Catatonia — ilustração — Amo Resumos

Catatonia: o que é, causas e conduta

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Catatonia — ilustração — Amo Resumos

A catatonia é uma síndrome psicomotora caracterizada por alterações marcantes do movimento, do tônus e do comportamento, como imobilidade, mutismo, posturas mantidas, negativismo e ecofenômenos. Não é uma doença isolada: aparece em transtornos psiquiátricos e em diversas condições clínicas e neurológicas, sendo reconhecida por critérios específicos.

resumo de 30 segundos
  • A catatonia é uma síndrome psicomotora, não um diagnóstico em si — exige ≥3 dos 12 sinais do DSM-5.
  • Sinais clássicos: estupor, mutismo, negativismo, posturas, flexibilidade cérea, ecolalia e ecopraxia.
  • Causas: transtornos do humor (a mais comum), esquizofrenia e várias condições clínicas (encefalite, distúrbios metabólicos).
  • Teste diagnóstico e terapêutico: lorazepam (1–2 mg). A resposta confirma e trata.
  • Forma grave: catatonia maligna — febre e instabilidade autonômica; emergência tratada com eletroconvulsoterapia (ECT).

O que é catatonia

A catatonia é uma síndrome neuropsiquiátrica definida por um conjunto de alterações da atividade motora e da reatividade ao ambiente. O paciente pode oscilar entre dois polos: a forma retraída (estupor, mutismo, imobilidade) e a forma excitada (agitação intensa, desorganizada e sem propósito). É um diagnóstico sindrômico — ou seja, reconhece-se o padrão de sinais e, em seguida, busca-se a causa de base.

Por muito tempo, a catatonia foi vista apenas como subtipo de esquizofrenia. Hoje sabemos que ela acompanha com mais frequência os transtornos do humor (especialmente episódios depressivos graves e mania) e também doenças clínicas. Por isso, o DSM-5 a classifica como um especificador que pode ser aplicado a vários transtornos e condições médicas, e não como entidade exclusiva da psiquiatria.

É importante diferenciar a catatonia de quadros parecidos. No estupor depressivo puro, há lentificação, mas sem posturas bizarras ou negativismo. No mutismo acinético (lesão frontal), falta a resposta paradoxal ao lorazepam. E na síndrome neuroléptica maligna, embora haja rigidez e febre, predomina o uso recente de antipsicóticos. Reconhecer a catatonia muda a conduta, pois o tratamento é específico e altamente eficaz.

Causas da catatonia

As causas da catatonia dividem-se em psiquiátricas e clínicas/neurológicas. Em provas, o erro clássico é assumir que toda catatonia é esquizofrenia. Na prática, os transtornos do humor lideram, e sempre é obrigatório excluir causas orgânicas, especialmente em primeiro episódio ou quadro atípico.

Principais causas
GRUPO EXEMPLOS
Transtornos do humorDepressão grave, episódio maníaco, transtorno bipolar — a causa psiquiátrica mais comum.
Transtornos psicóticosEsquizofrenia, transtorno esquizoafetivo, surto psicótico breve.
NeurológicasEncefalite (incluindo anti-NMDA), AVC, epilepsia, lesões de gânglios da base e do lobo frontal.
Metabólicas/sistêmicasHiponatremia, uremia, hipercalcemia, hepatopatia, lúpus, infecções graves.
Medicamentosas/tóxicasRetirada de benzodiazepínicos, antipsicóticos, intoxicações; síndrome neuroléptica maligna sobreposta.
Catatonia — ilustração — Amo Resumos
Ilustração de Catatonia.

Como avaliar e sinais de alarme

A avaliação começa pela identificação dos sinais cardinais. O DSM-5 exige a presença de pelo menos 3 dos 12 sinais para caracterizar a catatonia. À beira do leito, escalas como a de Bush-Francis ajudam a padronizar o exame e a quantificar a gravidade ao longo do tratamento.

  • Estupor — ausência de atividade psicomotora e de relação ativa com o ambiente.
  • Catalepsia / flexibilidade cérea — o membro mantém a postura imposta pelo examinador, como cera moldável.
  • Mutismo — resposta verbal ausente ou mínima, sem afasia.
  • Negativismo — oposição ou ausência de resposta a comandos.
  • Posturas, maneirismos e estereotipias — posições bizarras mantidas e movimentos repetitivos.
  • Ecolalia e ecopraxia — repetição da fala e dos gestos do examinador.

Os sinais de alarme indicam a forma maligna: febre, taquicardia, hipertensão ou hipotensão flutuante, sudorese profusa e rigidez intensa. Esse quadro de disautonomia, somado a desidratação, rabdomiólise e risco de trombose pela imobilidade, configura emergência médica. A catatonia prolongada também predispõe a úlceras de pressão, pneumonia aspirativa e desnutrição.

Diagnóstico e exames

O diagnóstico da catatonia é clínico, pelo reconhecimento dos sinais. Os exames servem para investigar a causa de base e excluir condições orgânicas que imitam o quadro. O teste do lorazepam tem papel central: a administração de 1–2 mg de lorazepam costuma produzir melhora rápida e transitória, funcionando como prova diagnóstica e terapêutica.

Investigação diagnóstica
ETAPA PARA QUE SERVE
Critérios DSM-5≥3 dos 12 sinais; aplicar a escala de Bush-Francis.
Teste do lorazepam1–2 mg IV/IM; melhora confirma e orienta o tratamento.
LaboratórioHemograma, sódio, cálcio, função renal e hepática, CPK (rabdomiólise), TSH.
Neuroimagem e líquorTC/RM e punção quando há suspeita de encefalite (ex.: anti-NMDA) ou lesão estrutural.
EletroencefalogramaAfasta estado de mal não convulsivo, que pode simular catatonia.

Conduta

A conduta combina o tratamento da causa de base com terapia específica da catatonia. A primeira linha é o lorazepam, iniciado em 1–2 mg e titulado até 6–16 mg/dia conforme resposta e tolerância. Medidas de suporte são essenciais: hidratação, profilaxia de trombose, controle de temperatura e cuidado nutricional.

Quando há falha aos benzodiazepínicos, quadro grave ou catatonia maligna, a eletroconvulsoterapia (ECT) é o tratamento de escolha, com altas taxas de resposta. Antipsicóticos devem ser usados com cautela, pois podem agravar a catatonia e precipitar síndrome neuroléptica maligna; quando necessários, prefere-se baixa potência dopaminérgica.

💡 pérola de prova

Diante de um paciente com mutismo e imobilidade, faça o lorazepam 1–2 mg: a melhora dramática em minutos é praticamente patognomônica de catatonia e dispensa o uso de antipsicótico — que aqui pode piorar o quadro.

“MUTE PE”: Mutismo, Imobilidade (estUpor), Negativismo, posTuras, Ecofenômenos.

Os pilares que mais caem em prova sobre catatonia. Lembre que bastam 3 dos 12 sinais do DSM-5 para fechar a síndrome.

Perguntas frequentes sobre catatonia

Perguntas frequentes

O que é catatonia?

Catatonia é uma síndrome psicomotora marcada por alterações do movimento, do tônus e do comportamento, como imobilidade, mutismo, negativismo, posturas mantidas e ecofenômenos. O diagnóstico exige pelo menos 3 dos 12 sinais do DSM-5 e ela pode aparecer em transtornos psiquiátricos e em diversas condições clínicas e neurológicas.

Qual a causa mais comum de catatonia?

Ao contrário do que se costuma pensar, a causa mais frequente são os transtornos do humor, sobretudo depressão grave e mania, e não a esquizofrenia. Também é obrigatório investigar causas clínicas e neurológicas, como encefalite, distúrbios metabólicos e lesões cerebrais, especialmente em primeiro episódio ou quadro atípico.

Como se trata a catatonia?

A primeira linha é o lorazepam, iniciado em 1 a 2 mg e titulado conforme resposta, junto ao tratamento da causa de base e a medidas de suporte. Em casos graves, na catatonia maligna ou na falha aos benzodiazepínicos, a eletroconvulsoterapia é o tratamento de escolha. Antipsicóticos exigem cautela, pois podem agravar o quadro.

Leia também
  • Condutas Psiquiátricas — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
  • Hipovolemia — outro estado clínico em que o suporte e a estabilização inicial são decisivos.
  • Ortopneia — sintoma que também exige reconhecer o padrão antes da causa.
  • Diurese — parâmetro de monitorização útil no acompanhamento do paciente grave.

Conclusão

A catatonia é uma síndrome psicomotora que todo estudante deve reconhecer rapidamente, pois o tratamento é simples, específico e muito eficaz. Lembre-se dos três pilares para a prova: é sindrômica (≥3 sinais do DSM-5), tem nos transtornos do humor a principal causa psiquiátrica e responde ao lorazepam, reservando a ECT para os casos graves e malignos. Saber afastar causas orgânicas e evitar antipsicóticos imprudentes faz a diferença na conduta.

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Fontes consultadas: Porto & Porto — Semiologia Médica; tratados de clínica médica. Conteúdo revisado para fins didáticos.