Antieméticos — ilustração — Amo Resumos

Antieméticos: para que serve, dose e efeitos

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Antieméticos — ilustração — Amo Resumos

Os antieméticos são fármacos usados para prevenir e tratar náuseas e vômitos. Eles agem bloqueando os receptores envolvidos no reflexo do vômito — serotoninérgicos, dopaminérgicos, histamínicos e muscarínicos — em pontos como a zona de gatilho quimiorreceptora e o centro do vômito. A escolha do antiemético depende da causa: quimioterapia, gestação, pós-operatório ou labirintopatia.

resumo de 30 segundos
  • Definição: fármacos que previnem e tratam náuseas e vômitos.
  • Classes: antagonistas 5-HT3, antidopaminérgicos, anti-histamínicos, anticolinérgicos, corticoides e antagonistas NK1.
  • Quimioterapia: ondansetrona + dexametasona (± aprepitanto).
  • Gestação: escolher os de melhor perfil de segurança, como a metoclopramida.
  • Cuidado clássico: sintomas extrapiramidais com a metoclopramida.

O que são os antieméticos e para que servem

Os antieméticos são um grupo heterogêneo de medicamentos cuja finalidade é controlar a náusea e o vômito. O reflexo do vômito é coordenado pelo centro do vômito, no bulbo, que recebe estímulos da zona de gatilho quimiorreceptora (área postrema), do aparelho vestibular, do trato gastrointestinal e do córtex cerebral. Cada uma dessas vias usa neurotransmissores específicos, e é por isso que existem várias classes de antieméticos, cada uma bloqueando um receptor diferente.

Na prática clínica, os antieméticos são indicados em diversas situações: náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia ou radioterapia, vômitos do pós-operatório, êmese da gestação, cinetose (enjoo de movimento), vertigem labiríntica e gastroenterites. A escolha racional do antiemético depende de identificar a via predominante: a quimioterapia ativa muito a serotonina, a cinetose envolve o sistema vestibular (histamina e acetilcolina), e a estase gástrica responde aos pró-cinéticos.

classes de antieméticos
CLASSE EXEMPLO USO TÍPICO
Antagonista 5-HT3OndansetronaQuimioterapia, pós-operatório.
AntidopaminérgicoMetoclopramida, bromopridaEstase gástrica, êmese geral.
Anti-histamínicoDimenidrinato, meclizinaCinetose, vertigem.
AnticolinérgicoEscopolaminaCinetose (adesivo transdérmico).
Corticoide / NK1Dexametasona, aprepitantoQuimioterapia altamente emetogênica.
Antieméticos — ilustração — Amo Resumos
Ilustração de Antieméticos.

Mecanismo de ação dos antieméticos

Cada classe de antieméticos bloqueia um receptor da via do vômito. Os antagonistas dos receptores 5-HT3, como a ondansetrona, inibem a serotonina liberada pelas células enterocromafins do intestino e na zona de gatilho — por isso são tão eficazes na êmese da quimioterapia. Os antidopaminérgicos, como a metoclopramida, bloqueiam receptores D2 na área postrema e ainda têm efeito pró-cinético, acelerando o esvaziamento gástrico. Já os anti-histamínicos e anticolinérgicos atuam sobre a via vestibular, sendo a escolha na cinetose e na vertigem.

Os corticoides, como a dexametasona, têm mecanismo antiemético não totalmente esclarecido, mas potencializam os demais e são padrão na quimioterapia. Os antagonistas do receptor de neurocinina-1 (NK1), como o aprepitanto, bloqueiam a substância P e controlam a êmese tardia. Por atuarem em receptores diferentes, é comum e racional combinar antieméticos de classes distintas para somar eficácia, especialmente nos esquemas altamente emetogênicos.

💡 pérola de prova

Na cinetose (enjoo de movimento), os antagonistas 5-HT3 e os antidopaminérgicos são pouco eficazes, porque a via é vestibular. O correto é usar anti-histamínico (dimenidrinato) ou anticolinérgico (escopolamina). Trocar a via do estímulo pela classe certa é pegadinha clássica.

Posologia: dose e via dos antieméticos

A posologia dos antieméticos varia por fármaco. A ondansetrona é usada em 4 a 8 mg por via oral ou intravenosa, repetível a cada 8 horas. A metoclopramida habitual é de 10 mg por via oral ou IV, até três vezes ao dia, respeitando dose máxima para reduzir o risco extrapiramidal. O dimenidrinato para cinetose é de 50 a 100 mg a cada 4 a 6 horas, e a dexametasona integra os protocolos de quimioterapia em doses padronizadas.

posologia dos principais antieméticos
FÁRMACO DOSE / VIA
Ondansetrona4–8 mg VO ou IV a cada 8 h.
Metoclopramida10 mg VO/IV até 3×/dia.
Dimenidrinato50–100 mg a cada 4–6 h (cinetose).
DexametasonaEm protocolo de quimioterapia, IV/VO.

Contraindicações e cuidados

Os principais cuidados com os antieméticos dependem da classe. A metoclopramida e os antidopaminérgicos podem causar sintomas extrapiramidais (distonia aguda, acatisia) e devem ser evitados na obstrução gastrointestinal mecânica, perfuração e na doença de Parkinson. A ondansetrona prolonga o intervalo QT e exige cautela em cardiopatas e no uso concomitante de outros fármacos que alargam o QT. Os anti-histamínicos e anticolinérgicos causam sedação, boca seca e retenção urinária, sendo perigosos no glaucoma de ângulo fechado.

Na gestação, prioriza-se a segurança: a metoclopramida e os anti-histamínicos têm bom perfil para a êmese gravídica, enquanto outros fármacos exigem avaliação individual. Em idosos, o risco de efeitos extrapiramidais e de sedação é maior. A escolha do antiemético, portanto, equilibra eficácia para a causa específica e segurança para o perfil do paciente — raciocínio frequentemente cobrado em prova clínica.

efeitos adversos por classe
CLASSE EFEITO ADVERSO
AntidopaminérgicosSintomas extrapiramidais, distonia, acatisia.
Antagonistas 5-HT3Cefaleia, constipação, prolongamento do QT.
Anti-histamínicosSedação, boca seca.
AnticolinérgicosRetenção urinária, midríase; risco no glaucoma.

“SEDA o movimento, DOPA a barriga, SERO a quimio”

Liga cada via à classe: cinetose pede sedativo (anti-histamínico/anticolinérgico), estase gástrica pede antidopaminérgico (pró-cinético) e quimioterapia pede antagonista da serotonina (5-HT3).

Perguntas frequentes sobre antieméticos

Perguntas frequentes

O que são antieméticos?

Antieméticos são fármacos usados para prevenir e tratar náuseas e vômitos. Eles bloqueiam os receptores envolvidos no reflexo do vômito — serotoninérgicos, dopaminérgicos, histamínicos e muscarínicos — em locais como a zona de gatilho quimiorreceptora e o centro do vômito. A escolha depende da causa, como quimioterapia, gestação, pós-operatório ou cinetose.

Qual o melhor antiemético para a quimioterapia?

Na êmese induzida por quimioterapia, o esquema padrão combina um antagonista 5-HT3, como a ondansetrona, com a dexametasona. Nos protocolos altamente emetogênicos, acrescenta-se um antagonista do receptor NK1, como o aprepitanto. A associação de classes diferentes soma eficácia, pois cada uma bloqueia uma via distinta do vômito.

Quais os principais efeitos colaterais dos antieméticos?

Dependem da classe. Os antidopaminérgicos, como a metoclopramida, podem causar sintomas extrapiramidais (distonia e acatisia). Os antagonistas 5-HT3 causam cefaleia, constipação e prolongam o intervalo QT. Anti-histamínicos e anticolinérgicos provocam sedação, boca seca e retenção urinária, exigindo cautela no glaucoma de ângulo fechado.

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Conclusão

Dominar os antieméticos é menos decorar nomes e mais entender a via que cada classe bloqueia. Identifique a causa do vômito — quimioterapia (serotonina), estase gástrica (dopamina), cinetose (vestibular) — e a classe correta se impõe sozinha. Some os efeitos adversos característicos, como o extrapiramidal da metoclopramida e o prolongamento do QT da ondansetrona, e você responde com segurança às questões sobre antieméticos nas provas de medicina.

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Fontes consultadas: Goodman & Gilman e Katzung — Farmacologia; bulário/Anvisa. Conteúdo revisado para fins didáticos.