Rinossinusite — ilustração — Amo Resumos

Rinossinusite: sintomas, causas e tratamento

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Rinossinusite — ilustração — Amo Resumos

A rinossinusite é a inflamação da mucosa nasal e dos seios paranasais que ocorre quase sempre em conjunto, daí o nome composto. Cursa com obstrução nasal, rinorreia, dor/pressão facial e redução do olfato. A grande maioria é viral e autolimitada; a forma bacteriana aguda é minoria e tem critérios próprios.

resumo de 30 segundos
  • Inflamação simultânea da mucosa nasal e dos seios paranasais; 4 sintomas-chave: obstrução, rinorreia, dor/pressão facial e hiposmia.
  • Mais de 90% das rinossinusites agudas são virais (resfriado comum) e melhoram em até 10 dias.
  • Suspeite de origem bacteriana se durar mais de 10 dias sem melhora, for grave (febre ≥39°C + secreção purulenta ≥3 dias) ou houver piora “dupla” após melhora inicial.
  • Diagnóstico é clínico; tomografia e nasofibroscopia ficam para casos crônicos, complicações ou dúvida diagnóstica.
  • Tratamento da forma viral é sintomático; amoxicilina com ou sem clavulanato é o antibiótico de escolha quando indicado.

O que é rinossinusite

A rinossinusite é a inflamação da mucosa que reveste as fossas nasais e os seios paranasais (frontal, maxilar, etmoidal e esfenoidal). O termo substituiu o antigo “sinusite” porque o processo inflamatório raramente atinge o seio sem envolver também a mucosa nasal contígua — a continuidade anatômica faz com que a rinossinusite seja praticamente sempre um fenômeno conjunto. Quando os óstios de drenagem dos seios ficam obstruídos pelo edema, o muco se acumula, a ventilação cai e o ambiente favorece a proliferação de patógenos.

Classifica-se a rinossinusite pelo tempo de evolução: aguda (até 4 semanas), subaguda (4 a 12 semanas) e crônica (mais de 12 semanas, com ou sem pólipos). A rinossinusite aguda é uma das queixas mais comuns na atenção primária e nas provas de medicina, justamente porque o desafio é distinguir o quadro viral autolimitado da minoria bacteriana que se beneficia de antibiótico.

Causas e fisiopatologia

A causa mais frequente da rinossinusite aguda é viral, no contexto do resfriado comum (rinovírus, influenza, parainfluenza, coronavírus sazonais). A inflamação viral causa edema da mucosa, hipersecreção e bloqueio do complexo ostiomeatal. Quando há infecção bacteriana secundária, os agentes clássicos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. Na rinossinusite crônica entram em cena biofilmes, inflamação tipo 2 (eosinofílica), alergia e, em imunossuprimidos, fungos.

Causas e agentes
FORMA PRINCIPAIS CAUSAS
Aguda viralRinovírus, influenza, parainfluenza, coronavírus — autolimitada (resfriado)
Aguda bacterianaS. pneumoniae, H. influenzae, M. catarrhalis
CrônicaInflamação eosinofílica, alergia, pólipos, biofilme, desvio de septo
Fúngica invasivaMucormicose/aspergilose em diabéticos descompensados e imunossuprimidos
Rinossinusite — ilustração — Amo Resumos
Ilustração de Rinossinusite.

Sinais e sintomas

O diagnóstico de rinossinusite exige pelo menos dois sintomas cardinais, sendo um deles obrigatoriamente obstrução nasal ou rinorreia. Os quatro pilares clínicos são: obstrução/congestão nasal, rinorreia (anterior ou posterior, que pode ser purulenta), dor ou pressão facial (piora ao inclinar a cabeça) e redução ou perda do olfato (hiposmia/anosmia). Tosse, especialmente em crianças, cefaleia, febre e halitose completam o quadro.

  • Sinais de alarme (encaminhar/internar): edema periorbitário, proptose, alteração da motilidade ocular ou da acuidade visual, cefaleia intensa, sinais meníngeos, alteração do nível de consciência ou edema/eritema em fronte.
  • Esses sinais sugerem complicações orbitárias ou intracranianas e mudam a conduta radicalmente.

Diagnóstico

O diagnóstico da rinossinusite aguda é eminentemente clínico — não se pede exame de imagem de rotina. A grande questão prática é diferenciar viral de bacteriana, e isso se faz pelo padrão temporal e pela gravidade, não pela cor da secreção (secreção amarela/esverdeada NÃO indica bactéria por si só).

Quando pensar em bacteriana
CRITÉRIO DESCRIÇÃO
PersistenteSintomas ≥10 dias sem melhora
GraveFebre ≥39°C + secreção purulenta + dor facial por ≥3-4 dias seguidos
Piora duplaMelhora inicial seguida de nova piora (“double sickening”) em 5-6 dias
Imagem (só se indicada)Tomografia em crônica, suspeita de complicação ou dúvida — não em aguda simples
💡 pérola de prova

A cor da secreção nasal NÃO diferencia viral de bacteriana — secreção purulenta esverdeada aparece também no resfriado comum por chegada de neutrófilos. O que define bacteriana é o padrão temporal (≥10 dias), a gravidade ou a piora dupla.

Tratamento

Na rinossinusite viral, o tratamento é sintomático: lavagem nasal com soro fisiológico, analgésicos/antitérmicos, corticoide nasal tópico e repouso. Descongestionantes tópicos podem ser usados por no máximo 3-5 dias para evitar rinite medicamentosa. Quando há indicação de antibiótico na rinossinusite bacteriana aguda, a primeira escolha é amoxicilina, com adição de clavulanato em fatores de risco (uso recente de antibiótico, falha terapêutica, comorbidades). Em alérgicos à penicilina, usam-se doxiciclina ou fluoroquinolona respiratória.

Complicações da rinossinusite

Embora raras, as complicações da rinossinusite são graves e caem em prova porque exigem reconhecimento imediato. As mais importantes são as orbitárias — da celulite periorbitária (pré-septal) à celulite orbitária (pós-septal), ao abscesso subperiosteal e à trombose do seio cavernoso. As complicações intracranianas incluem meningite, abscesso epidural, subdural e cerebral. Sinais como edema e eritema palpebral, proptose, dor à movimentação ocular, queda da acuidade visual, cefaleia intensa, vômitos e rebaixamento do nível de consciência indicam emergência: o paciente deve ser internado, receber antibiótico endovenoso, fazer tomografia urgente e ser avaliado por otorrinolaringologia e, se necessário, neurocirurgia. O seio etmoidal é a porta de entrada mais comum para as complicações orbitárias, sobretudo em crianças.

Conduta resumida
SITUAÇÃO CONDUTA
Viral (maioria)Lavagem nasal, analgésico, corticoide nasal; sem antibiótico
Bacteriana 1ª linhaAmoxicilina 7-10 dias (± clavulanato)
Alergia à penicilinaDoxiciclina ou fluoroquinolona respiratória
Complicação orbitária/SNCInternação, antibiótico endovenoso, imagem urgente e avaliação cirúrgica

“PODE — Pressão facial, Obstrução, Descarga (rinorreia), olfato Esvaído”

Os quatro sintomas cardinais da rinossinusite. Basta um par deles (sendo obstrução ou rinorreia obrigatório) para fechar o quadro clínico.

Perguntas frequentes sobre Rinossinusite

Perguntas frequentes

O que é rinossinusite?

Rinossinusite é a inflamação simultânea da mucosa nasal e dos seios paranasais, manifestando-se com obstrução nasal, rinorreia, dor ou pressão facial e redução do olfato. A maioria dos casos agudos é de origem viral e autolimitada, resolvendo-se em até dez dias sem necessidade de antibiótico.

Como saber se a rinossinusite é bacteriana?

Suspeita-se de origem bacteriana quando os sintomas persistem por dez dias ou mais sem melhora, quando o quadro é grave (febre acima de 39°C com secreção purulenta por vários dias) ou quando há piora dupla, com melhora inicial seguida de nova piora. A cor da secreção isolada não define bactéria.

Qual o tratamento da rinossinusite?

A forma viral é tratada com medidas sintomáticas: lavagem nasal com soro fisiológico, analgésicos e corticoide nasal tópico. Quando há indicação de antibiótico na forma bacteriana, a primeira escolha é a amoxicilina, com ou sem clavulanato, por sete a dez dias.

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Conclusão

A rinossinusite é uma das doenças mais cobradas em provas porque testa o raciocínio de quando NÃO prescrever antibiótico. Domine os quatro sintomas cardinais, saiba que a esmagadora maioria é viral e autolimitada, e fixe os três critérios que apontam para bactéria (persistente, grave, piora dupla). Reconhecer os sinais de alarme orbitários e intracranianos é o que separa a conduta ambulatorial da emergência.

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Fontes consultadas: tratados de clínica médica e diretrizes das sociedades brasileiras de especialidade. Conteúdo revisado para fins didáticos.