
A donovanose é uma infecção sexualmente transmissível crônica causada pela bactéria Klebsiella granulomatis (antiga Calymmatobacterium granulomatis). Provoca úlcera genital indolor, vermelho-vivo, de bordas elevadas e que sangra facilmente, sem adenopatia satelitar dolorosa. O diagnóstico se faz pelos corpúsculos de Donovan e o tratamento de escolha é a azitromicina.
- IST crônica também chamada de granuloma inguinal; agente: Klebsiella granulomatis.
- Úlcera genital indolor, vermelho-carne, de fundo limpo, bordas elevadas e que sangra fácil.
- Evolução lenta e progressiva, SEM adenopatia inguinal dolorosa verdadeira (“pseudobubão”).
- Diagnóstico: corpúsculos de Donovan em macrófagos no esfregaço corado (Giemsa/Wright).
- Tratamento de escolha: azitromicina por no mínimo 3 semanas e até cicatrização completa.
O que é donovanose
A donovanose, também conhecida como granuloma inguinal, é uma infecção sexualmente transmissível bacteriana de evolução crônica e progressiva. É causada pela Klebsiella granulomatis, um bacilo gram-negativo intracelular antes denominado Calymmatobacterium granulomatis. É uma IST relativamente rara, com distribuição em regiões tropicais e subtropicais, e classifica-se entre as úlceras genitais que precisam ser diferenciadas da sífilis, do cancro mole e do linfogranuloma venéreo.
O ponto que define a donovanose nas provas é o caráter da lesão: úlcera única ou múltipla, de crescimento lento, indolor, com aspecto de “carne viva”, fundo granuloso vermelho-vivo e que sangra ao menor contato. Diferente do cancro mole e do linfogranuloma venéreo, a donovanose não cursa com a linfadenopatia inguinal dolorosa típica — o que se vê é a extensão subcutânea da própria lesão, chamada de pseudobubão.
Causas e fisiopatologia
A donovanose é transmitida predominantemente por contato sexual, com baixa infectividade e período de incubação variável, de dias a meses. A Klebsiella granulomatis infecta e prolifera dentro de macrófagos da derme, formando granulomas e levando à destruição tecidual lenta e à fibrose. A resposta inflamatória crônica explica a evolução arrastada e a tendência à recidiva se o tratamento for interrompido antes da cicatrização total. Por ser uma IST de distribuição predominantemente tropical, a donovanose é mais frequente em regiões de clima quente e em populações com menor acesso a serviços de saúde; no Brasil, ainda que pouco prevalente, deve sempre entrar no raciocínio diagnóstico diante de uma úlcera genital crônica que não responde aos tratamentos habituais. A coexistência com outras infecções sexualmente transmissíveis é comum, o que torna o rastreio amplo uma etapa obrigatória.
| DOENÇA | CARACTERÍSTICA DA ÚLCERA |
|---|---|
| Donovanose | Indolor, vermelho-carne, sangra fácil, crônica, sem adenopatia verdadeira |
| Sífilis (cancro duro) | Única, indolor, base endurecida e limpa, com adenopatia indolor |
| Cancro mole | Múltipla, dolorosa, fundo sujo, adenopatia dolorosa que fistuliza |
| Linfogranuloma venéreo | Úlcera fugaz indolor + adenopatia dolorosa (bubão) |

Sinais e sintomas
A donovanose começa como um nódulo ou pápula que ulcera, dando origem à lesão típica: úlcera indolor de bordas planas ou hipertróficas, fundo granuloso friável e de coloração vermelho-viva, que sangra com facilidade ao toque. As lesões localizam-se nas regiões genital, perineal e inguinal e crescem por extensão direta. Com a cronicidade, podem surgir lesões vegetantes, fibrose, linfedema genital (elefantíase) e, em casos antigos, transformação maligna.
- Lesão típica: úlcera indolor, vermelho-carne, sangrante.
- Sem bubão verdadeiro: ausência de adenopatia inguinal dolorosa; o que ocorre é o pseudobubão.
- Complicações: fibrose, estenose, linfedema/elefantíase genital, risco de carcinoma em lesões crônicas.
Diagnóstico
O diagnóstico da donovanose é clínico e laboratorial, e o achado patognomônico são os corpúsculos de Donovan: inclusões bacterianas no interior de macrófagos, visualizadas no esfregaço do raspado da lesão corado por Giemsa ou Wright, ou na histopatologia. A bactéria é de difícil cultivo, por isso a cultura de rotina não é utilizada. A pesquisa de outras IST (incluindo sífilis e HIV) deve ser sempre realizada nos casos de úlcera genital.
| ITEM | DESCRIÇÃO |
|---|---|
| Achado-chave | Corpúsculos de Donovan em macrófagos (Giemsa/Wright) |
| 1ª escolha | Azitromicina por ≥3 semanas e até cicatrização total |
| Alternativas | Doxiciclina, sulfametoxazol-trimetoprima ou ciprofloxacino |
| Parcerias | Avaliar parcerias sexuais e rastrear outras IST |
A pegadinha clássica é a adenopatia: na donovanose NÃO há bubão verdadeiro (adenite). O aumento de volume inguinal é a própria lesão se estendendo pelo subcutâneo, o “pseudobubão”. Quem dá bubão doloroso de verdade é o cancro mole e o linfogranuloma venéreo.
Tratamento
O tratamento da donovanose deve ser prolongado para evitar recidiva. A primeira escolha é a azitromicina, mantida por pelo menos três semanas ou até a cicatrização completa das lesões. São alternativas a doxiciclina, o sulfametoxazol-trimetoprima e o ciprofloxacino. As parcerias sexuais devem ser avaliadas, e a investigação de outras IST (sífilis, HIV) é mandatória. A resposta costuma ser boa, mas a cicatrização lenta exige acompanhamento até a resolução completa.
Complicações e situações especiais
Quando não tratada, a donovanose evolui de forma destrutiva. As principais complicações são a fibrose com estenose (de uretra, vagina ou ânus), o linfedema crônico que pode levar à elefantíase genital e, em lesões muito antigas, a transformação em carcinoma espinocelular — por isso lesões crônicas que não cicatrizam devem ser biopsiadas. Na gestação, a donovanose tende a evoluir de modo mais arrastado, e a azitromicina é a opção preferida pelo perfil de segurança, enquanto a doxiciclina é evitada. A transmissão vertical é incomum, mas o tratamento materno adequado e o rastreio de outras infecções sexualmente transmissíveis protegem o recém-nascido. O reconhecimento precoce e o tratamento completo são a melhor forma de evitar as sequelas.
| TEMA | O QUE LEMBRAR |
|---|---|
| Agente | Klebsiella granulomatis (intracelular) |
| Úlcera | Indolor, vermelho-carne, sangrante, crônica |
| Achado-chave | Corpúsculos de Donovan em macrófagos |
| Adenopatia | Sem bubão verdadeiro; apenas pseudobubão |
| 1ª linha | Azitromicina por ≥3 semanas |
“DONovanose = DOR Nenhuma, sangra, e corpúsculo de DONovan”
Fixa o tripé: úlcera sem dor, que sangra fácil, com corpúsculos de Donovan no esfregaço. Tratamento de base com azitromicina por semanas.
Perguntas frequentes sobre Donovanose
O que é donovanose?
Donovanose, também chamada de granuloma inguinal, é uma infecção sexualmente transmissível crônica causada pela bactéria Klebsiella granulomatis. Provoca úlcera genital indolor, de cor vermelho-carne, com bordas elevadas e que sangra com facilidade, de evolução lenta e progressiva e sem a adenopatia inguinal dolorosa de outras úlceras genitais.
Como diferenciar a donovanose das outras úlceras genitais?
A donovanose causa úlcera indolor, vermelho-viva e sangrante, sem bubão verdadeiro, apenas o pseudobubão por extensão da lesão. O cancro mole é doloroso, com fundo sujo e adenopatia que fistuliza; a sífilis tem cancro duro indolor de base endurecida; o linfogranuloma venéreo tem úlcera fugaz e bubão doloroso.
Qual o tratamento da donovanose?
O tratamento de escolha é a azitromicina, mantida por pelo menos três semanas ou até a cicatrização completa das lesões. São alternativas a doxiciclina, o sulfametoxazol-trimetoprima e o ciprofloxacino. As parcerias sexuais devem ser avaliadas e outras infecções sexualmente transmissíveis devem ser rastreadas.
- Prescrições em Dermatologia — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- VDRL — teste essencial na investigação de úlcera genital e sífilis
- Paracoccidioidomicose — outra infecção granulomatosa crônica
- Intertrigo — lesão de dobras a diferenciar de IST inguinal
Conclusão
A donovanose é tema garantido nas provas de infectologia e ginecologia quando o assunto é úlcera genital. A chave é o reconhecimento da lesão (indolor, vermelho-carne, sangrante, crônica), a ausência de bubão verdadeiro (apenas pseudobubão), o achado dos corpúsculos de Donovan e o tratamento prolongado com azitromicina. Saber contrastá-la com sífilis, cancro mole e linfogranuloma venéreo resolve a maioria das questões.
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