
A amiodarona é um antiarrítmico de classe III (bloqueador de canais de potássio) com ação de amplo espectro, usado em arritmias ventriculares graves e fibrilação atrial. Ela prolonga a repolarização e o intervalo QT, mas também bloqueia canais de sódio, cálcio e receptores beta, sendo um dos fármacos mais versáteis e tóxicos da cardiologia.
- Classe: antiarrítmico classe III (Vaughan-Williams), com ação nas 4 classes.
- Para que serve: taquiarritmias ventriculares e fibrilação atrial.
- Parada (FV/TV sem pulso): 300 mg em bólus IV; pode repetir 150 mg.
- Marca de prova: prolonga o intervalo QT e tem meia-vida longuíssima.
- Toxicidade: tireoide, pulmão, fígado, pele e olho (depósitos de iodo).
O que é a amiodarona e a que classe pertence
A amiodarona é um antiarrítmico classificado como classe III de Vaughan-Williams, isto é, principalmente um bloqueador de canais de potássio que prolonga a repolarização. Na prática, porém, ela é um fármaco “quatro em um”: tem propriedades das quatro classes de antiarrítmicos, pois bloqueia também canais de sódio (classe I), receptores beta-adrenérgicos (classe II) e canais de cálcio (classe IV). Essa ação combinada a torna eficaz em uma ampla variedade de arritmias.
A molécula da amiodarona é altamente lipofílica e rica em iodo, o que explica seu acúmulo em tecidos (gordura, pulmão, fígado, tireoide) e a meia-vida que pode chegar a semanas. Por sua eficácia e ao mesmo tempo pelo perfil de toxicidade marcante, é um dos antiarrítmicos mais cobrados em provas de cardiologia e emergência.
Para que serve: indicações da amiodarona
A amiodarona é usada em arritmias graves, tanto na emergência quanto na manutenção. É um dos antiarrítmicos mais seguros em pacientes com disfunção ventricular, por ter pouco efeito inotrópico negativo comparado a outras opções. Essa característica a torna escolha preferencial quando o paciente tem insuficiência cardíaca e cardiopatia estrutural, situações em que muitos outros antiarrítmicos são contraindicados por aumentarem o risco de morte. Por isso, a amiodarona ocupa um lugar central nos algoritmos de taquiarritmias do paciente cardiopata.
| SITUAÇÃO | USO |
|---|---|
| FV / TV sem pulso refratária | Antiarrítmico da parada após desfibrilação e adrenalina. |
| Taquicardia ventricular com pulso | Opção em TV estável e prevenção de recorrência. |
| Fibrilação/flutter atrial | Controle de ritmo, útil na insuficiência cardíaca. |
| Manutenção de ritmo sinusal | Prevenção de recorrência de taquiarritmias. |

Mecanismo de ação
O efeito principal da amiodarona é o bloqueio dos canais de potássio, o que prolonga a fase 3 do potencial de ação, aumenta o período refratário e estende o intervalo QT no eletrocardiograma. A esse efeito de classe III somam-se: bloqueio de canais de sódio (reduz a velocidade de condução, classe I), antagonismo beta-adrenérgico não competitivo (classe II) e bloqueio de canais de cálcio (classe IV), que diminui a frequência de disparo do nó sinusal e a condução pelo nó atrioventricular.
Essa ação simultânea sobre vários canais é o que dá à amiodarona seu amplo espectro e, ao mesmo tempo, o risco de bradicardia e de prolongamento do QT. Curiosamente, apesar de alongar o QT, a amiodarona raramente causa torsades de pointes em comparação com outros antiarrítmicos de classe III.
A farmacocinética da amiodarona ajuda a entender vários cuidados clínicos. Por ser muito lipofílica, ela se distribui amplamente pelos tecidos e tem um volume de distribuição enorme, o que faz a meia-vida ser longa, frequentemente de semanas a meses. Na prática, isso significa que o efeito demora a se instalar plenamente por via oral (daí a fase de ataque) e também demora a desaparecer após a suspensão. Um detalhe de prova: a amiodarona é metabolizada no fígado em um metabólito ativo, a desetilamiodarona, que contribui para o efeito e também se acumula nos tecidos.
Posologia: dose e via da amiodarona
A posologia da amiodarona varia muito conforme o cenário: parada cardíaca, arritmia estável ou manutenção oral. Na via oral, costuma-se usar uma fase de ataque para “encher” os depósitos, seguida de dose de manutenção baixa.
| CENÁRIO | DOSE / VIA |
|---|---|
| Parada (FV/TV sem pulso) | 300 mg IV em bólus; 2ª dose de 150 mg se persistir. |
| Arritmia estável (IV) | 150 mg em 10 min, seguido de infusão contínua. |
| Ataque oral | Cerca de 600 a 800 mg/dia por alguns dias a semanas. |
| Manutenção oral | 100 a 200 mg/dia, na menor dose eficaz. |
Contraindicações e cuidados
A amiodarona é contraindicada na bradicardia sinusal grave, bloqueios atrioventriculares avançados sem marca-passo, disfunção do nó sinusal e na hipersensibilidade ao iodo. Deve-se monitorar a função tireoidiana, hepática e pulmonar antes e durante o tratamento, além de eletrocardiograma para o intervalo QT. Tem muitas interações medicamentosas relevantes: aumenta os níveis de varfarina e de digoxina (exigindo redução de dose) e potencializa o risco de bradicardia com betabloqueadores e bloqueadores de cálcio. O uso na gestação é evitado pelo risco de disfunção tireoidiana fetal.
Efeitos colaterais
A amiodarona é célebre por sua toxicidade multissistêmica, ligada ao uso prolongado e ao acúmulo do iodo. Por isso exige seguimento clínico e laboratorial periódico.
| ÓRGÃO / SISTEMA | EFEITO |
|---|---|
| Tireoide | Hipo ou hipertireoidismo (carga de iodo). |
| Pulmão | Pneumonite e fibrose pulmonar (toxicidade temida). |
| Fígado | Elevação de transaminases, hepatite. |
| Pele e olho | Coloração azulada da pele, fotossensibilidade, microdepósitos corneanos. |
| Coração | Bradicardia, prolongamento do QT, bloqueios. |
Apesar de ser classe III e prolongar o QT, a amiodarona quase nunca causa torsades de pointes, ao contrário de outros antiarrítmicos do grupo. Ela também é o antiarrítmico de escolha em paciente com insuficiência cardíaca/baixa fração de ejeção, por não deprimir muito a contratilidade.
“A amioDarona ataca TPF: Tireoide, Pulmão, Fígado”
Para a toxicidade, lembre TPF + pele/olho: Tireoide, Pulmão (fibrose), Fígado. Para o mecanismo, lembre que ela tem ação das 4 classes, mas é classificada como classe III (bloqueio de K⁺).
Perguntas frequentes sobre amiodarona
O que é amiodarona?
A amiodarona é um antiarrítmico de classe III, ou seja, bloqueia canais de potássio e prolonga a repolarização e o intervalo QT. Também atua nas outras três classes (sódio, beta e cálcio), o que lhe dá amplo espectro. É usada em arritmias ventriculares graves e fibrilação atrial, com toxicidade multissistêmica relevante.
Qual a dose de amiodarona na parada cardíaca?
Na fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso refratárias à desfibrilação, a amiodarona é dada em bólus intravenoso de 300 mg. Se a arritmia persistir, pode-se aplicar uma segunda dose de 150 mg. Esse esquema entra após as desfibrilações e a adrenalina, dentro do protocolo de parada.
Quais os principais efeitos colaterais da amiodarona?
A amiodarona pode causar disfunção da tireoide (hipo ou hipertireoidismo), toxicidade pulmonar (pneumonite e fibrose), hepatotoxicidade, coloração azulada da pele, fotossensibilidade e depósitos na córnea. No coração, provoca bradicardia e prolongamento do QT. Por isso exige monitorização periódica de tireoide, fígado e pulmão.
- Manual de Farmacologia — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Adenosina — antiarrítmico de meia-vida ultracurta nas taquicardias supraventriculares.
- Hidralazina — vasodilatador arterial usado em emergência hipertensiva e gestação.
- Loratadina — anti-histamínico H1 de segunda geração, clássico de provas.
Conclusão
A amiodarona é o antiarrítmico de amplo espectro por excelência: classe III que age como as quatro classes, eficaz da parada cardíaca à fibrilação atrial e segura na insuficiência cardíaca. Memorize a dose de 300 mg na parada, o prolongamento do QT e, sobretudo, a toxicidade de tireoide, pulmão e fígado — é o tripé que mais aparece nas provas.
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