
A adenosina é um nucleosídeo endógeno usado como antiarrítmico de ação ultracurta, sendo o fármaco de escolha para reverter a taquicardia supraventricular paroxística (TSVP) por reentrada nodal. Ela bloqueia temporariamente a condução pelo nó atrioventricular, interrompendo o circuito de reentrada. A meia-vida é de poucos segundos, o que torna seu efeito quase imediato e fugaz.
- Classe: antiarrítmico (nucleosídeo endógeno), ação no nó AV.
- Uso principal: reverter taquicardia supraventricular paroxística por reentrada nodal.
- Mecanismo: ativa receptor A1, abre canais de potássio e bloqueia o nó AV.
- Dose: 6 mg IV em bolus rápido; se não reverter, 12 mg; pode repetir 12 mg.
- Marca: meia-vida de segundos; sensação fugaz de “morte iminente” e flush.
O que é a adenosina e para que serve
A adenosina é um nucleosídeo natural presente em todas as células, formado por adenina ligada à ribose. No uso clínico, é empregada como antiarrítmico de ação ultracurta. Sua principal indicação é a reversão da taquicardia supraventricular paroxística, especialmente quando o mecanismo é a reentrada nodal atrioventricular ou a reentrada por via acessória que utiliza o nó AV. Por agir bloqueando o nó AV, ela quebra o circuito que sustenta a arritmia e devolve o ritmo sinusal.
Além do uso terapêutico, a adenosina tem papel diagnóstico: em taquicardias de QRS estreito de origem incerta, sua administração ajuda a desmascarar o ritmo de base. Ao bloquear o nó AV transitoriamente, revela ondas de flutter atrial ou fibrilação atrial que estavam encobertas. Também é usada como agente de estresse farmacológico em cintilografia miocárdica, por provocar vasodilatação coronariana, embora essa indicação seja menos cobrada nas provas básicas.
| SITUAÇÃO | PAPEL DA ADENOSINA |
|---|---|
| TSV paroxística estável | Fármaco de escolha após manobra vagal sem sucesso. |
| Taquicardia de QRS estreito indefinida | Uso diagnóstico para revelar o ritmo atrial de base. |
| Teste de estresse miocárdico | Vasodilatação coronariana em cintilografia. |

Mecanismo de ação da adenosina
A adenosina liga-se ao receptor A1 nas células do nó atrioventricular e do nó sinusal. A ativação desse receptor abre canais de potássio sensíveis à acetilcolina, hiperpolarizando a célula, e inibe a corrente de cálcio do tipo L. O resultado é a redução da velocidade de condução pelo nó AV e o aumento do período refratário nodal — exatamente o que interrompe o circuito de reentrada que sustenta a taquicardia supraventricular. Por instantes, a condução AV é bloqueada e o ritmo sinusal pode retomar o comando.
O grande diferencial farmacocinético é a meia-vida ultracurta, de menos de dez segundos: a adenosina é rapidamente captada pelas hemácias e degradada pela enzima adenosina-deaminase. Por isso, deve ser administrada em bolus IV rápido, seguido de flush de soro fisiológico, em veia o mais central possível, para que chegue ao coração antes de ser metabolizada. Essa cinética explica tanto a eficácia imediata quanto a brevidade dos efeitos colaterais.
A adenosina só reverte arritmias dependentes do nó AV. Ela não reverte fibrilação atrial nem flutter — nesses casos, apenas reduz a resposta ventricular e ajuda a expor as ondas atriais no ECG. Esse detalhe distingue questão certa de errada.
Posologia: dose e via da adenosina
A posologia da adenosina segue um esquema escalonado clássico. A primeira dose é de 6 mg em bolus intravenoso rápido (em 1 a 2 segundos), seguida imediatamente de flush de 20 mL de soro fisiológico e elevação do braço. Se a taquicardia não reverter em 1 a 2 minutos, administra-se 12 mg em bolus, dose que pode ser repetida mais uma vez. O paciente deve estar monitorizado, pois uma breve pausa sinusal ou bloqueio AV transitório é esperada durante a reversão.
| ETAPA | DOSE / VIA |
|---|---|
| 1ª dose | 6 mg IV em bolus rápido + flush de 20 mL de soro. |
| 2ª dose (se necessário) | 12 mg IV em bolus rápido após 1–2 min. |
| 3ª dose (opcional) | Novos 12 mg IV em bolus rápido. |
| Cuidado técnico | Veia proximal, bolus rápido e flush imediato. |
Contraindicações e cuidados
A adenosina é contraindicada em pacientes com bloqueio atrioventricular de segundo ou terceiro grau e na doença do nó sinusal, salvo se houver marca-passo. Deve ser evitada na asma brônquica e na doença pulmonar obstrutiva ativa, pois pode desencadear broncoespasmo. Pacientes em uso de dipiridamol têm efeito potencializado (reduzir a dose), enquanto a teofilina e a cafeína, por antagonizarem os receptores de adenosina, reduzem sua eficácia e podem exigir doses maiores.
Os efeitos colaterais da adenosina são intensos, porém fugazes, graças à meia-vida de segundos. O paciente costuma relatar rubor facial (flush), dor ou aperto torácico e uma sensação angustiante de morte iminente. No monitor, observa-se uma pausa sinusal breve antes do retorno do ritmo. Como esses sintomas duram apenas instantes, basta orientar o paciente previamente e manter monitorização. Raramente, pode ocorrer fibrilação atrial transitória após a dose.
| EFEITO | OBSERVAÇÃO |
|---|---|
| Rubor e dor torácica | Intensos mas durando poucos segundos. |
| Sensação de morte iminente | Avisar o paciente antes da injeção. |
| Broncoespasmo | Cautela em asma/DPOC. |
| Pausa sinusal transitória | Esperada; resolve em segundos. |
“ADENO bloqueia o NÓ, dura um SEGUNDO e o paciente sente MEDO”
Resume a essência da adenosina: bloqueio do nó AV, meia-vida ultracurta e a clássica sensação fugaz de morte iminente durante a aplicação.
Perguntas frequentes sobre adenosina
O que é adenosina?
Adenosina é um nucleosídeo endógeno usado como antiarrítmico de ação ultracurta. Ela ativa o receptor A1 no nó atrioventricular, bloqueando temporariamente a condução AV. Por isso, é o fármaco de escolha para reverter a taquicardia supraventricular paroxística por reentrada nodal. Sua meia-vida é de poucos segundos, tornando o efeito imediato e fugaz.
Qual a dose de adenosina na taquicardia supraventricular?
A primeira dose é 6 mg por via intravenosa em bolus rápido, seguida de flush de 20 mL de soro fisiológico. Se não houver reversão em 1 a 2 minutos, aplica-se 12 mg em bolus, dose que pode ser repetida uma vez. Sempre com o paciente monitorizado e em veia o mais proximal possível.
A adenosina reverte fibrilação atrial?
Não. A adenosina só interrompe arritmias que dependem do nó atrioventricular, como a taquicardia supraventricular por reentrada nodal. Na fibrilação atrial e no flutter, ela apenas reduz transitoriamente a resposta ventricular e ajuda a expor as ondas atriais no eletrocardiograma, servindo como recurso diagnóstico, não para reverter o ritmo.
- Manual de Farmacologia — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Amiodarona — antiarrítmico de classe III usado em arritmias ventriculares e atriais.
- Hidralazina — vasodilatador arterial direto na crise hipertensiva.
- Ritmo sinusal — o ritmo normal do coração ao eletrocardiograma.
Conclusão
A adenosina é um daqueles fármacos cujo entendimento do mecanismo resolve quase toda a prova: bloqueia o nó AV, reverte a reentrada nodal, tem meia-vida de segundos e provoca sintomas intensos porém fugazes. Lembrar que ela não reverte fibrilação nem flutter — só os expõe — e dominar o esquema 6-12-12 mg garante os pontos. É o protótipo do antiarrítmico de emergência na taquicardia supraventricular paroxística.
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