
A miomatose uterina é a presença de múltiplos leiomiomas — tumores benignos do músculo liso do útero — sendo o tumor sólido mais comum da mulher em idade reprodutiva. Muitas vezes é assintomática; quando dá sintomas, cursa com sangramento uterino aumentado, dor/pressão pélvica e infertilidade, conforme número, tamanho e localização dos miomas.
- Tumor benigno de músculo liso (leiomioma) do útero; quando múltiplos, fala-se em miomatose uterina.
- É hormônio-dependente: cresce com estrogênio e progesterona, regride na menopausa.
- Sintoma mais comum é o sangramento uterino aumentado (menorragia), seguido de sintomas compressivos.
- A localização (FIGO 0-8) define o sintoma: submucoso sangra mais; subseroso comprime mais.
- Diagnóstico de escolha é a ultrassonografia transvaginal; tratamento varia de expectante a histerectomia.
O que é miomatose uterina
A miomatose uterina é a condição caracterizada pela presença de vários leiomiomas no útero. O leiomioma — também chamado de mioma ou fibroma — é um tumor benigno monoclonal que se origina da proliferação das células do miométrio (músculo liso uterino). Quando há um único nódulo fala-se em leiomioma; quando há múltiplos nódulos, o termo consagrado é miomatose uterina. É o tumor benigno mais frequente do trato genital feminino, presente em até 70-80% das mulheres ao longo da vida, embora apenas uma parcela seja sintomática.
A miomatose uterina é nitidamente hormônio-dependente: estrogênio e progesterona estimulam o crescimento dos nódulos. Por isso a doença é rara antes da menarca, pode crescer na gestação e tende a regredir após a menopausa, quando os níveis hormonais caem. Fatores de risco incluem menarca precoce, nuliparidade, obesidade, etnia negra e história familiar.
Causas e classificação
A origem da miomatose uterina é multifatorial, com base genética (mutações em MED12 são frequentes) e dependência hormonal. O ponto que mais cai em prova é a classificação pela localização, porque ela prediz o quadro clínico. A FIGO padroniza os miomas em tipos 0 a 8, mas o resumo prático divide-os em submucosos, intramurais e subserosos.
| TIPO | LOCALIZAÇÃO E REPERCUSSÃO |
|---|---|
| Submucoso | Projeta na cavidade; maior causa de sangramento e infertilidade |
| Intramural | No interior da parede; mais comum; aumenta o útero e pode sangrar |
| Subseroso | Cresce para fora; sintomas compressivos (bexiga, reto) |
| Pediculado | Preso por pedículo; risco de torção e dor aguda |

Sinais e sintomas
A maioria das mulheres com miomatose uterina é assintomática. Quando há sintomas, o mais frequente e clinicamente relevante é o sangramento uterino anormal, classicamente menorragia (fluxo menstrual aumentado e prolongado), que pode levar à anemia ferropriva. Os miomas submucosos são os grandes responsáveis pelo sangramento. Os sintomas compressivos — sensação de peso pélvico, aumento da frequência urinária, constipação e dispareunia — predominam nos miomas volumosos e subserosos.
- Sangramento: menorragia, anemia, coágulos.
- Compressão: peso pélvico, polaciúria, constipação, dor lombar.
- Reprodução: infertilidade e abortamento de repetição (sobretudo submucosos).
- Dor aguda: degeneração do mioma (vermelha, na gestação) ou torção de mioma pediculado.
Diagnóstico
A suspeita nasce do exame físico — útero aumentado, irregular e de consistência fibroelástica — e se confirma por imagem. A ultrassonografia transvaginal é o exame de escolha por ser barata, acessível e acurada. A histeroscopia e a histerossonografia avaliam melhor os miomas submucosos, e a ressonância magnética é reservada para mapeamento pré-cirúrgico ou dúvida com adenomiose/sarcoma. No raciocínio diagnóstico da miomatose uterina, vale lembrar os principais diagnósticos diferenciais de útero aumentado: a adenomiose (útero globoso, doloroso, com miométrio heterogêneo), a gestação, os tumores anexiais e, raramente, o leiomiossarcoma. A diferenciação entre mioma e adenomiose é uma pegadinha frequente, e a ressonância é o exame que melhor separa as duas condições quando a ultrassonografia deixa dúvida.
| EXAME | PAPEL |
|---|---|
| USG transvaginal | Exame de escolha inicial; localiza e mede os nódulos |
| Histeroscopia | Avalia e trata miomas submucosos (cavidade) |
| Ressonância (RM) | Mapeamento pré-cirúrgico, dúvida com adenomiose/sarcoma |
| Hemograma | Investiga anemia secundária ao sangramento |
Mioma que cresce rapidamente após a menopausa é sinal de alarme para leiomiossarcoma. Na pós-menopausa, com queda do estrogênio, o esperado é a regressão dos nódulos — crescimento nesse cenário sempre exige investigação.
Tratamento
A conduta na miomatose uterina é individualizada conforme sintomas, desejo reprodutivo e idade. Miomas pequenos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados. Para controle do sangramento usam-se medicamentos hormonais (anticoncepcionais, DIU de levonorgestrel, análogos de GnRH para reduzir o volume antes da cirurgia). Quando há falha clínica, a miomectomia preserva o útero (preferida em quem deseja gestar), e a histerectomia é o tratamento definitivo para a prole completa. A embolização das artérias uterinas é alternativa minimamente invasiva.
Miomatose uterina na gestação e complicações
Na gravidez, a miomatose uterina merece atenção especial. O ambiente hormonal pode fazer os nódulos crescerem e sofrerem degeneração vermelha (necrose hemorrágica), causando dor abdominal aguda tratada de forma conservadora com analgesia e repouso. Miomas volumosos ou submucosos aumentam o risco de abortamento, parto prematuro, apresentação fetal anômala e atonia uterina no pós-parto. Fora da gestação, as principais complicações são a anemia ferropriva pelo sangramento crônico, a torção de mioma pediculado e a compressão de estruturas vizinhas. A miomectomia durante a gestação é evitada, reservada a situações excepcionais, pelo risco de sangramento.
| CENÁRIO | CONDUTA PREFERENCIAL |
|---|---|
| Assintomática | Acompanhamento clínico e ultrassonográfico |
| Sangramento, deseja gestar | Controle hormonal; miomectomia se falha |
| Prole completa, refratária | Histerectomia (tratamento definitivo) |
| Risco cirúrgico alto | Embolização das artérias uterinas |
“SUBmucoso = SANGRA; SUBseroso = ESPREME”
O mioma submucoso é a principal causa de sangramento e infertilidade; o subseroso dá os sintomas compressivos (bexiga e reto). Lembrar disso resolve a maioria das questões de localização.
Perguntas frequentes sobre Miomatose uterina
O que é miomatose uterina?
Miomatose uterina é a presença de múltiplos leiomiomas no útero, tumores benignos do músculo liso uterino. É o tumor sólido mais comum da mulher em idade reprodutiva e é hormônio-dependente, crescendo com estrogênio e progesterona. Muitos casos são assintomáticos, e os sintomáticos cursam com sangramento e sintomas compressivos.
Quais os principais sintomas da miomatose uterina?
O sintoma mais frequente é o sangramento uterino aumentado (menorragia), que pode levar à anemia. Outros sintomas incluem peso e dor pélvica, aumento da frequência urinária, constipação, dispareunia e dificuldade reprodutiva. Os miomas submucosos causam mais sangramento, e os subserosos causam mais sintomas compressivos.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia transvaginal, exame de escolha. O tratamento varia conforme os sintomas e o desejo de gestar: vai do acompanhamento e do controle hormonal do sangramento até a miomectomia, que preserva o útero, e a histerectomia, tratamento definitivo na prole completa.
- Manual de Clínica Médica — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Leiomioma — o nódulo isolado que compõe a miomatose
- Metaplasia — conceito de patologia para diferenciar de tumores
- Amiloidose — outra doença com depósito tecidual em provas
Conclusão
A miomatose uterina é tema certo em provas de ginecologia porque conecta histologia (leiomioma de músculo liso), endocrinologia (dependência hormonal) e clínica (sangramento e compressão). A chave é correlacionar a localização do mioma ao sintoma — submucoso sangra, subseroso comprime — e reconhecer o crescimento pós-menopausa como sinal de alarme. O tratamento é sempre individualizado pelo desejo reprodutivo.
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