomas digestivos.
Conclusão
A nitrofurantoína é o antimicrobiano urinário por excelência: nitrofurano com mecanismo múltiplo, baixa resistência e excelente para cistite não complicada. Memorize sua dose de 100 mg de 6/6 h por 5 dias, a limitação de não tratar pielonefrite e as contraindicações na insuficiência renal e no fim da gestação — esses pontos respondem a maioria das questões.
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