
A catatonia é uma síndrome psicomotora caracterizada por alterações marcantes do movimento, do tônus e do comportamento, como imobilidade, mutismo, posturas mantidas, negativismo e ecofenômenos. Não é uma doença isolada: aparece em transtornos psiquiátricos e em diversas condições clínicas e neurológicas, sendo reconhecida por critérios específicos.
- A catatonia é uma síndrome psicomotora, não um diagnóstico em si — exige ≥3 dos 12 sinais do DSM-5.
- Sinais clássicos: estupor, mutismo, negativismo, posturas, flexibilidade cérea, ecolalia e ecopraxia.
- Causas: transtornos do humor (a mais comum), esquizofrenia e várias condições clínicas (encefalite, distúrbios metabólicos).
- Teste diagnóstico e terapêutico: lorazepam (1–2 mg). A resposta confirma e trata.
- Forma grave: catatonia maligna — febre e instabilidade autonômica; emergência tratada com eletroconvulsoterapia (ECT).
O que é catatonia
A catatonia é uma síndrome neuropsiquiátrica definida por um conjunto de alterações da atividade motora e da reatividade ao ambiente. O paciente pode oscilar entre dois polos: a forma retraída (estupor, mutismo, imobilidade) e a forma excitada (agitação intensa, desorganizada e sem propósito). É um diagnóstico sindrômico — ou seja, reconhece-se o padrão de sinais e, em seguida, busca-se a causa de base.
Por muito tempo, a catatonia foi vista apenas como subtipo de esquizofrenia. Hoje sabemos que ela acompanha com mais frequência os transtornos do humor (especialmente episódios depressivos graves e mania) e também doenças clínicas. Por isso, o DSM-5 a classifica como um especificador que pode ser aplicado a vários transtornos e condições médicas, e não como entidade exclusiva da psiquiatria.
É importante diferenciar a catatonia de quadros parecidos. No estupor depressivo puro, há lentificação, mas sem posturas bizarras ou negativismo. No mutismo acinético (lesão frontal), falta a resposta paradoxal ao lorazepam. E na síndrome neuroléptica maligna, embora haja rigidez e febre, predomina o uso recente de antipsicóticos. Reconhecer a catatonia muda a conduta, pois o tratamento é específico e altamente eficaz.
Causas da catatonia
As causas da catatonia dividem-se em psiquiátricas e clínicas/neurológicas. Em provas, o erro clássico é assumir que toda catatonia é esquizofrenia. Na prática, os transtornos do humor lideram, e sempre é obrigatório excluir causas orgânicas, especialmente em primeiro episódio ou quadro atípico.
| GRUPO | EXEMPLOS |
|---|---|
| Transtornos do humor | Depressão grave, episódio maníaco, transtorno bipolar — a causa psiquiátrica mais comum. |
| Transtornos psicóticos | Esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo, surto psicótico breve. |
| Neurológicas | Encefalite (incluindo anti-NMDA), AVC, epilepsia, lesões de gânglios da base e do lobo frontal. |
| Metabólicas/sistêmicas | Hiponatremia, uremia, hipercalcemia, hepatopatia, lúpus, infecções graves. |
| Medicamentosas/tóxicas | Retirada de benzodiazepínicos, antipsicóticos, intoxicações; síndrome neuroléptica maligna sobreposta. |

Como avaliar e sinais de alarme
A avaliação começa pela identificação dos sinais cardinais. O DSM-5 exige a presença de pelo menos 3 dos 12 sinais para caracterizar a catatonia. À beira do leito, escalas como a de Bush-Francis ajudam a padronizar o exame e a quantificar a gravidade ao longo do tratamento.
- Estupor — ausência de atividade psicomotora e de relação ativa com o ambiente.
- Catalepsia / flexibilidade cérea — o membro mantém a postura imposta pelo examinador, como cera moldável.
- Mutismo — resposta verbal ausente ou mínima, sem afasia.
- Negativismo — oposição ou ausência de resposta a comandos.
- Posturas, maneirismos e estereotipias — posições bizarras mantidas e movimentos repetitivos.
- Ecolalia e ecopraxia — repetição da fala e dos gestos do examinador.
Os sinais de alarme indicam a forma maligna: febre, taquicardia, hipertensão ou hipotensão flutuante, sudorese profusa e rigidez intensa. Esse quadro de disautonomia, somado a desidratação, rabdomiólise e risco de trombose pela imobilidade, configura emergência médica. A catatonia prolongada também predispõe a úlceras de pressão, pneumonia aspirativa e desnutrição.
Diagnóstico e exames
O diagnóstico da catatonia é clínico, pelo reconhecimento dos sinais. Os exames servem para investigar a causa de base e excluir condições orgânicas que imitam o quadro. O teste do lorazepam tem papel central: a administração de 1–2 mg de lorazepam costuma produzir melhora rápida e transitória, funcionando como prova diagnóstica e terapêutica.
| ETAPA | PARA QUE SERVE |
|---|---|
| Critérios DSM-5 | ≥3 dos 12 sinais; aplicar a escala de Bush-Francis. |
| Teste do lorazepam | 1–2 mg IV/IM; melhora confirma e orienta o tratamento. |
| Laboratório | Hemograma, sódio, cálcio, função renal e hepática, CPK (rabdomiólise), TSH. |
| Neuroimagem e líquor | TC/RM e punção quando há suspeita de encefalite (ex.: anti-NMDA) ou lesão estrutural. |
| Eletroencefalograma | Afasta estado de mal não convulsivo, que pode simular catatonia. |
Conduta
A conduta combina o tratamento da causa de base com terapia específica da catatonia. A primeira linha é o lorazepam, iniciado em 1–2 mg e titulado até 6–16 mg/dia conforme resposta e tolerância. Medidas de suporte são essenciais: hidratação, profilaxia de trombose, controle de temperatura e cuidado nutricional.
Quando há falha aos benzodiazepínicos, quadro grave ou catatonia maligna, a eletroconvulsoterapia (ECT) é o tratamento de escolha, com altas taxas de resposta. Antipsicóticos devem ser usados com cautela, pois podem agravar a catatonia e precipitar síndrome neuroléptica maligna; quando necessários, prefere-se baixa potência dopaminérgica.
Diante de um paciente com mutismo e imobilidade, faça o lorazepam 1–2 mg: a melhora dramática em minutos é praticamente patognomônica de catatonia e dispensa o uso de antipsicótico — que aqui pode piorar o quadro.
“MUTE PE”: Mutismo, Imobilidade (estUpor), Negativismo, posTuras, Ecofenômenos.
Os pilares que mais caem em prova sobre catatonia. Lembre que bastam 3 dos 12 sinais do DSM-5 para fechar a síndrome.
Perguntas frequentes sobre catatonia
O que é catatonia?
Catatonia é uma síndrome psicomotora marcada por alterações do movimento, do tônus e do comportamento, como imobilidade, mutismo, negativismo, posturas mantidas e ecofenômenos. O diagnóstico exige pelo menos 3 dos 12 sinais do DSM-5 e ela pode aparecer em transtornos psiquiátricos e em diversas condições clínicas e neurológicas.
Qual a causa mais comum de catatonia?
Ao contrário do que se costuma pensar, a causa mais frequente são os transtornos do humor, sobretudo depressão grave e mania, e não a esquizofrenia. Também é obrigatório investigar causas clínicas e neurológicas, como encefalite, distúrbios metabólicos e lesões cerebrais, especialmente em primeiro episódio ou quadro atípico.
Como se trata a catatonia?
A primeira linha é o lorazepam, iniciado em 1 a 2 mg e titulado conforme resposta, junto ao tratamento da causa de base e a medidas de suporte. Em casos graves, na catatonia maligna ou na falha aos benzodiazepínicos, a eletroconvulsoterapia é o tratamento de escolha. Antipsicóticos exigem cautela, pois podem agravar o quadro.
- Condutas Psiquiátricas — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Hipovolemia — outro estado clínico em que o suporte e a estabilização inicial são decisivos.
- Ortopneia — sintoma que também exige reconhecer o padrão antes da causa.
- Diurese — parâmetro de monitorização útil no acompanhamento do paciente grave.
Conclusão
A catatonia é uma síndrome psicomotora que todo estudante deve reconhecer rapidamente, pois o tratamento é simples, específico e muito eficaz. Lembre-se dos três pilares para a prova: é sindrômica (≥3 sinais do DSM-5), tem nos transtornos do humor a principal causa psiquiátrica e responde ao lorazepam, reservando a ECT para os casos graves e malignos. Saber afastar causas orgânicas e evitar antipsicóticos imprudentes faz a diferença na conduta.
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