
A ausculta pulmonar é a etapa do exame físico em que se ouvem, com o estetoscópio, os sons gerados pela passagem de ar pelas vias respiratórias. Permite avaliar a ventilação de cada região do tórax e identificar ruídos normais e adventícios (estertores, sibilos, roncos, atrito), que orientam o diagnóstico de doenças respiratórias.
- A ausculta pulmonar avalia os sons da respiração para localizar e caracterizar doenças do pulmão.
- Som normal: murmúrio vesicular. Sua redução sugere derrame, pneumotórax ou enfisema.
- Estertores finos = edema agudo de pulmão e fibrose; estertores grossos = secreção em vias maiores.
- Sibilos = obstrução (asma, DPOC); roncos = secreção espessa; atrito pleural = pleurite.
- Sempre comparar lados, auscultar todos os campos e correlacionar com inspeção, palpação e percussão.
O que é ausculta pulmonar
A ausculta pulmonar é o método propedêutico que usa o estetoscópio para captar os sons respiratórios na superfície do tórax. É a quarta etapa do exame do aparelho respiratório, depois de inspeção, palpação e percussão, e fornece informações sobre a passagem de ar e o estado do parênquima e da pleura.
Diferencie a ausculta pulmonar de termos próximos: o “murmúrio vesicular” é o som normal que você espera ouvir, enquanto “ruídos adventícios” são os sons anormais sobrepostos. A técnica adequada é tão importante quanto a interpretação: paciente sentado, respirando profundamente pela boca, com ausculta simétrica e comparativa de todos os campos pulmonares, anterior e posterior.
Na prática, a ausculta pulmonar raramente fecha sozinha um diagnóstico, mas direciona a hipótese e os exames seguintes. Um sibilo expiratório difuso aponta para broncoespasmo; estertores em bases sugerem congestão; abolição de sons de um lado levanta derrame ou pneumotórax. Por isso, é um dos achados mais cobrados em provas de semiologia e clínica.
Sons da ausculta pulmonar e suas causas
Os sons captados na ausculta pulmonar dividem-se em normais e adventícios. Reconhecer cada padrão e sua causa típica é o que transforma o achado em raciocínio clínico. A tabela abaixo reúne os ruídos clássicos cobrados em prova.
| SOM | CAUSA TÍPICA |
|---|---|
| Murmúrio vesicular normal | Ventilação preservada; suave, predominando na inspiração. |
| Murmúrio reduzido/abolido | Derrame pleural, pneumotórax, enfisema, atelectasia, obesidade. |
| Estertores finos (crepitantes) | Edema agudo de pulmão, fibrose, pneumonia; estalos no fim da inspiração. |
| Estertores grossos (bolhosos) | Secreção em vias maiores: bronquite, bronquiectasia. |
| Sibilos | Obstrução de pequenas vias: asma, DPOC, broncoespasmo. |
| Roncos | Secreção espessa em vias maiores; podem mudar com a tosse. |
| Atrito pleural | Pleurite; som de couro, em inspiração e expiração, não muda com tosse. |
| Estridor | Obstrução de via aérea alta (laringe/traqueia); audível sem estetoscópio. |

Como avaliar e sinais de alarme
A técnica correta da ausculta pulmonar garante achados confiáveis. Posicione o paciente sentado, peça respirações profundas pela boca e ausculte de forma simétrica, comparando pontos equivalentes de cada hemitórax. Cubra ápices, terços médios e bases, na face anterior, posterior e nas axilas.
- Intensidade — o murmúrio está presente, reduzido ou abolido? Compare os lados.
- Ruídos adventícios — há estertores, sibilos, roncos ou atrito? Em qual fase do ciclo?
- Ausculta da voz — broncofonia, pectoriloquia e egofonia sugerem condensação.
- Localização — registre o campo afetado para correlacionar com a imagem.
Os sinais de alarme na ausculta pulmonar exigem ação imediata: silêncio auscultatório unilateral com instabilidade hemodinâmica sugere pneumotórax hipertensivo; estertores difusos com dispneia intensa apontam edema agudo de pulmão; “tórax silencioso” no asmático grave indica obstrução tão severa que quase não há fluxo de ar — emergência. Estridor sinaliza obstrução de via aérea alta.
Diagnóstico e exames complementares
A ausculta pulmonar levanta a hipótese, que é confirmada por exames. A radiografia de tórax é o primeiro passo na maioria dos casos; oximetria, gasometria e exames específicos completam a investigação conforme o quadro.
| ACHADO | PRÓXIMO PASSO |
|---|---|
| Murmúrio abolido + percussão maciça | Derrame pleural: radiografia e ultrassom; toracocentese se indicada. |
| Murmúrio abolido + timpanismo | Pneumotórax: radiografia; drenagem se hipertensivo (não esperar imagem). |
| Estertores finos + dispneia | Congestão/pneumonia: radiografia, oximetria, BNP, hemograma. |
| Sibilos difusos | Asma/DPOC: espirometria, pico de fluxo, gasometria na crise. |
| Condensação (pectoriloquia) | Pneumonia: radiografia, hemograma, marcadores inflamatórios. |
Conduta a partir da ausculta
A conduta orientada pela ausculta pulmonar sempre prioriza a estabilização. Em sibilância aguda, broncodilatador e corticoide; em congestão, diurético e suporte de oxigênio; em derrame ou pneumotórax sintomáticos, drenagem. Documentar o achado inicial permite acompanhar a resposta ao tratamento na reavaliação.
Lembre-se de que a ausculta pulmonar deve ser sempre integrada às outras etapas do exame e à clínica. Um mesmo som pode ter causas distintas, e a comparação entre os lados, a percussão e a frêmito tóraco-vocal aumentam a precisão diagnóstica antes mesmo de qualquer exame de imagem.
Murmúrio abolido com percussão maciça = derrame (líquido); murmúrio abolido com percussão timpânica = pneumotórax (ar). A percussão é o que separa os dois quando a ausculta sozinha é silenciosa de um lado.
“Sibilo Sopra, Ronco Ressoa, Estertor Estala, Atrito Arranha.”
Quatro ruídos adventícios em uma frase: sibilo é assobio agudo, ronco é grave de secreção, estertor são estalos, e atrito pleural lembra couro que range.
Perguntas frequentes sobre ausculta pulmonar
O que é ausculta pulmonar?
Ausculta pulmonar é a etapa do exame físico em que se ouvem, com o estetoscópio, os sons gerados pela passagem de ar nas vias respiratórias. Serve para avaliar a ventilação de cada região do tórax e identificar o som normal, o murmúrio vesicular, e os ruídos adventícios, como estertores, sibilos, roncos e atrito pleural, que orientam o diagnóstico de doenças respiratórias.
Qual a diferença entre estertores e sibilos?
Estertores são ruídos descontínuos, em forma de estalos: os finos aparecem no edema de pulmão e na fibrose, e os grossos indicam secreção em vias maiores. Sibilos são sons contínuos e agudos, tipo assobio, causados por obstrução de pequenas vias, típicos da asma e da DPOC. Estertores costumam predominar na inspiração e sibilos na expiração.
O que significa murmúrio vesicular abolido?
Murmúrio abolido significa que o som normal da respiração não é ouvido em uma região, indicando que algo bloqueia o ar ou a transmissão do som. As causas mais cobradas são derrame pleural, pneumotórax, atelectasia e enfisema. A percussão ajuda a distinguir: maciça sugere líquido (derrame) e timpânica sugere ar (pneumotórax).
- Manual de Semiologia Cardiopulmonar — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Ortopneia — sintoma respiratório que costuma acompanhar congestão pulmonar.
- Catatonia — outra síndrome que exige reconhecer o padrão ao exame antes de tratar.
- Hipovolemia — estado clínico em que o exame físico guia a estabilização.
Conclusão
A ausculta pulmonar é uma das habilidades mais valiosas e mais cobradas na semiologia: com um estetoscópio e uma técnica sistemática, você localiza o problema e levanta as principais hipóteses. Guarde os pares clássicos — murmúrio abolido com maciça (derrame) versus timpânica (pneumotórax), estertores finos (congestão) versus sibilos (obstrução) — e sempre integre o achado à percussão, à clínica e à imagem.
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