Síncope — ilustração — Amo Resumos

Síncope: o que é, causas e conduta

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Sinais e Sintomas Resumo
Síncope — ilustração — Amo Resumos

A síncope é a perda súbita e transitória da consciência e do tônus postural por hipoperfusão cerebral global, com recuperação espontânea, rápida e completa. Diferencia-se de crises epilépticas e de outras causas de perda de consciência. Os três grandes grupos são a síncope reflexa, a ortostática e a cardíaca — esta a de maior risco.

resumo de 30 segundos
  • Síncope = perda transitória de consciência por hipoperfusão cerebral, com recuperação espontânea e completa.
  • Três grupos: reflexa (vasovagal, mais comum), ortostática e cardíaca (mais perigosa).
  • Anamnese + exame físico + ECG resolvem a maioria dos casos.
  • Sinais de alarme: síncope ao esforço, em decúbito, palpitações, cardiopatia, história familiar de morte súbita.

O que é síncope

A síncope é definida por quatro características obrigatórias: perda de consciência transitória, de início rápido, curta duração e recuperação espontânea e completa, tendo como mecanismo comum a hipoperfusão cerebral global. É fundamental diferenciá-la da pré-síncope (sensação iminente de desmaio sem perda completa) e de outras causas de perda de consciência, como crises epilépticas, hipoglicemia, intoxicações e causas psicogênicas.

A distinção mais cobrada é síncope versus crise epiléptica. A síncope costuma ter pródromos autonômicos (náusea, sudorese, visão turva), recuperação rápida e orientada; a crise tende a apresentar aura, movimentos tônico-clônicos prolongados, mordedura lateral de língua e confusão pós-ictal duradoura. Abalos mioclônicos breves podem ocorrer na síncope (síncope convulsiva) e não a transformam em epilepsia.

Causas de síncope

As causas de síncope organizam-se em três grandes grupos fisiopatológicos. A síncope reflexa (neuromediada) é a mais frequente e benigna; a cardíaca é a menos comum, porém a de maior mortalidade e a que exige investigação prioritária.

Três grupos de síncope
GRUPO EXEMPLOS
ReflexaVasovagal (dor, emoção, calor, ortostase), situacional (micção, tosse, defecação), hipersensibilidade do seio carotídeo
OrtostáticaHipovolemia, fármacos (anti-hipertensivos, diuréticos), disautonomia, diabetes
CardíacaArritmias (BAV, TV), estenose aórtica, cardiomiopatia hipertrófica, embolia pulmonar
Síncope — ilustração — Amo Resumos
Ilustração de Síncope.

Como avaliar a síncope

A avaliação da síncope apoia-se em três pilares: anamnese detalhada, exame físico com medida da pressão em decúbito e em pé, e ECG de 12 derivações. A anamnese investiga o gatilho, os pródromos, a posição no momento do evento, a duração, a presença de palpitações, dor torácica ou esforço, e o quadro pós-evento. O relato de testemunhas é valioso.

O objetivo maior é estratificar risco: separar a síncope reflexa benigna da síncope cardíaca potencialmente fatal. Síncope durante esforço ou em decúbito, precedida de palpitações, sem pródromos, em paciente com cardiopatia estrutural ou história familiar de morte súbita precoce, aponta fortemente para causa cardíaca e obriga investigação.

Sinais de alarme — sugerem causa cardíaca
FAVORECE REFLEXA (baixo risco) FAVORECE CARDÍACA (alto risco)
Gatilho típico (dor, calor, ortostase)Durante esforço ou em decúbito
Pródromos autonômicosSem pródromos / palpitações prévias
Jovem, sem cardiopatiaCardiopatia estrutural conhecida
História recorrente antiga benignaHistória familiar de morte súbita precoce
💡 pérola de prova

Síncope aos esforços ou em decúbito é sempre sinal de alarme para causa cardíaca (arritmia, estenose aórtica, cardiomiopatia hipertrófica). Já a síncope após ortostase prolongada, dor ou emoção é classicamente vasovagal e benigna.

Diagnóstico e exames na síncope

O ECG de 12 derivações é obrigatório em toda síncope, buscando arritmias, bloqueios, sinais de isquemia, pré-excitação e QT longo. Os demais exames são direcionados pela suspeita, evitando solicitação indiscriminada de neuroimagem e EEG, que têm baixo rendimento na síncope típica.

Exames na investigação
EXAME INDICAÇÃO
ECG 12 derivaçõesEm todos os casos; arritmias, bloqueios, QT longo, pré-excitação
Teste de inclinação (tilt)Suspeita de síncope reflexa recorrente sem diagnóstico
Holter / monitor de eventosSuspeita de arritmia intermitente
EcocardiogramaSuspeita de cardiopatia estrutural (sopro, esforço)
Glicemia / hemogramaAfastar hipoglicemia e anemia como causas

“ROC — os três tipos”

Reflexa, Ortostática, Cardíaca — os três grupos de síncope. A Cardíaca é a que mata; sempre estratificar risco.

Conduta na síncope

Na síncope reflexa, a conduta é orientação (evitar gatilhos, hidratação, manobras de contrapressão física) e ajuste de fármacos hipotensores. Na síncope ortostática, corrigir hipovolemia e rever medicações. A síncope cardíaca ou com sinais de alarme exige internação e investigação, pois pode preceder morte súbita — o tratamento é da arritmia ou cardiopatia de base (marca-passo, ablação, cirurgia valvar). Alta precoce de paciente com síncope de alto risco sem investigação é um erro grave a evitar.

Perguntas frequentes sobre síncope

Perguntas frequentes

O que é síncope?

Síncope é a perda súbita e transitória da consciência e do tônus postural causada por hipoperfusão cerebral global, com recuperação espontânea, rápida e completa. Distingue-se de crises epilépticas, hipoglicemia e causas psicogênicas. Os três grandes grupos são a síncope reflexa, a ortostática e a cardíaca, esta a de maior risco.

Como diferenciar síncope de crise epiléptica?

A síncope costuma ter pródromos autonômicos, curta duração e recuperação rápida e orientada. A crise epiléptica tende a apresentar aura, movimentos tônico-clônicos prolongados, mordedura lateral de língua e confusão pós-ictal duradoura. Abalos mioclônicos breves podem ocorrer na síncope convulsiva sem caracterizar epilepsia.

Quando a síncope é perigosa?

A síncope é perigosa quando sugere causa cardíaca: ocorre durante esforço ou em decúbito, é precedida de palpitações, não tem pródromos, acontece em paciente com cardiopatia estrutural ou há história familiar de morte súbita precoce. Nesses casos, indica-se internação, ECG e investigação de arritmias.

Leia também
  • Manual de Cardiologia Clínica — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
  • Dispneia — sintoma cardíaco que pode acompanhar a síncope de causa estrutural.
  • Edema — sinal de insuficiência cardíaca associado ao risco cardiovascular.
  • Adenomegalia — outro achado semiológico frequente em provas.

Conclusão

A síncope é um sintoma comum e, na maioria das vezes, benigno — mas o desafio clínico é identificar a minoria de causa cardíaca, que pode preceder morte súbita. Anamnese cuidadosa, exame físico com pressão ortostática e ECG resolvem a maior parte dos casos e definem quem precisa de investigação. É tema recorrente e de alto rendimento em provas de residência.

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Fontes consultadas: Porto & Porto — Semiologia Médica; tratados de clínica médica. Conteúdo revisado para fins didáticos.