Colangite aguda no ENAMED: tríade de Charcot e pêntade de Reynolds — Amo Resumos

Colangite aguda no ENAMED: tríade de Charcot e pêntade de Reynolds

A colangite aguda é uma das emergências abdominais que mais aparecem no ENAMED, e por um bom motivo: ela mata rápido quando o raciocínio falha. Entender colangite aguda é entender uma equação simples e perigosa — via biliar obstruída somada a bactéria é igual a infecção sob pressão. Toda vez que a bile não drena (na maioria das vezes por coledocolitíase), o sistema biliar vira um abscesso pressurizado, e a colangite aguda instala febre, icterícia e dor. A prova adora testar se você reconhece a colangite aguda pela tríade de Charcot e, principalmente, se sabe quando ela evoluiu para a forma grave.

Neste post você vai fixar as duas síndromes clássicas que a banca cobra — tríade de Charcot e pêntade de Reynolds —, a conduta em três tempos (ressuscitar, antibiótico, drenar) e a armadilha que reprova candidato: confundir colangite aguda com colecistite e atrasar a drenagem da via biliar. Vamos ao que resolve questão.

resumo de 30 segundos
  • Colangite aguda = infecção da via biliar obstruída (mais comum: coledocolitíase). É emergência.
  • Tríade de Charcot (3): febre com calafrios + icterícia + dor em hipocôndrio direito.
  • Pêntade de Reynolds (5): tríade + hipotensão + confusão mental = colangite grave/tóxica.
  • Labs: leucocitose, padrão colestático (FA/GGT/BD elevadas) e hemoculturas.
  • Conduta: ressuscitação + antibiótico precoce + drenagem biliar urgente (CPRE).
  • Reynolds = drenar sem demora; não trate como colecistite.

O caso que a banca gosta

Mulher de 62 anos chega ao pronto-socorro com febre de 39 °C, calafrios intensos, icterícia progressiva e dor em hipocôndrio direito há dois dias. Já é a tríade de Charcot completa — e ela é o suficiente para você suspeitar de colangite aguda e agir. O erro clássico do candidato apressado é pedir ultrassom, ver cálculo na vesícula e cravar “colecistite”. Mas repare: a icterícia e o padrão colestático apontam para obstrução da via biliar principal (colédoco), não da vesícula. O ponto anatômico é decisivo — a bile represada no colédoco, colonizada por bactérias intestinais (E. coli, Klebsiella, enterococo), é o que gera a sepse.

Colangite aguda: obstrução + infecção das vias biliares (tríade de Charcot) — ilustração Amo Resumos
Colangite = obstrução + infecção da via biliar: a tríade de Charcot (febre, icterícia, dor) é o alerta; drenagem é urgente.

Se durante a observação essa paciente começa a confundir-se e a hipotensar, a história mudou de patamar: ela saiu da tríade e entrou na pêntade de Reynolds — colangite grave (tóxica). Esse é exatamente o gatilho que a prova quer que você reconheça, porque muda a urgência da drenagem. Vale a mesma lógica sindrômica que treinamos nas Fichas Sindrômicas de Clínica Médica: você parte do agrupamento de sinais (a síndrome) e desce até a conduta, sem decorar solto.

Charcot × Reynolds: as duas síndromes que caem

tríade × pêntade
SINAL TRÍADE DE CHARCOT (3) PÊNTADE DE REYNOLDS (5)
Febre + calafrios
Icterícia
Dor em HCD
Hipotensão (choque)
Confusão mental / sensório
InterpretaçãoColangite provávelColangite grave/tóxica

Guarde o conceito central: a pêntade é a tríade que evoluiu. Os dois sinais adicionais (hipotensão e rebaixamento do sensório) marcam a resposta sistêmica à infecção — ou seja, sepse/disfunção orgânica. Reconhecer isso vale ponto porque muda a pressa da drenagem.

Laboratório e conduta em três tempos

laboratório + conduta
ETAPA O QUE FAZER POR QUÊ
DiagnósticoLeucocitose, padrão colestático (FA, GGT, BD ↑), hemoculturas; USG/colangio-RM ou TC para ver via dilatadaConfirma infecção + obstrução da via biliar
1. RessuscitarCristaloide, monitorização, correção hemodinâmicaColangite grave é sepse; estabilizar antes
2. Antibiótico precoceCobertura de Gram-negativos entéricos e anaeróbios, o quanto antesControla a bacteriemia; não substitui a drenagem
3. Drenagem biliarCPRE (1ª escolha); trans-hepática percutânea ou cirúrgica se CPRE falha/indisponívelRemove a obstrução — é o tratamento definitivo

A frase que resume tudo: antibiótico controla, mas quem cura é a drenagem. Enquanto a via biliar continuar obstruída e sob pressão, a bactéria segue extravasando para a circulação. Na colangite grave que não responde às medidas iniciais, a drenagem é urgente — de preferência por CPRE, com papilotomia e retirada do cálculo ou passagem de stent.

★ mnemônico

“Charcot são 3 (Febre, Icterícia, Dor); Reynolds são 5: soma Pressão baixa e Perda do sensório.”

Os dois “P” extras de Reynolds (Pressão e Perda de consciência) sinalizam sepse — é a colangite que virou grave.

💡 pérola de prova

Pêntade de Reynolds = colangite grave/tóxica. Se apareceu hipotensão ou confusão mental, a mensagem da questão é uma só: drenar a via biliar sem demora, após ressuscitar e iniciar antibiótico.

⚠️ armadilha

Tratar a colangite como se fosse colecistite. Ver cálculo na vesícula ao USG e parar em “colecistite” ignora a obstrução do colédoco — e atrasa a drenagem biliar, o único passo que resolve. Icterícia + padrão colestático apontam para a via biliar principal, não para a vesícula.

O que levar para a prova

Se a questão trouxer febre com calafrios, icterícia e dor em hipocôndrio direito, pense colangite aguda e busque a obstrução da via biliar. Se somar hipotensão e confusão mental, você está diante da forma grave (pêntade de Reynolds) e a resposta gira em torno de ressuscitar, antibiótico precoce e drenagem biliar urgente por CPRE. Não deixe o cálculo de vesícula te desviar: na colangite aguda, quem cura é desobstruir o colédoco. Fixou a tríade, a pêntade e os três tempos da conduta — você resolve praticamente qualquer questão de colangite aguda do ENAMED.

material recomendado

Fichas Sindrômicas de Clínica Médica

O caderno visual que ensina o ENAMED por síndrome, em árvores de raciocínio ilustradas.

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Referências: Townsend et al. Sabiston Textbook of Surgery; Harrison — Medicina Interna; Tokyo Guidelines para colangite aguda (versão vigente). Conteúdo de revisão para fins didáticos.