
A piodermite é qualquer infecção bacteriana purulenta da pele, causada principalmente por Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. Engloba quadros como impetigo, foliculite, furúnculo, ectima e erisipela, com lesões que vão de crostas melicéricas a abscessos e placas inflamatórias dolorosas.
- Infecção bacteriana piogênica da pele; agentes principais: S. aureus e S. pyogenes.
- Formas: impetigo, foliculite, furúnculo/carbúnculo, ectima, erisipela e celulite.
- Impetigo: crostas cor de mel (melicéricas), muito contagioso, comum em crianças.
- Diagnóstico clínico; cultura útil em casos graves, recorrentes ou suspeita de resistência.
- Tratamento: antibiótico tópico nas formas leves, sistêmico nas extensas; drenar abscessos.
O que é piodermite
A piodermite (ou piodermatite) é o termo que reúne as infecções bacterianas purulentas da pele. A palavra vem de “pio” (pus) + “derme” (pele), indicando lesões com formação de pus. A maioria das piodermites é causada por bactérias gram-positivas: Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Conforme a profundidade e a estrutura acometida, a piodermite recebe nomes diferentes — impetigo, foliculite, furúnculo, ectima, erisipela e celulite.
Em prova, a piodermite é cobrada pelo reconhecimento das formas clínicas e pela escolha do antibiótico. Saber que a piodermite mais superficial e contagiosa é o impetigo, e que a erisipela atinge a derme com linfáticos, ajuda a acertar a maioria das questões.
Causas e fisiopatologia
A piodermite surge quando a barreira cutânea é rompida (microtrauma, picada, dermatite, fissura) e bactérias colonizadoras invadem a pele. O S. aureus é o agente mais comum das piodermites foliculares e do impetigo bolhoso; o S. pyogenes predomina na erisipela e participa do impetigo não bolhoso. Calor, umidade, má higiene, diabetes e imunossupressão favorecem a infecção.
| FORMA | ESTRUTURA / LESÃO | AGENTE |
|---|---|---|
| Impetigo | Epiderme; crostas melicéricas/bolhas | S. aureus, S. pyogenes |
| Foliculite | Folículo piloso; pústula centrada no pelo | S. aureus |
| Furúnculo/carbúnculo | Folículo + derme; nódulo doloroso, abscesso | S. aureus |
| Ectima | Úlcera com crosta; impetigo profundo | S. pyogenes |
| Erisipela | Derme/linfáticos; placa eritematosa bem delimitada | S. pyogenes |

Sinais e sintomas
As manifestações da piodermite variam com a forma. As superficiais cursam com pústulas, crostas e prurido; as mais profundas adicionam dor, calor, edema e, às vezes, febre. A erisipela tem início abrupto, placa vermelha bem delimitada, quente e dolorosa, frequentemente em membro inferior ou face, podendo vir com sintomas sistêmicos.
- Impetigo: crostas cor de mel, vesículas/bolhas, muito contagioso.
- Foliculite: pústulas pequenas centradas no folículo piloso.
- Furúnculo: nódulo doloroso e flutuante que drena pus.
- Erisipela: placa eritematosa quente, bordas nítidas, febre.
- Sinais de alarme: dor desproporcional, bolhas, necrose, instabilidade (descartar fasciíte).
Diagnóstico
O diagnóstico da piodermite é clínico, baseado no reconhecimento da lesão. Cultura com antibiograma é reservada a casos graves, recorrentes, em imunossuprimidos ou com suspeita de S. aureus resistente à meticilina (MRSA). Hemograma e marcadores inflamatórios ajudam nas formas com repercussão sistêmica.
| SITUAÇÃO | CONDUTA |
|---|---|
| Impetigo localizado | Antibiótico tópico (mupirocina, ácido fusídico) + higiene |
| Impetigo extenso | Antibiótico oral (cefalexina ou amoxicilina-clavulanato) |
| Furúnculo/abscesso | Drenagem cirúrgica; antibiótico se sinais sistêmicos |
| Erisipela | Penicilina/cefalexina; elevar membro, repouso |
| Suspeita de MRSA | Sulfametoxazol-trimetoprima ou clindamicina; cultura |
Tratamento
O tratamento da piodermite depende da extensão e da profundidade. Formas leves e localizadas respondem a antibiótico tópico e medidas de higiene; quadros extensos ou com sintomas gerais exigem antibiótico sistêmico cobrindo estafilococo e estreptococo. Abscessos e furúnculos flutuantes precisam de drenagem. Sempre tratar fatores predisponentes (controlar diabetes, tratar dermatite de base, cuidar de portas de entrada).
Em furunculose de repetição, vale investigar e descolonizar o portador de S. aureus nas narinas, com mupirocina nasal e cuidados de higiene, além de orientar lavagem das mãos e não compartilhar toalhas. Na piodermite recidivante e em pacientes hospitalizados, cresce a preocupação com o S. aureus resistente à meticilina (MRSA), que muda a escolha do antibiótico para sulfametoxazol-trimetoprima, doxiciclina ou clindamicina, idealmente guiada por cultura e antibiograma.
É essencial reconhecer os sinais de gravidade que tiram o caso do território da piodermite simples. Dor desproporcional ao exame, evolução rápida, bolhas hemorrágicas, crepitação, áreas de necrose e sinais de sepse apontam para fasciíte necrosante, uma emergência cirúrgica. Nessas situações, não basta antibiótico: é preciso avaliação cirúrgica imediata, desbridamento e suporte intensivo.
| CARACTERÍSTICA | ERISIPELA | CELULITE |
|---|---|---|
| Profundidade | Derme superficial e linfáticos | Derme profunda e subcutâneo |
| Bordas | Nítidas, em degrau, elevadas | Mal delimitadas |
| Agente típico | S. pyogenes | S. aureus, S. pyogenes |
| Início | Abrupto, com febre alta | Mais insidioso |
Crosta cor de mel (melicérica) = impetigo. Placa vermelha quente, bem delimitada, com borda em degrau e febre = erisipela (estreptococo). Complicação não supurativa do estreptococo a lembrar: glomerulonefrite pós-estreptocócica após piodermite.
“PUS na pele: Pyogenes e aureuS são o Início, Superfície (impetigo) ou profundo (erisipela).”
Lembra os dois agentes-chave da piodermite e o eixo superficial-profundo das formas clínicas.
Perguntas frequentes sobre Piodermite
O que é piodermite?
É qualquer infecção bacteriana purulenta da pele, causada principalmente por Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. O termo reúne quadros como impetigo, foliculite, furúnculo, ectima e erisipela, com lesões que variam de crostas e pústulas a abscessos e placas inflamatórias dolorosas, conforme a profundidade acometida.
Quais bactérias causam piodermite?
As principais são bactérias gram-positivas: Staphylococcus aureus, mais ligado a impetigo bolhoso, foliculite e furúnculo, e Streptococcus pyogenes, predominante na erisipela e no ectima. A infecção ocorre quando a barreira da pele é rompida por trauma, fissura ou dermatite, permitindo a invasão bacteriana.
Como tratar a piodermite?
Depende da forma. Quadros leves e localizados usam antibiótico tópico, como mupirocina, e higiene. Formas extensas ou com sintomas gerais exigem antibiótico oral cobrindo estafilococo e estreptococo, como cefalexina. Abscessos e furúnculos precisam de drenagem, e fatores predisponentes como diabetes devem ser controlados.
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- Intertrigo — dermatite de dobras que pode se infectar por bactérias.
- Eritema multiforme — outra dermatose de prova com diferencial cutâneo.
- Donovanose — infecção bacteriana cutânea de transmissão sexual.
Conclusão
A piodermite é um tema de alto rendimento em dermatologia e infectologia: reconhecer impetigo, foliculite, furúnculo, ectima e erisipela, lembrar dos agentes (S. aureus e S. pyogenes), drenar abscessos e escolher o antibiótico certo resolve a maioria das questões. Não esqueça das complicações estreptocócicas, como a glomerulonefrite pós-estreptocócica.
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