Nitrofurantoína — ilustração — Amo Resumos

Nitrofurantoína: para que serve, dose e efeitos

amoresumos.com Farmacologia Nitrofurantoína
Farmacologia Resumo
Nitrofurantoína — ilustração — Amo Resumos

A nitrofurantoína é um antibiótico do grupo dos nitrofuranos, usado principalmente no tratamento e na profilaxia da cistite (infecção urinária baixa não complicada). Concentra-se na urina e danifica DNA, ribossomos e enzimas bacterianas, sendo ativa contra Escherichia coli e outros uropatógenos, com baixa indução de resistência.

resumo de 30 segundos
  • Classe: nitrofurano (antimicrobiano urinário).
  • Para que serve: cistite não complicada e profilaxia de ITU de repetição.
  • Dose adulto: 100 mg de 6/6 h por 5 dias (formulação macrocristais).
  • Limitação: não trata pielonefrite (não atinge nível tecidual/sérico).
  • Cuidado: contraindicada com TFG baixa e perto do termo da gestação.

O que é a nitrofurantoína e a que classe pertence

A nitrofurantoína é um antibiótico sintético da classe dos nitrofuranos, empregado há décadas como antimicrobiano urinário de primeira linha. Sua característica mais marcante é a farmacocinética: ela é rapidamente filtrada e concentrada na urina, atingindo altas concentrações na bexiga, mas níveis séricos e teciduais muito baixos. Por isso funciona muito bem na cistite (infecção limitada à bexiga) e não serve para infecções sistêmicas nem para pielonefrite.

A nitrofurantoína mantém boa atividade mesmo após décadas de uso, com taxas de resistência baixas frente à E. coli. Por isso, voltou a ser priorizada nas diretrizes de cistite não complicada, ao lado da fosfomicina. É um tema recorrente em provas de infectologia e clínica.

Para que serve: indicações da nitrofurantoína

A nitrofurantoína é indicada para infecções urinárias baixas e profilaxia, sempre quando há boa função renal. Não tem papel no tratamento de infecções do trato urinário alto.

Indicações da nitrofurantoína
SITUAÇÃO USO
Cistite aguda não complicadaPrimeira linha em mulheres não gestantes com função renal preservada.
Profilaxia de ITU de repetiçãoDose baixa contínua ou pós-coito em ITU recorrente.
PielonefriteNão indicada — não atinge concentração tecidual eficaz.
Nitrofurantoína — ilustração — Amo Resumos
Ilustração de Nitrofurantoína.

Mecanismo de ação

A nitrofurantoína é um pró-fármaco: dentro da bactéria, enzimas redutoras (nitrofurano-redutases) convertem-na em intermediários reativos altamente eletrofílicos. Esses radicais atacam de forma inespecífica vários alvos bacterianos ao mesmo tempo — danificam o DNA, inativam ribossomos e bloqueiam enzimas do metabolismo de carboidratos. Esse mecanismo múltiplo e pouco específico explica por que a resistência se desenvolve lentamente: a bactéria precisaria de várias mutações simultâneas para escapar.

Dependendo da concentração, a nitrofurantoína é bacteriostática ou bactericida. Como as células humanas têm menor capacidade de reduzir o fármaco e menor exposição (concentração tecidual baixa), a toxicidade seletiva favorece a bactéria no ambiente urinário.

O espectro de ação da nitrofurantoína cobre os principais agentes da cistite. É ativa contra Escherichia coli (o uropatógeno mais frequente), Staphylococcus saprophyticus, Enterococcus e muitas cepas de Klebsiella. Por outro lado, tem atividade limitada ou ausente contra Proteus, Pseudomonas e Serratia, o que ajuda a definir quando ela não é a melhor escolha. Esse perfil, somado à baixa indução de resistência, sustenta seu papel de primeira linha na infecção urinária baixa não complicada.

Posologia: dose e via da nitrofurantoína

A nitrofurantoína é administrada por via oral, de preferência com alimento para melhorar a absorção e reduzir a intolerância gástrica. A dose varia conforme a formulação (macrocristais ou liberação modificada) e o objetivo (tratamento ou profilaxia). É importante completar todo o curso prescrito, mesmo com melhora rápida dos sintomas, para garantir a erradicação e evitar recidiva. Tomar bastante líquido durante o tratamento favorece o fluxo urinário e o conforto, mas não deve ser exagerado a ponto de diluir demais a concentração do antibiótico na bexiga.

Posologia usual
OBJETIVO DOSE / DURAÇÃO
Cistite (macrocristais)100 mg via oral, de 6/6 h, por 5 dias.
Cistite (liberação modificada)100 mg de 12/12 h, por 5 a 7 dias.
Profilaxia50 a 100 mg à noite, uso contínuo ou pós-coito.

Contraindicações e cuidados

A nitrofurantoína é contraindicada na insuficiência renal significativa (em geral com clearance de creatinina abaixo de 30–45 mL/min), porque a redução da filtração impede que ela alcance concentração urinária terapêutica e aumenta a toxicidade sistêmica. É contraindicada no fim da gestação (próximo ao termo) e no recém-nascido, pelo risco de anemia hemolítica, e deve ser evitada em portadores de deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). Não usar na pielonefrite nem em infecções sistêmicas.

Na gestação, a nitrofurantoína pode ser usada com cautela durante boa parte do período, mas é evitada perto do parto justamente pelo risco de hemólise no recém-nascido. Em idosos, a função renal limítrofe é um fator decisivo: mesmo que a creatinina pareça normal, a depuração pode estar reduzida pela idade, tornando o fármaco menos eficaz e mais propenso a efeitos adversos. Por isso, avaliar a taxa de filtração glomerular antes de prescrever é uma conduta de segurança frequentemente cobrada.

Efeitos colaterais

Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais. Os mais temidos, embora raros, são pulmonares e hepáticos, geralmente ligados ao uso prolongado na profilaxia. A toxicidade pulmonar pode ser aguda (quadro de tosse, dispneia e febre, reversível com a suspensão) ou crônica (fibrose, mais insidiosa). Por isso, em uso profilático prolongado, recomenda-se reavaliação clínica periódica e atenção a sintomas respiratórios novos.

Efeitos adversos
FREQUÊNCIA EFEITO
ComunsNáusea, vômito, cefaleia, urina amarronzada (benigna).
IncomunsReações cutâneas, neuropatia periférica.
Raros / gravesPneumonite/fibrose pulmonar, hepatotoxicidade, hemólise na G6PD.
💡 pérola de prova

A pegadinha clássica: a nitrofurantoína trata cistite mas NÃO trata pielonefrite, porque atinge altíssima concentração na urina e baixíssima no sangue e nos tecidos. Se a questão fala em febre, dor lombar e Giordano positivo (pielonefrite), a resposta não é nitrofurantoína.

“Nitro fica na URINA, não no RIM”

A nitrofurantoína se concentra na URINA (bexiga = cistite) e quase não aparece no sangue/tecido renal — por isso não resolve pielonefrite. Outro lembrete: precisa de RIM funcionante (clearance > 30) para filtrar e funcionar.

Perguntas frequentes sobre nitrofurantoína

Perguntas frequentes

O que é nitrofurantoína?

A nitrofurantoína é um antibiótico do grupo dos nitrofuranos, usado no tratamento e na profilaxia da cistite, a infecção urinária baixa. Concentra-se na urina e age danificando DNA, ribossomos e enzimas bacterianas. É ativa contra Escherichia coli e tem baixa indução de resistência, mas não trata pielonefrite.

Nitrofurantoína serve para pielonefrite?

Não. A nitrofurantoína atinge alta concentração apenas na urina e níveis muito baixos no sangue e nos tecidos. Por isso é eficaz na cistite, mas não trata a pielonefrite, que é uma infecção do parênquima renal. Nesses casos usam-se antibióticos com boa penetração tecidual.

Qual a dose de nitrofurantoína para infecção urinária?

Na cistite, a apresentação em macrocristais costuma ser usada na dose de 100 mg por via oral de 6 em 6 horas, durante 5 dias. Em formulações de liberação modificada, 100 mg de 12 em 12 horas. Para profilaxia de infecção urinária de repetição, 50 a 100 mg à noite.

Leia também
  • Manual de Farmacologia — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
  • Fosfomicina — outra primeira linha para cistite, em dose única.
  • Loratadina — anti-histamínico H1 de segunda geração, clássico de provas.
  • Antieméticos — úteis no manejo das náuseas e dos sintomas digestivos.

Conclusão

A nitrofurantoína é o antimicrobiano urinário por excelência: nitrofurano com mecanismo múltiplo, baixa resistência e excelente para cistite não complicada. Memorize sua dose de 100 mg de 6/6 h por 5 dias, a limitação de não tratar pielonefrite e as contraindicações na insuficiência renal e no fim da gestação — esses pontos respondem a maioria das questões.

Para fixar, treine questões no MedCaju, com explicação do conceito ao caso clínico.

MedCaju · plataforma de questões

Pratique questões de medicina

Teoria você estuda aqui — questão você treina no MedCaju.

Acessar MedCaju →
Fontes consultadas: Goodman & Gilman e Katzung — Farmacologia; bulário/Anvisa. Conteúdo revisado para fins didáticos.