
A diurese é a produção e eliminação de urina pelos rins, medida pelo volume urinário em um período. É um dos marcadores mais sensíveis de perfusão renal e de volemia. O volume normal de adulto fica em torno de 0,5 a 1 mL/kg/h (cerca de 1 a 2 litros por dia). Alterações da diurese (oligúria, anúria, poliúria) orientam o raciocínio clínico.
- Diurese = volume de urina produzido/eliminado em um período.
- Normal: ~0,5–1 mL/kg/h (1–2 L/dia); marcador-chave de perfusão e volemia.
- Oligúria < 400–500 mL/dia (ou < 0,5 mL/kg/h); anúria < 100 mL/dia.
- Poliúria > 3 L/dia → pense em diabetes (mellitus e insipidus).
- Em paciente grave, a diurese é alvo-guia da reanimação volêmica.
O que é diurese e como diferenciá-la
A diurese é o processo de formação e eliminação da urina pelos rins, e o termo também se refere ao próprio volume urinário produzido em determinado intervalo de tempo. Clinicamente, é um sinal vital “secreto”: o débito urinário reflete o quanto os rins estão sendo perfundidos e, por extensão, o estado de volemia e de perfusão tecidual do paciente. Por isso, a diurese é monitorada de perto em pacientes graves, no choque, na sepse e no pós-operatório.
É preciso diferenciar a diurese (volume urinário) de termos parecidos que confundem na prova. A polaciúria é o aumento da frequência de micções, sem que o volume total esteja necessariamente alto. A disúria é a dor ou ardência ao urinar. A nictúria é a necessidade de urinar à noite. Já a poliúria é o aumento real do volume total (acima de 3 litros por dia). Assim, um paciente pode ter polaciúria com diurese normal — micções pequenas e frequentes — ou poliúria verdadeira.
| TERMO | DEFINIÇÃO |
|---|---|
| Diurese normal | ~0,5–1 mL/kg/h; 1–2 L/dia |
| Oligúria | < 400–500 mL/dia ou < 0,5 mL/kg/h |
| Anúria | < 100 mL/dia (praticamente ausência de urina) |
| Poliúria | > 3 L/dia |
| Polaciúria | Aumento da frequência de micções (volume pode ser normal) |

Causas de alteração da diurese
A redução da diurese (oligúria/anúria) classifica-se em três grandes grupos, igual à injúria renal aguda: pré-renal (hipoperfusão por hipovolemia, choque, insuficiência cardíaca), renal/intrínseca (necrose tubular aguda, glomerulopatias, nefrotoxinas) e pós-renal (obstrução por cálculo, próstata, tumor). Já o aumento da diurese (poliúria) aponta principalmente para o diabetes mellitus descompensado (diurese osmótica pela glicose), o diabetes insipidus (falta ou resistência ao hormônio antidiurético) e o uso de diuréticos.
| OLIGÚRIA/ANÚRIA | POLIÚRIA |
|---|---|
| Pré-renal: hipovolemia, choque, IC | Diabetes mellitus (diurese osmótica) |
| Renal: necrose tubular, glomerulopatia | Diabetes insipidus (central ou nefrogênico) |
| Pós-renal: cálculo, próstata, tumor | Uso de diuréticos |
| Nefrotoxinas, sepse | Hipercalcemia, ingesta hídrica excessiva |
Como avaliar e sinais de alarme
Para avaliar a diurese, quantifique o volume em mL/kg/h sempre que possível — em pacientes graves usa-se a sonda vesical com coletor graduado. Na anamnese, investigue ingesta hídrica, sede excessiva (polidipsia), uso de medicamentos (diuréticos, contrastes), sintomas urinários e perdas (vômitos, diarreia, hemorragia). No exame físico, busque sinais de volemia: turgor da pele, mucosas, pressão arterial, frequência cardíaca, enchimento capilar e turgência jugular. A oligúria é, muitas vezes, o primeiro sinal objetivo de hipoperfusão.
- Sinais de alarme: anúria, oligúria persistente apesar de hidratação, sinais de choque.
- Risco renal: oligúria com elevação de creatinia e ureia (injúria renal aguda).
- Emergência: hipercalemia, acidose e sobrecarga volêmica refratária (indicam diálise).
Diagnóstico e conduta
A investigação da diurese alterada combina exames de sangue (ureia, creatinina, eletrólitos, glicemia) e de urina (densidade, osmolaridade, sódio urinário, fração de excreção de sódio). Na oligúria pré-renal, o sódio urinário é baixo e a urina concentrada; na necrose tubular, o oposto. Na poliúria, a glicemia, a osmolaridade e o teste de privação hídrica ajudam a separar diabetes mellitus de insipidus. A conduta depende da causa: reposição volêmica na hipovolemia, desobstrução na causa pós-renal, controle glicêmico no diabetes.
Um ponto que costuma confundir o estudante é a relação entre diurese e uso de diuréticos. O nome sugere que o diurético sempre aumenta o volume urinário, e de fato ele aumenta a excreção de sódio e água em quem tem volume excessivo. Porém, em um paciente já hipovolêmico, insistir no diurético piora a perfusão renal e pode reduzir ainda mais a diurese, gerando lesão. Por isso, antes de prescrever ou suspender um diurético, é obrigatório avaliar o estado volêmico real do paciente. Outro detalhe valioso é que a oligúria nem sempre significa lesão renal estabelecida: na fase inicial de hipoperfusão, o rim ainda íntegro reduz a diurese justamente para reter sódio e água — uma resposta adaptativa que se reverte com a correção da volemia.
| PARÂMETRO | PRÉ-RENAL | NECROSE TUBULAR |
|---|---|---|
| Sódio urinário | < 20 mEq/L | > 40 mEq/L |
| Fração de excreção de sódio | < 1% | > 2% |
| Osmolaridade urinária | Alta (urina concentrada) | Baixa (urina isostenúrica) |
| Resposta à volemia | Melhora a diurese | Não melhora |
No paciente em choque ou sepse, a diurese é um dos melhores alvos da reanimação: manter débito urinário ≥ 0,5 mL/kg/h indica perfusão renal adequada. A oligúria persistente após a reposição volêmica sugere que a lesão já evoluiu para injúria renal intrínseca.
“OLIgúria = pOUco xixi; ANúria = NAda de xixi”
OLIgúria < 400–500 mL/dia (pouco), ANúria < 100 mL/dia (quase nada). Para a meta de débito horário, decore: ≥ 0,5 mL/kg/h = rim bem perfundido.
Perguntas frequentes sobre diurese
O que é diurese?
Diurese é a produção e eliminação de urina pelos rins, e o termo também designa o volume de urina formado em um período. É um marcador essencial de perfusão renal e de volemia. No adulto, o valor normal gira em torno de 0,5 a 1 mL/kg/h, o que corresponde a cerca de 1 a 2 litros por dia.
Qual a diferença entre oligúria, anúria e poliúria?
Oligúria é a diurese reduzida, abaixo de 400 a 500 mL por dia (ou menos de 0,5 mL/kg/h). Anúria é a ausência quase total de urina, abaixo de 100 mL por dia. Poliúria é o aumento do volume urinário acima de 3 litros por dia, típico de diabetes mellitus e diabetes insipidus.
Por que a diurese é tão importante no paciente grave?
Porque o débito urinário reflete diretamente a perfusão renal e, indiretamente, a perfusão de todo o organismo. Por isso é usada como alvo da reanimação volêmica: manter a diurese em pelo menos 0,5 mL/kg/h indica que os rins estão recebendo fluxo adequado. A oligúria costuma ser um dos primeiros sinais de hipoperfusão.
- Manual de Semiologia Médica — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Hipovolemia — a causa pré-renal mais comum de oligúria.
- Ortopneia — quando o problema é sobrecarga de volume, não falta dele.
- Hematêmese — perda de volume por hemorragia digestiva.
Conclusão
A diurese é muito mais do que o volume de urina: é uma janela para a perfusão renal e a volemia do paciente. Saber seus valores normais, diferenciar oligúria, anúria e poliúria, e dominar a separação entre causas pré-renais, renais e pós-renais é essencial para resolver questões de nefrologia, terapia intensiva e clínica médica. No paciente grave, a diurese é alvo e bússola da reanimação.
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