Hepatograma no ENAMED: padrão hepatocelular × colestático — Amo Resumos

Hepatograma no ENAMED: padrão hepatocelular × colestático

Poucos exames confundem tanto o candidato quanto o hepatograma. A prova do ENAMED raramente pergunta “qual o valor da TGO”; ela te entrega um paciente ictérico, joga um punhado de enzimas alteradas e espera que você leia o hepatograma como um mapa. E o mapa tem uma bifurcação inicial que resolve quase tudo: o padrão é hepatocelular ou colestático?

Neste post você vai dominar a leitura do hepatograma do jeito que a banca cobra: separar lesão de obstrução, reconhecer o padrão de cada grupo de doenças e ainda lembrar que existe um terceiro eixo — a função do fígado. Quem decora valor isolado se perde; quem entende que o hepatograma conta uma história em dois grandes padrões acerta por eliminação.

resumo de 30 segundos
  • O hepatograma se divide em 3 eixos: lesão hepatocelular (transaminases), colestase (FA e GGT) e função/síntese (albumina, TAP/INR).
  • Padrão hepatocelular: predomínio de AST (TGO) e ALT (TGP) → lesão do hepatócito (hepatites virais, medicamentosa, isquêmica, autoimune).
  • Padrão colestático: predomínio de fosfatase alcalina e GGT + bilirrubina direta → obstrução/colestase (coledocolitíase, tumor, CBP, drogas).
  • A bússola é simples: quem subiu mais? Transaminase aponta para a célula; FA/GGT apontam para a via biliar.
  • Transaminases e FA não medem função — para isso, olhe albumina e TAP/INR.
  • AST/ALT > 2 (com GGT alta) sugere doença hepática alcoólica.

O caso que o ENAMED adora

Mulher de 52 anos, com icterícia, colúria e prurido há 5 dias. Exames: bilirrubina total 8,0 (direta 6,2), fosfatase alcalina e GGT muito elevadas, transaminases apenas discretamente aumentadas. Antes de listar diagnósticos, o hepatograma já grita: o predomínio é de FA/GGT com bilirrubina direta — padrão colestático. Isso te leva ao mundo da obstrução biliar (pensar em coledocolitíase, tumor periampular) e ao próximo exame lógico, uma imagem das vias biliares — não a uma hepatite viral.

Hepatograma: padrão hepatocelular (transaminases) versus colestático (FA e GGT) — ilustração Amo Resumos
A primeira leitura do hepatograma: predomina transaminase (lesão do hepatócito) ou FA/GGT (colestase)?

Os três eixos do hepatograma

O erro clássico é tratar o hepatograma como uma lista de enzimas. Ele é, na verdade, a soma de três perguntas diferentes sobre o fígado:

  • Há lesão do hepatócito? → transaminases (AST/TGO e ALT/TGP). Elas vazam da célula lesada.
  • Há colestase (dificuldade de escoar a bile)? → fosfatase alcalina e GGT, com bilirrubina direta.
  • O fígado ainda funciona (sintetiza)? → albumina e tempo de protrombina (TAP/INR). Este eixo mede gravidade.

As duas primeiras respostas definem o padrão (hepatocelular × colestático); a terceira define a gravidade. Cair na prova sem separar esses eixos é o caminho mais curto para o erro.

A bifurcação principal: hepatocelular × colestático

quem subiu mais?
CARACTERÍSTICA HEPATOCELULAR COLESTÁTICO
Enzima que predominaAST/TGO e ALT/TGP altasFosfatase alcalina e GGT altas
BilirrubinaPode subir (mista/direta)Direta elevada + colúria/acolia
O que está acontecendoLesão/necrose do hepatócitoObstrução ao fluxo de bile
Causas típicasHepatites virais, medicamentosa/tóxica, isquêmica, autoimune, esteato-hepatiteColedocolitíase, tumor periampular, CBP/CEP, drogas colestáticas
Próximo passoSorologias virais, história de drogasImagem das vias biliares (USG → colangio-RM)

Repare que, no padrão colestático, o passo seguinte é quase sempre uma imagem: se as vias biliares estão dilatadas, a obstrução é extra-hepática (o cálculo ou o tumor); se não estão, o problema é intra-hepático (CBP, drogas, infiltração). É esse tipo de raciocínio encadeado, do laboratório à conduta, que aprofundamos no Guia de Interpretação de Exames do Amo Resumos.

Magnitude e relação AST/ALT: pistas extras

o quanto subiu também fala
ACHADO O QUE SUGERE
Transaminases > 1000Hepatite viral aguda, isquêmica (“fígado de choque”) ou tóxica (paracetamol)
Elevação leve/moderadaEsteatose/esteato-hepatite, hepatites crônicas
AST/ALT > 2 + GGT altaDoença hepática alcoólica
FA muito alta, transaminase pouco alteradaColestase/obstrução — confirmar origem com GGT
★ mnemônico

“Transaminase é a CÉLULA; FA e GGT são o CANO”

Se a transaminase manda, o problema é a célula do fígado (hepatocelular). Se FA e GGT mandam, o problema é o cano da bile (colestático). E a função (albumina, TAP) é uma pergunta à parte.

Pérola e armadilha

💡 pérola de prova

A leitura do hepatograma começa por “quem subiu mais”: transaminase aponta para lesão da célula; FA/GGT apontam para a via biliar. Só depois pense em gravidade (albumina, TAP/INR).

⚠️ armadilha

Pedir só transaminases e concluir “fígado normal” pode mascarar uma colestase obstrutiva: nela, as transaminases sobem pouco enquanto FA e GGT disparam. Sempre avalie o conjunto — e não confunda lesão (transaminase/FA) com função (albumina/TAP).

O que levar para a prova

Não decore números soltos: leia o hepatograma em três perguntas — há lesão (transaminases)? há colestase (FA/GGT)? o fígado funciona (albumina, TAP/INR)? A bifurcação hepatocelular × colestático resolve a maior parte das questões e aponta o próximo exame. Com esse mapa na cabeça, qualquer caso de icterícia ou “enzimas alteradas” vira um exercício de eliminação — exatamente o que o ENAMED quer testar.

material recomendado

Guia de Interpretação de Exames

laboratório e imagem na prática clínica, do valor de referência à conduta — incluindo o hepatograma linha por linha.

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Referências: Kasper DL et al. — Medicina Interna de Harrison (provas de função hepática). Diretrizes e consensos vigentes de avaliação laboratorial hepática. Conteúdo de revisão para fins didáticos.