Colecistite aguda no ENAMED: sinal de Murphy e conduta — Amo Resumos

Colecistite aguda no ENAMED: sinal de Murphy e conduta

A colecistite aguda é um dos temas mais cobrados de abdome agudo no ENAMED, e quase sempre a questão gira em torno de um detalhe: o sinal de Murphy. Entender a colecistite aguda significa reconhecer que se trata de uma inflamação da vesícula biliar, na imensa maioria das vezes provocada por um cálculo impactado no ducto cístico. É essa obstrução mantida que transforma uma simples cólica biliar em colecistite aguda de verdade.

Neste post você vai montar o raciocínio completo da colecistite aguda: como diferenciar da cólica biliar, o que esperar dos exames, e por que a conduta correta é operar cedo. Dominar a colecistite aguda resolve não só a questão direta, mas várias armadilhas de conduta cirúrgica que o ENAMED adora cobrar.

resumo de 30 segundos
  • Causa: cálculo impactado no ducto cístico → inflamação da vesícula.
  • Clínica: dor em hipocôndrio direito persistente (>6h), febre e náuseas — diferente da cólica que cede.
  • Exame: sinal de Murphy positivo (parada inspiratória à palpação do HD).
  • USG: parede espessada (>3–4 mm), líquido perivesicular, cálculo/lama, Murphy ecográfico.
  • Conduta: internação, ATB, analgesia e colecistectomia videolaparoscópica precoce (idealmente ≤72h).
  • Variante: colecistite alitiásica em pacientes graves/UTI.

O caso que cai na prova

Mulher de 48 anos, obesa, chega ao pronto-socorro com dor em hipocôndrio direito há 12 horas, agora contínua e associada a febre baixa e náuseas. Já teve episódios parecidos após refeições gordurosas, mas dessa vez a dor não passou. Ao exame, você apoia a mão na borda costal direita, pede para ela inspirar e ela interrompe a respiração pela dor: Murphy positivo. Esse é o retrato clássico da colecistite aguda — a cólica biliar que “não cedeu” e virou inflamação franca da vesícula.

Colecistite aguda: vesícula inflamada com parede espessada e cálculo impactado no ducto cístico — Amo Resumos
Na colecistite, o cálculo impacta o ducto cístico e inflama a vesícula: dor persistente, febre e sinal de Murphy.

O pulo do gato aqui é o tempo. Na cólica biliar simples, o cálculo obstrui transitoriamente o ducto cístico e a dor cede em minutos a poucas horas. Quando a obstrução se mantém, a bile estagnada inflama a parede, aparece febre e leucocitose — e a dor deixa de ser cólica para ser persistente. Esse raciocínio de “duração e persistência da dor” é exatamente o que a banca testa. Se você quiser treinar esse tipo de árvore de decisão de forma visual, vale conhecer as Fichas Sindrômicas de Clínica Médica, que organizam justamente esses fluxos de raciocínio por síndrome.

Colecistite aguda × cólica biliar

diagnóstico diferencial
CARACTERÍSTICA CÓLICA BILIAR COLECISTITE AGUDA
Duração da dor Minutos a <6h, cede Persistente, >6h
Febre Ausente Presente (baixa)
Sinal de Murphy Negativo Positivo
Leucocitose Ausente Presente
USG Cálculo, parede normal Parede >3–4 mm, líquido perivesicular
Conduta Eletiva / sintomático Internar + operar precoce

Exames: o que confirma e o que apenas apoia

Os laboratórios costumam mostrar leucocitose com desvio à esquerda e elevação de proteína C reativa. Bilirrubinas e fosfatase alcalina podem subir discretamente, mas atenção: elevação importante de bilirrubina sugere obstrução do colédoco (coledocolitíase/colangite), não colecistite pura. O exame de escolha é a ultrassonografia de abdome, barata, rápida e à beira do leito.

achados na investigação
EXAME ACHADO TÍPICO
Hemograma Leucocitose com desvio à esquerda
Bilirrubina / FA Normais ou pouco elevadas (se muito altas, pensar em colédoco)
USG — parede Espessamento >3–4 mm
USG — conteúdo Cálculo ou lama biliar impactada
USG — Murphy ecográfico Dor máxima sob o transdutor + líquido perivesicular

Conduta: por que operar cedo

O tratamento da colecistite aguda começa com internação, hidratação, analgesia e antibioticoterapia, mas o ponto que decide a questão é a cirurgia. A recomendação atual é a colecistectomia videolaparoscópica precoce, idealmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas. Operar cedo reduz complicações e tempo de internação, ao contrário da velha ideia de “esfriar” o quadro por semanas. Existe ainda a colecistite alitiásica (sem cálculo), que aparece em pacientes graves, sépticos ou de UTI, e cursa com maior risco de gangrena e perfuração.

★ mnemônico

“Murphy + Muralha = operar Mais cedo”

Sinal de Murphy positivo somado à parede espessa (muralha) na USG fecha colecistite aguda — e a resposta é colecistectomia videolaparoscópica precoce, não adiar.

💡 pérola de prova

Murphy positivo + parede vesicular espessada na ultrassonografia = colecistite aguda até prova em contrário. É a dupla que a banca usa para confirmar o diagnóstico.

⚠️ armadilha

Adiar demais a cirurgia esperando o quadro “esfriar” é a pegadinha clássica. A conduta moderna é operar precocemente (≤72h); postergar aumenta complicações como gangrena, empiema e perfuração.

O que levar para a prova

Fixe a espinha dorsal da colecistite aguda: cálculo impactado no ducto cístico, dor persistente em hipocôndrio direito, febre, Murphy positivo e USG com parede espessada. Confirmou? Interne, comece antibiótico e analgesia e programe a colecistectomia videolaparoscópica precoce. Guarde também a variante alitiásica no paciente crítico. Com esse fluxo na cabeça, a colecistite aguda deixa de ser decoreba e vira raciocínio — que é exatamente o que o ENAMED quer avaliar.

material recomendado

Fichas Sindrômicas de Clínica Médica

O caderno visual que ensina o ENAMED por síndrome, em árvores de raciocínio ilustradas.

Ver o material →
Referências: Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery (ed. vigente); Harrison’s Principles of Internal Medicine (ed. vigente); Tokyo Guidelines para colecistite aguda (versão vigente). Conteúdo de revisão para fins didáticos.