Adenosina — ilustração — Amo Resumos

Adenosina: para que serve, dose e efeitos

amoresumos.com Farmacologia Adenosina
Farmacologia Resumo
Adenosina — ilustração — Amo Resumos

A adenosina é um nucleosídeo endógeno usado como antiarrítmico de ação ultracurta, sendo o fármaco de escolha para reverter a taquicardia supraventricular paroxística (TSVP) por reentrada nodal. Ela bloqueia temporariamente a condução pelo nó atrioventricular, interrompendo o circuito de reentrada. A meia-vida é de poucos segundos, o que torna seu efeito quase imediato e fugaz.

resumo de 30 segundos
  • Classe: antiarrítmico (nucleosídeo endógeno), ação no nó AV.
  • Uso principal: reverter taquicardia supraventricular paroxística por reentrada nodal.
  • Mecanismo: ativa receptor A1, abre canais de potássio e bloqueia o nó AV.
  • Dose: 6 mg IV em bolus rápido; se não reverter, 12 mg; pode repetir 12 mg.
  • Marca: meia-vida de segundos; sensação fugaz de “morte iminente” e flush.

O que é a adenosina e para que serve

A adenosina é um nucleosídeo natural presente em todas as células, formado por adenina ligada à ribose. No uso clínico, é empregada como antiarrítmico de ação ultracurta. Sua principal indicação é a reversão da taquicardia supraventricular paroxística, especialmente quando o mecanismo é a reentrada nodal atrioventricular ou a reentrada por via acessória que utiliza o nó AV. Por agir bloqueando o nó AV, ela quebra o circuito que sustenta a arritmia e devolve o ritmo sinusal.

Além do uso terapêutico, a adenosina tem papel diagnóstico: em taquicardias de QRS estreito de origem incerta, sua administração ajuda a desmascarar o ritmo de base. Ao bloquear o nó AV transitoriamente, revela ondas de flutter atrial ou fibrilação atrial que estavam encobertas. Também é usada como agente de estresse farmacológico em cintilografia miocárdica, por provocar vasodilatação coronariana, embora essa indicação seja menos cobrada nas provas básicas.

indicações da adenosina
SITUAÇÃO PAPEL DA ADENOSINA
TSV paroxística estávelFármaco de escolha após manobra vagal sem sucesso.
Taquicardia de QRS estreito indefinidaUso diagnóstico para revelar o ritmo atrial de base.
Teste de estresse miocárdicoVasodilatação coronariana em cintilografia.
Adenosina — ilustração — Amo Resumos
Ilustração de Adenosina.

Mecanismo de ação da adenosina

A adenosina liga-se ao receptor A1 nas células do nó atrioventricular e do nó sinusal. A ativação desse receptor abre canais de potássio sensíveis à acetilcolina, hiperpolarizando a célula, e inibe a corrente de cálcio do tipo L. O resultado é a redução da velocidade de condução pelo nó AV e o aumento do período refratário nodal — exatamente o que interrompe o circuito de reentrada que sustenta a taquicardia supraventricular. Por instantes, a condução AV é bloqueada e o ritmo sinusal pode retomar o comando.

O grande diferencial farmacocinético é a meia-vida ultracurta, de menos de dez segundos: a adenosina é rapidamente captada pelas hemácias e degradada pela enzima adenosina-deaminase. Por isso, deve ser administrada em bolus IV rápido, seguido de flush de soro fisiológico, em veia o mais central possível, para que chegue ao coração antes de ser metabolizada. Essa cinética explica tanto a eficácia imediata quanto a brevidade dos efeitos colaterais.

💡 pérola de prova

A adenosina só reverte arritmias dependentes do nó AV. Ela não reverte fibrilação atrial nem flutter — nesses casos, apenas reduz a resposta ventricular e ajuda a expor as ondas atriais no ECG. Esse detalhe distingue questão certa de errada.

Posologia: dose e via da adenosina

A posologia da adenosina segue um esquema escalonado clássico. A primeira dose é de 6 mg em bolus intravenoso rápido (em 1 a 2 segundos), seguida imediatamente de flush de 20 mL de soro fisiológico e elevação do braço. Se a taquicardia não reverter em 1 a 2 minutos, administra-se 12 mg em bolus, dose que pode ser repetida mais uma vez. O paciente deve estar monitorizado, pois uma breve pausa sinusal ou bloqueio AV transitório é esperada durante a reversão.

posologia da adenosina
ETAPA DOSE / VIA
1ª dose6 mg IV em bolus rápido + flush de 20 mL de soro.
2ª dose (se necessário)12 mg IV em bolus rápido após 1–2 min.
3ª dose (opcional)Novos 12 mg IV em bolus rápido.
Cuidado técnicoVeia proximal, bolus rápido e flush imediato.

Contraindicações e cuidados

A adenosina é contraindicada em pacientes com bloqueio atrioventricular de segundo ou terceiro grau e na doença do nó sinusal, salvo se houver marca-passo. Deve ser evitada na asma brônquica e na doença pulmonar obstrutiva ativa, pois pode desencadear broncoespasmo. Pacientes em uso de dipiridamol têm efeito potencializado (reduzir a dose), enquanto a teofilina e a cafeína, por antagonizarem os receptores de adenosina, reduzem sua eficácia e podem exigir doses maiores.

Os efeitos colaterais da adenosina são intensos, porém fugazes, graças à meia-vida de segundos. O paciente costuma relatar rubor facial (flush), dor ou aperto torácico e uma sensação angustiante de morte iminente. No monitor, observa-se uma pausa sinusal breve antes do retorno do ritmo. Como esses sintomas duram apenas instantes, basta orientar o paciente previamente e manter monitorização. Raramente, pode ocorrer fibrilação atrial transitória após a dose.

efeitos adversos da adenosina
EFEITO OBSERVAÇÃO
Rubor e dor torácicaIntensos mas durando poucos segundos.
Sensação de morte iminenteAvisar o paciente antes da injeção.
BroncoespasmoCautela em asma/DPOC.
Pausa sinusal transitóriaEsperada; resolve em segundos.

“ADENO bloqueia o NÓ, dura um SEGUNDO e o paciente sente MEDO”

Resume a essência da adenosina: bloqueio do nó AV, meia-vida ultracurta e a clássica sensação fugaz de morte iminente durante a aplicação.

Perguntas frequentes sobre adenosina

Perguntas frequentes

O que é adenosina?

Adenosina é um nucleosídeo endógeno usado como antiarrítmico de ação ultracurta. Ela ativa o receptor A1 no nó atrioventricular, bloqueando temporariamente a condução AV. Por isso, é o fármaco de escolha para reverter a taquicardia supraventricular paroxística por reentrada nodal. Sua meia-vida é de poucos segundos, tornando o efeito imediato e fugaz.

Qual a dose de adenosina na taquicardia supraventricular?

A primeira dose é 6 mg por via intravenosa em bolus rápido, seguida de flush de 20 mL de soro fisiológico. Se não houver reversão em 1 a 2 minutos, aplica-se 12 mg em bolus, dose que pode ser repetida uma vez. Sempre com o paciente monitorizado e em veia o mais proximal possível.

A adenosina reverte fibrilação atrial?

Não. A adenosina só interrompe arritmias que dependem do nó atrioventricular, como a taquicardia supraventricular por reentrada nodal. Na fibrilação atrial e no flutter, ela apenas reduz transitoriamente a resposta ventricular e ajuda a expor as ondas atriais no eletrocardiograma, servindo como recurso diagnóstico, não para reverter o ritmo.

Leia também
  • Manual de Farmacologia — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
  • Amiodarona — antiarrítmico de classe III usado em arritmias ventriculares e atriais.
  • Hidralazina — vasodilatador arterial direto na crise hipertensiva.
  • Ritmo sinusal — o ritmo normal do coração ao eletrocardiograma.

Conclusão

A adenosina é um daqueles fármacos cujo entendimento do mecanismo resolve quase toda a prova: bloqueia o nó AV, reverte a reentrada nodal, tem meia-vida de segundos e provoca sintomas intensos porém fugazes. Lembrar que ela não reverte fibrilação nem flutter — só os expõe — e dominar o esquema 6-12-12 mg garante os pontos. É o protótipo do antiarrítmico de emergência na taquicardia supraventricular paroxística.

Para fixar, treine questões no MedCaju, com explicação do conceito ao caso clínico.

MedCaju · plataforma de questões

Pratique questões de medicina

Teoria você estuda aqui — questão você treina no MedCaju.

Acessar MedCaju →
Fontes consultadas: Goodman & Gilman e Katzung — Farmacologia; bulário/Anvisa. Conteúdo revisado para fins didáticos.