
A rinossinusite é a inflamação da mucosa nasal e dos seios paranasais que ocorre quase sempre em conjunto, daí o nome composto. Cursa com obstrução nasal, rinorreia, dor/pressão facial e redução do olfato. A grande maioria é viral e autolimitada; a forma bacteriana aguda é minoria e tem critérios próprios.
- Inflamação simultânea da mucosa nasal e dos seios paranasais; 4 sintomas-chave: obstrução, rinorreia, dor/pressão facial e hiposmia.
- Mais de 90% das rinossinusites agudas são virais (resfriado comum) e melhoram em até 10 dias.
- Suspeite de origem bacteriana se durar mais de 10 dias sem melhora, for grave (febre ≥39°C + secreção purulenta ≥3 dias) ou houver piora “dupla” após melhora inicial.
- Diagnóstico é clínico; tomografia e nasofibroscopia ficam para casos crônicos, complicações ou dúvida diagnóstica.
- Tratamento da forma viral é sintomático; amoxicilina com ou sem clavulanato é o antibiótico de escolha quando indicado.
O que é rinossinusite
A rinossinusite é a inflamação da mucosa que reveste as fossas nasais e os seios paranasais (frontal, maxilar, etmoidal e esfenoidal). O termo substituiu o antigo “sinusite” porque o processo inflamatório raramente atinge o seio sem envolver também a mucosa nasal contígua — a continuidade anatômica faz com que a rinossinusite seja praticamente sempre um fenômeno conjunto. Quando os óstios de drenagem dos seios ficam obstruídos pelo edema, o muco se acumula, a ventilação cai e o ambiente favorece a proliferação de patógenos.
Classifica-se a rinossinusite pelo tempo de evolução: aguda (até 4 semanas), subaguda (4 a 12 semanas) e crônica (mais de 12 semanas, com ou sem pólipos). A rinossinusite aguda é uma das queixas mais comuns na atenção primária e nas provas de medicina, justamente porque o desafio é distinguir o quadro viral autolimitado da minoria bacteriana que se beneficia de antibiótico.
Causas e fisiopatologia
A causa mais frequente da rinossinusite aguda é viral, no contexto do resfriado comum (rinovírus, influenza, parainfluenza, coronavírus sazonais). A inflamação viral causa edema da mucosa, hipersecreção e bloqueio do complexo ostiomeatal. Quando há infecção bacteriana secundária, os agentes clássicos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. Na rinossinusite crônica entram em cena biofilmes, inflamação tipo 2 (eosinofílica), alergia e, em imunossuprimidos, fungos.
| FORMA | PRINCIPAIS CAUSAS |
|---|---|
| Aguda viral | Rinovírus, influenza, parainfluenza, coronavírus — autolimitada (resfriado) |
| Aguda bacteriana | S. pneumoniae, H. influenzae, M. catarrhalis |
| Crônica | Inflamação eosinofílica, alergia, pólipos, biofilme, desvio de septo |
| Fúngica invasiva | Mucormicose/aspergilose em diabéticos descompensados e imunossuprimidos |

Sinais e sintomas
O diagnóstico de rinossinusite exige pelo menos dois sintomas cardinais, sendo um deles obrigatoriamente obstrução nasal ou rinorreia. Os quatro pilares clínicos são: obstrução/congestão nasal, rinorreia (anterior ou posterior, que pode ser purulenta), dor ou pressão facial (piora ao inclinar a cabeça) e redução ou perda do olfato (hiposmia/anosmia). Tosse, especialmente em crianças, cefaleia, febre e halitose completam o quadro.
- Sinais de alarme (encaminhar/internar): edema periorbitário, proptose, alteração da motilidade ocular ou da acuidade visual, cefaleia intensa, sinais meníngeos, alteração do nível de consciência ou edema/eritema em fronte.
- Esses sinais sugerem complicações orbitárias ou intracranianas e mudam a conduta radicalmente.
Diagnóstico
O diagnóstico da rinossinusite aguda é eminentemente clínico — não se pede exame de imagem de rotina. A grande questão prática é diferenciar viral de bacteriana, e isso se faz pelo padrão temporal e pela gravidade, não pela cor da secreção (secreção amarela/esverdeada NÃO indica bactéria por si só).
| CRITÉRIO | DESCRIÇÃO |
|---|---|
| Persistente | Sintomas ≥10 dias sem melhora |
| Grave | Febre ≥39°C + secreção purulenta + dor facial por ≥3-4 dias seguidos |
| Piora dupla | Melhora inicial seguida de nova piora (“double sickening”) em 5-6 dias |
| Imagem (só se indicada) | Tomografia em crônica, suspeita de complicação ou dúvida — não em aguda simples |
A cor da secreção nasal NÃO diferencia viral de bacteriana — secreção purulenta esverdeada aparece também no resfriado comum por chegada de neutrófilos. O que define bacteriana é o padrão temporal (≥10 dias), a gravidade ou a piora dupla.
Tratamento
Na rinossinusite viral, o tratamento é sintomático: lavagem nasal com soro fisiológico, analgésicos/antitérmicos, corticoide nasal tópico e repouso. Descongestionantes tópicos podem ser usados por no máximo 3-5 dias para evitar rinite medicamentosa. Quando há indicação de antibiótico na rinossinusite bacteriana aguda, a primeira escolha é amoxicilina, com adição de clavulanato em fatores de risco (uso recente de antibiótico, falha terapêutica, comorbidades). Em alérgicos à penicilina, usam-se doxiciclina ou fluoroquinolona respiratória.
Complicações da rinossinusite
Embora raras, as complicações da rinossinusite são graves e caem em prova porque exigem reconhecimento imediato. As mais importantes são as orbitárias — da celulite periorbitária (pré-septal) à celulite orbitária (pós-septal), ao abscesso subperiosteal e à trombose do seio cavernoso. As complicações intracranianas incluem meningite, abscesso epidural, subdural e cerebral. Sinais como edema e eritema palpebral, proptose, dor à movimentação ocular, queda da acuidade visual, cefaleia intensa, vômitos e rebaixamento do nível de consciência indicam emergência: o paciente deve ser internado, receber antibiótico endovenoso, fazer tomografia urgente e ser avaliado por otorrinolaringologia e, se necessário, neurocirurgia. O seio etmoidal é a porta de entrada mais comum para as complicações orbitárias, sobretudo em crianças.
| SITUAÇÃO | CONDUTA |
|---|---|
| Viral (maioria) | Lavagem nasal, analgésico, corticoide nasal; sem antibiótico |
| Bacteriana 1ª linha | Amoxicilina 7-10 dias (± clavulanato) |
| Alergia à penicilina | Doxiciclina ou fluoroquinolona respiratória |
| Complicação orbitária/SNC | Internação, antibiótico endovenoso, imagem urgente e avaliação cirúrgica |
“PODE — Pressão facial, Obstrução, Descarga (rinorreia), olfato Esvaído”
Os quatro sintomas cardinais da rinossinusite. Basta um par deles (sendo obstrução ou rinorreia obrigatório) para fechar o quadro clínico.
Perguntas frequentes sobre Rinossinusite
O que é rinossinusite?
Rinossinusite é a inflamação simultânea da mucosa nasal e dos seios paranasais, manifestando-se com obstrução nasal, rinorreia, dor ou pressão facial e redução do olfato. A maioria dos casos agudos é de origem viral e autolimitada, resolvendo-se em até dez dias sem necessidade de antibiótico.
Como saber se a rinossinusite é bacteriana?
Suspeita-se de origem bacteriana quando os sintomas persistem por dez dias ou mais sem melhora, quando o quadro é grave (febre acima de 39°C com secreção purulenta por vários dias) ou quando há piora dupla, com melhora inicial seguida de nova piora. A cor da secreção isolada não define bactéria.
Qual o tratamento da rinossinusite?
A forma viral é tratada com medidas sintomáticas: lavagem nasal com soro fisiológico, analgésicos e corticoide nasal tópico. Quando há indicação de antibiótico na forma bacteriana, a primeira escolha é a amoxicilina, com ou sem clavulanato, por sete a dez dias.
- Manual de Clínica Médica — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Adenovírus — outro vírus respiratório frequente em provas
- Ausculta pulmonar — semiologia do trato respiratório
- Antieméticos e antibióticos de base — farmacologia de apoio à clínica
Conclusão
A rinossinusite é uma das doenças mais cobradas em provas porque testa o raciocínio de quando NÃO prescrever antibiótico. Domine os quatro sintomas cardinais, saiba que a esmagadora maioria é viral e autolimitada, e fixe os três critérios que apontam para bactéria (persistente, grave, piora dupla). Reconhecer os sinais de alarme orbitários e intracranianos é o que separa a conduta ambulatorial da emergência.
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