Amiodarona — ilustração — Amo Resumos

Amiodarona: para que serve, dose e efeitos

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Amiodarona — ilustração — Amo Resumos

A amiodarona é um antiarrítmico de classe III (bloqueador de canais de potássio) com ação de amplo espectro, usado em arritmias ventriculares graves e fibrilação atrial. Ela prolonga a repolarização e o intervalo QT, mas também bloqueia canais de sódio, cálcio e receptores beta, sendo um dos fármacos mais versáteis e tóxicos da cardiologia.

resumo de 30 segundos
  • Classe: antiarrítmico classe III (Vaughan-Williams), com ação nas 4 classes.
  • Para que serve: taquiarritmias ventriculares e fibrilação atrial.
  • Parada (FV/TV sem pulso): 300 mg em bólus IV; pode repetir 150 mg.
  • Marca de prova: prolonga o intervalo QT e tem meia-vida longuíssima.
  • Toxicidade: tireoide, pulmão, fígado, pele e olho (depósitos de iodo).

O que é a amiodarona e a que classe pertence

A amiodarona é um antiarrítmico classificado como classe III de Vaughan-Williams, isto é, principalmente um bloqueador de canais de potássio que prolonga a repolarização. Na prática, porém, ela é um fármaco “quatro em um”: tem propriedades das quatro classes de antiarrítmicos, pois bloqueia também canais de sódio (classe I), receptores beta-adrenérgicos (classe II) e canais de cálcio (classe IV). Essa ação combinada a torna eficaz em uma ampla variedade de arritmias.

A molécula da amiodarona é altamente lipofílica e rica em iodo, o que explica seu acúmulo em tecidos (gordura, pulmão, fígado, tireoide) e a meia-vida que pode chegar a semanas. Por sua eficácia e ao mesmo tempo pelo perfil de toxicidade marcante, é um dos antiarrítmicos mais cobrados em provas de cardiologia e emergência.

Para que serve: indicações da amiodarona

A amiodarona é usada em arritmias graves, tanto na emergência quanto na manutenção. É um dos antiarrítmicos mais seguros em pacientes com disfunção ventricular, por ter pouco efeito inotrópico negativo comparado a outras opções. Essa característica a torna escolha preferencial quando o paciente tem insuficiência cardíaca e cardiopatia estrutural, situações em que muitos outros antiarrítmicos são contraindicados por aumentarem o risco de morte. Por isso, a amiodarona ocupa um lugar central nos algoritmos de taquiarritmias do paciente cardiopata.

Indicações da amiodarona
SITUAÇÃO USO
FV / TV sem pulso refratáriaAntiarrítmico da parada após desfibrilação e adrenalina.
Taquicardia ventricular com pulsoOpção em TV estável e prevenção de recorrência.
Fibrilação/flutter atrialControle de ritmo, útil na insuficiência cardíaca.
Manutenção de ritmo sinusalPrevenção de recorrência de taquiarritmias.
Amiodarona — ilustração — Amo Resumos
Ilustração de Amiodarona.

Mecanismo de ação

O efeito principal da amiodarona é o bloqueio dos canais de potássio, o que prolonga a fase 3 do potencial de ação, aumenta o período refratário e estende o intervalo QT no eletrocardiograma. A esse efeito de classe III somam-se: bloqueio de canais de sódio (reduz a velocidade de condução, classe I), antagonismo beta-adrenérgico não competitivo (classe II) e bloqueio de canais de cálcio (classe IV), que diminui a frequência de disparo do nó sinusal e a condução pelo nó atrioventricular.

Essa ação simultânea sobre vários canais é o que dá à amiodarona seu amplo espectro e, ao mesmo tempo, o risco de bradicardia e de prolongamento do QT. Curiosamente, apesar de alongar o QT, a amiodarona raramente causa torsades de pointes em comparação com outros antiarrítmicos de classe III.

A farmacocinética da amiodarona ajuda a entender vários cuidados clínicos. Por ser muito lipofílica, ela se distribui amplamente pelos tecidos e tem um volume de distribuição enorme, o que faz a meia-vida ser longa, frequentemente de semanas a meses. Na prática, isso significa que o efeito demora a se instalar plenamente por via oral (daí a fase de ataque) e também demora a desaparecer após a suspensão. Um detalhe de prova: a amiodarona é metabolizada no fígado em um metabólito ativo, a desetilamiodarona, que contribui para o efeito e também se acumula nos tecidos.

Posologia: dose e via da amiodarona

A posologia da amiodarona varia muito conforme o cenário: parada cardíaca, arritmia estável ou manutenção oral. Na via oral, costuma-se usar uma fase de ataque para “encher” os depósitos, seguida de dose de manutenção baixa.

Posologia por cenário
CENÁRIO DOSE / VIA
Parada (FV/TV sem pulso)300 mg IV em bólus; 2ª dose de 150 mg se persistir.
Arritmia estável (IV)150 mg em 10 min, seguido de infusão contínua.
Ataque oralCerca de 600 a 800 mg/dia por alguns dias a semanas.
Manutenção oral100 a 200 mg/dia, na menor dose eficaz.

Contraindicações e cuidados

A amiodarona é contraindicada na bradicardia sinusal grave, bloqueios atrioventriculares avançados sem marca-passo, disfunção do nó sinusal e na hipersensibilidade ao iodo. Deve-se monitorar a função tireoidiana, hepática e pulmonar antes e durante o tratamento, além de eletrocardiograma para o intervalo QT. Tem muitas interações medicamentosas relevantes: aumenta os níveis de varfarina e de digoxina (exigindo redução de dose) e potencializa o risco de bradicardia com betabloqueadores e bloqueadores de cálcio. O uso na gestação é evitado pelo risco de disfunção tireoidiana fetal.

Efeitos colaterais

A amiodarona é célebre por sua toxicidade multissistêmica, ligada ao uso prolongado e ao acúmulo do iodo. Por isso exige seguimento clínico e laboratorial periódico.

Efeitos adversos por órgão
ÓRGÃO / SISTEMA EFEITO
TireoideHipo ou hipertireoidismo (carga de iodo).
PulmãoPneumonite e fibrose pulmonar (toxicidade temida).
FígadoElevação de transaminases, hepatite.
Pele e olhoColoração azulada da pele, fotossensibilidade, microdepósitos corneanos.
CoraçãoBradicardia, prolongamento do QT, bloqueios.
💡 pérola de prova

Apesar de ser classe III e prolongar o QT, a amiodarona quase nunca causa torsades de pointes, ao contrário de outros antiarrítmicos do grupo. Ela também é o antiarrítmico de escolha em paciente com insuficiência cardíaca/baixa fração de ejeção, por não deprimir muito a contratilidade.

“A amioDarona ataca TPF: Tireoide, Pulmão, Fígado”

Para a toxicidade, lembre TPF + pele/olho: Tireoide, Pulmão (fibrose), Fígado. Para o mecanismo, lembre que ela tem ação das 4 classes, mas é classificada como classe III (bloqueio de K⁺).

Perguntas frequentes sobre amiodarona

Perguntas frequentes

O que é amiodarona?

A amiodarona é um antiarrítmico de classe III, ou seja, bloqueia canais de potássio e prolonga a repolarização e o intervalo QT. Também atua nas outras três classes (sódio, beta e cálcio), o que lhe dá amplo espectro. É usada em arritmias ventriculares graves e fibrilação atrial, com toxicidade multissistêmica relevante.

Qual a dose de amiodarona na parada cardíaca?

Na fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso refratárias à desfibrilação, a amiodarona é dada em bólus intravenoso de 300 mg. Se a arritmia persistir, pode-se aplicar uma segunda dose de 150 mg. Esse esquema entra após as desfibrilações e a adrenalina, dentro do protocolo de parada.

Quais os principais efeitos colaterais da amiodarona?

A amiodarona pode causar disfunção da tireoide (hipo ou hipertireoidismo), toxicidade pulmonar (pneumonite e fibrose), hepatotoxicidade, coloração azulada da pele, fotossensibilidade e depósitos na córnea. No coração, provoca bradicardia e prolongamento do QT. Por isso exige monitorização periódica de tireoide, fígado e pulmão.

Leia também
  • Manual de Farmacologia — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
  • Adenosina — antiarrítmico de meia-vida ultracurta nas taquicardias supraventriculares.
  • Hidralazina — vasodilatador arterial usado em emergência hipertensiva e gestação.
  • Loratadina — anti-histamínico H1 de segunda geração, clássico de provas.

Conclusão

A amiodarona é o antiarrítmico de amplo espectro por excelência: classe III que age como as quatro classes, eficaz da parada cardíaca à fibrilação atrial e segura na insuficiência cardíaca. Memorize a dose de 300 mg na parada, o prolongamento do QT e, sobretudo, a toxicidade de tireoide, pulmão e fígado — é o tripé que mais aparece nas provas.

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Fontes consultadas: Goodman & Gilman e Katzung — Farmacologia; bulário/Anvisa. Conteúdo revisado para fins didáticos.