
O adenovírus é um vírus DNA, sem envelope, da família Adenoviridae, responsável por infecções respiratórias, oculares e gastrointestinais, principalmente em crianças. Causa quadros como resfriado, faringite, conjuntivite, febre faringoconjuntival e gastroenterite. Na maioria das vezes é autolimitado, mas pode ser grave em imunossuprimidos.
- O adenovírus é um vírus DNA sem envelope, muito resistente no ambiente.
- Causa infecções respiratórias, conjuntivite, faringite e gastroenterite, sobretudo em crianças.
- Quadro típico: febre faringoconjuntival — febre + faringite + conjuntivite.
- Diagnóstico geralmente clínico; PCR confirma em casos graves ou de saúde pública.
- Tratamento é de suporte; antivirais (cidofovir) só em imunossuprimidos com doença grave.
O que é o adenovírus
O adenovírus pertence à família Adenoviridae e é um vírus de DNA de fita dupla, com capsídeo icosaédrico e sem envelope lipídico. Existem mais de 100 tipos descritos, agrupados em sete espécies (A a G), e diferentes tipos têm tropismo por diferentes tecidos: vias respiratórias, conjuntiva e trato gastrointestinal.
Por não ter envelope, o adenovírus é bastante resistente a desinfetantes comuns e ao ressecamento, o que explica os surtos em ambientes coletivos como creches, quartéis e piscinas. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, contato com secreções, via fecal-oral e por água contaminada, sendo as crianças pequenas o principal grupo acometido.
Causas e fisiopatologia
A infecção pelo adenovírus começa quando o vírus invade as células epiteliais do trato respiratório, da conjuntiva ou do intestino. Ele se replica no núcleo da célula, causa lise celular e dissemina-se localmente; em alguns tipos, pode estabelecer infecção latente em tecido linfoide (tonsilas e adenoides). A resposta imune costuma controlar a infecção, mas o tipo viral e o estado imunológico do hospedeiro determinam a gravidade.
| QUADRO | CARACTERÍSTICAS |
|---|---|
| Febre faringoconjuntival | Febre + faringite + conjuntivite; surtos ligados a piscinas. |
| Faringite/IVAS | Resfriado, dor de garganta, exsudato; simula faringite estreptocócica. |
| Ceratoconjuntivite epidêmica | Conjuntivite muito contagiosa, “olho vermelho” em surtos. |
| Gastroenterite | Diarreia aquosa em crianças (tipos 40 e 41). |
| Pneumonia | Pode ser grave em lactentes e imunossuprimidos. |
| Cistite hemorrágica | Hematúria; mais comum em transplantados. |

Sinais e sintomas
As manifestações do adenovírus variam conforme o tipo viral e o tecido afetado. O quadro respiratório alto é o mais comum: febre, dor de garganta, coriza, tosse e mal-estar. Quando há comprometimento ocular, surge hiperemia conjuntival, lacrimejamento e sensação de corpo estranho.
- Respiratórios — febre alta, faringite com exsudato, tosse, coriza; às vezes adenomegalia cervical.
- Oculares — conjuntivite folicular, olho vermelho, secreção; na forma epidêmica, acometimento da córnea.
- Gastrointestinais — diarreia aquosa, vômitos e dor abdominal, principalmente em lactentes.
- Sistêmicos — febre prolongada, prostração; em imunossuprimidos, doença disseminada com hepatite e pneumonia.
Um detalhe importante de prova: a faringite por adenovírus pode cursar com exsudato amigdaliano e febre, imitando a infecção por Streptococcus. A presença de conjuntivite associada favorece a etiologia viral e ajuda a evitar antibiótico desnecessário.
Diagnóstico
O diagnóstico do adenovírus é, na maioria das vezes, clínico e epidemiológico, especialmente em surtos. A confirmação laboratorial fica reservada para casos graves, imunossuprimidos e investigação de saúde pública.
| MÉTODO | APLICAÇÃO |
|---|---|
| Clínico/epidemiológico | Suficiente em quadros leves; reconhecer a síndrome (ex.: faringoconjuntival). |
| PCR (biologia molecular) | Método mais sensível; confirma e quantifica, útil em graves e transplantados. |
| Antígeno/teste rápido | Detecção em secreções respiratórias ou fezes; rápido, menos sensível. |
| Cultura viral | Pouco usada na rotina; reservada a laboratórios de referência. |
Tratamento
O tratamento da infecção por adenovírus é, na grande maioria dos casos, de suporte, pois a doença é autolimitada. As medidas incluem hidratação, antitérmicos e analgésicos, repouso e cuidados locais na conjuntivite. Não há indicação de antibiótico, salvo se houver infecção bacteriana secundária comprovada.
Em pacientes imunossuprimidos, como transplantados de medula óssea, o adenovírus pode causar doença grave e disseminada. Nesses casos, considera-se terapia antiviral com cidofovir (ou sua formulação brincidofovir, quando disponível) e a redução da imunossupressão. Medidas de controle de infecção — higiene das mãos, isolamento e desinfecção de superfícies — são fundamentais para conter surtos.
A tríade febre + faringite + conjuntivite (febre faringoconjuntival) ligada a surtos em piscinas é a marca registrada do adenovírus em prova. A conjuntivite associada ajuda a diferenciar da faringite estreptocócica e evita antibiótico.
“O adeno é RESPIRA, OLHA e BARRIGA.”
Os três alvos clássicos do adenovírus: RESPIRA (vias aéreas), OLHA (conjuntivite) e BARRIGA (gastroenterite). Vírus DNA, sem envelope, resistente no ambiente.
Perguntas frequentes sobre adenovírus
O que é adenovírus?
Adenovírus é um vírus de DNA sem envelope, da família Adenoviridae, que causa infecções respiratórias, oculares e gastrointestinais, sobretudo em crianças. Provoca quadros como resfriado, faringite, conjuntivite, febre faringoconjuntival e gastroenterite. Na maioria das vezes a doença é autolimitada, mas pode ser grave em pacientes imunossuprimidos, como transplantados.
Quais os sintomas do adenovírus?
Os sintomas mais comuns são febre, dor de garganta, tosse e coriza. Quando há acometimento ocular, surge conjuntivite com olho vermelho e lacrimejamento, e a forma faringoconjuntival reúne febre, faringite e conjuntivite. Em lactentes pode causar diarreia aquosa e vômitos, e em imunossuprimidos há risco de pneumonia e doença disseminada.
Como se trata a infecção por adenovírus?
O tratamento é de suporte na maioria dos casos, com hidratação, antitérmicos, analgésicos e repouso, já que a doença é autolimitada. Antibiótico não tem indicação, salvo infecção bacteriana secundária. Em imunossuprimidos com doença grave, considera-se antiviral como o cidofovir e a redução da imunossupressão, além de medidas de controle de infecção.
- Manual de Microbiologia — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Vírus Nipah — outra virose com importante apelo de saúde pública e potencial de surto.
- Rinossinusite — complicação frequente das infecções de vias aéreas superiores.
- Ausculta pulmonar — exame essencial quando o adenovírus evolui com pneumonia.
Conclusão
O adenovírus é um vírus DNA sem envelope, versátil e contagioso, que afeta vias respiratórias, olhos e intestino, com a febre faringoconjuntival como apresentação mais lembrada em provas. O diagnóstico costuma ser clínico, o tratamento é de suporte e os antivirais ficam reservados aos imunossuprimidos graves. Reconhecer o padrão evita antibiótico desnecessário e orienta as medidas de controle de surtos.
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