Fosfatase alcalina e GGT no ENAMED: o padrão colestático — Amo Resumos

Fosfatase alcalina e GGT no ENAMED: o padrão colestático

A fosfatase alcalina é uma daquelas enzimas que enganam o desavisado. No ENAMED, ver uma fosfatase alcalina elevada não significa, automaticamente, doença do fígado — porque ela também vem do osso, do intestino e da placenta. Quem resolve o enigma é a companheira dela, a GGT. Juntas, fosfatase alcalina e GGT formam o par que define o padrão colestático e ainda denuncia o uso de álcool.

Neste post você vai entender por que a fosfatase alcalina isolada é inespecífica, como a GGT confirma a origem hepática, quando uma FA alta aponta para o osso (e não para o fígado) e por que esse par é a assinatura da colestase. É um raciocínio simples que a banca adora transformar em pegadinha.

resumo de 30 segundos
  • Fosfatase alcalina (FA) + GGT = o par do padrão colestático.
  • A FA vem do fígado, mas também de osso, intestino e placenta → elevação isolada é inespecífica.
  • A GGT confirma a origem hepática: FA alta + GGT alta = colestase.
  • FA alta + GGT normal = pense em osso (Paget, metástase, crescimento) ou gestação.
  • A GGT é sensível ao álcool e a indutores enzimáticos.
  • Colestase: obstrução biliar (coledocolitíase, tumor), CBP/CEP, drogas, infiltração hepática.

O caso que o ENAMED adora

Criança de 8 anos, saudável, faz exames de rotina e aparece com fosfatase alcalina elevada. A família se assusta. Mas as transaminases, a GGT e a bilirrubina estão normais. A prova pergunta a conduta. Aqui, a fosfatase alcalina alta com GGT normal em uma criança em fase de crescimento é fisiológica (vem do osso em crescimento) — não é doença hepática. É exatamente por isso que nunca se interpreta a FA sem olhar a GGT.

Fosfatase alcalina e GGT elevadas: o padrão colestático das vias biliares — ilustração Amo Resumos
FA alta + GGT alta = colestase de origem hepática; se a FA sobe mas a GGT está normal, pense em osso, não fígado.

Por que a fosfatase alcalina precisa da GGT

A fosfatase alcalina não é exclusiva do fígado. Suas principais fontes são:

  • Fígado (canalículos biliares) — sobe na colestase.
  • Osso — sobe no crescimento (crianças/adolescentes), doença de Paget, metástases ósseas, fraturas em consolidação.
  • Intestino e placenta — a placentária explica a elevação fisiológica no 3º trimestre da gestação.

Como distinguir a FA hepática das outras? Pela GGT, que praticamente só sobe em situações hepatobiliares (e com álcool). Se a FA subiu com a GGT, a origem é o fígado; se a GGT está normal, a FA veio de outro lugar.

FA alta: fígado ou não?
FA GGT INTERPRETAÇÃO
AltaAltaColestase hepática: obstrução biliar, CBP/CEP, drogas, infiltração
AltaNormalOrigem óssea/fisiológica: Paget, metástase, crescimento, gestação
NormalAlta isoladaÁlcool, indução enzimática (fármacos), esteatose

Essa leitura em par — FA e GGT lado a lado — é a que evita erros grosseiros na prova e no consultório, e é assim que abordamos a colestase no Guia de Interpretação de Exames do Amo Resumos.

As causas de colestase que mais caem

onde está o problema
TIPO EXEMPLOS
Extra-hepática (obstrutiva)Coledocolitíase, tumor de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma — vias biliares dilatadas
Intra-hepáticaCirrose biliar primária (anti-mitocôndria), colangite esclerosante, drogas, sepse, gestação — vias não dilatadas
★ mnemônico

“GGT é a testemunha da FA”

A GGT confirma se a fosfatase alcalina veio do fígado. FA sem GGT alta → não acuse o fígado (pense em osso ou gestação).

Pérola e armadilha

💡 pérola de prova

Fosfatase alcalina alta + GGT alta = colestase hepática. É a assinatura do padrão colestático, que pede imagem das vias biliares (USG → colangio-RM) para separar obstrução extra de causa intra-hepática.

⚠️ armadilha

Atribuir toda fosfatase alcalina alta ao fígado sem checar a GGT. Na criança em crescimento e na gestante, a FA elevada com GGT normal é fisiológica — investigar fígado nesses casos é gastar exame à toa.

O que levar para a prova

Nunca leia a fosfatase alcalina sozinha. Se ela subiu, pergunte pela GGT: alta junto = colestase hepática; normal = pense em osso, crescimento ou gestação. E quando o padrão for colestático, o próximo passo é a imagem das vias biliares. Esse par de enzimas é pequeno, mas resolve grande parte das questões de icterícia e provas hepáticas do ENAMED.

material recomendado

Guia de Interpretação de Exames

laboratório e imagem na prática clínica, do valor de referência à conduta — com o padrão colestático destrinchado.

Ver o material →
Referências: Kasper DL et al. — Medicina Interna de Harrison (avaliação da colestase). Consensos vigentes de provas hepáticas. Conteúdo de revisão para fins didáticos.