
A paresia é a redução parcial da força muscular, ou seja, o paciente ainda consegue mover o segmento acometido, mas com força diminuída. É fundamental distinguir paresia de plegia (ou paralisia), que significa a perda total da força — a ausência completa de movimento voluntário. Reconhecer e graduar corretamente uma paresia é uma das habilidades semiológicas mais cobradas em provas de neurologia, porque a partir do padrão da fraqueza o examinador consegue localizar a lesão.
Avaliar uma paresia exige método: definir a distribuição da fraqueza, graduar a força em uma escala objetiva e classificar se o problema vem do neurônio motor superior ou do neurônio motor inferior. Neste resumo de paresia, você vai revisar a escala de força muscular, a comparação entre lesão central e periférica, as principais causas e a sequência prática de avaliação clínica, sempre com o olhar voltado para a topografia da lesão.
- Paresia = redução parcial da força; plegia/paralisia = perda total.
- Nomenclatura pela distribuição: monoparesia (1 membro), hemiparesia (dimídio), paraparesia (membros inferiores), tetraparesia (4 membros).
- Graduação pela escala MRC de 0 (sem contração) a 5 (força normal).
- Neurônio motor superior (NMS): espástica, hiperreflexia, Babinski presente, sem atrofia importante.
- Neurônio motor inferior (NMI): flácida, hiporreflexia, atrofia e fasciculações.
- Topografia define o exame: neuroimagem (central) ou eletroneuromiografia (periférico).
O que é paresia
A paresia é definida como diminuição parcial da força muscular voluntária. O paciente consegue contrair o músculo e gerar movimento, porém com intensidade inferior à esperada. Quando a força está completamente abolida, não havendo qualquer movimento voluntário, o termo correto passa a ser plegia (ou paralisia). Assim, a diferença entre paresia e plegia é quantitativa: paresia é fraqueza parcial; plegia é fraqueza total.
A nomenclatura da fraqueza é definida pela sua distribuição topográfica, e os sufixos seguem a mesma lógica para paresia e plegia. Monoparesia indica fraqueza de um único membro; hemiparesia, de um dimídio (braço e perna do mesmo lado); paraparesia, dos dois membros inferiores; e tetraparesia (ou quadriparesia), dos quatro membros. Trocando o sufixo para “-plegia”, descrevemos a perda total na mesma distribuição (monoplegia, hemiplegia, paraplegia, tetraplegia). Identificar esse padrão é o primeiro passo do raciocínio localizatório.
Escala de força muscular (0 a 5)
A graduação objetiva da força é feita pela escala do Medical Research Council (MRC), que vai de 0 a 5. Ela permite documentar a evolução da paresia e comparar achados entre examinadores. A força deve ser testada grupo a grupo, sempre comparando os dois lados.
| GRAU | ACHADO |
|---|---|
| 0 | Nenhuma contração muscular visível ou palpável. |
| 1 | Esboço de contração (visível/palpável), sem movimento da articulação. |
| 2 | Movimento ativo possível, mas apenas com eliminação da gravidade. |
| 3 | Movimento ativo contra a gravidade, mas não contra resistência. |
| 4 | Movimento ativo contra a gravidade e contra alguma resistência (força reduzida). |
| 5 | Força normal, vence resistência plena do examinador. |
Na prática, qualquer grau entre 1 e 4 caracteriza paresia, enquanto o grau 0 corresponde à plegia. O grau 4 costuma ser subdividido em 4-, 4 e 4+ conforme a resistência vencida. Documente sempre o grupo muscular e o lado: “paresia braquial direita grau 3”, por exemplo.

Paresia por neurônio motor superior x inferior
A síndrome do neurônio motor superior (NMS) decorre de lesão acima do corno anterior da medula (córtex, cápsula interna, tronco, trato corticospinal). Já a síndrome do neurônio motor inferior (NMI) decorre de lesão do corno anterior, raiz, plexo ou nervo periférico. Diferenciar as duas é o ponto-chave para localizar a paresia.
| ACHADO | NEURÔNIO MOTOR SUPERIOR | NEURÔNIO MOTOR INFERIOR |
|---|---|---|
| Tônus | Aumentado (espasticidade) | Diminuído (flacidez) |
| Reflexos profundos | Exaltados (hiperreflexia) | Diminuídos/abolidos (hiporreflexia) |
| Atrofia muscular | Ausente ou tardia (por desuso) | Precoce e acentuada |
| Fasciculações | Ausentes | Presentes |
| Sinal de Babinski | Presente (resposta extensora) | Ausente (resposta flexora normal) |
| Distribuição | Ampla, por grupos (ex.: hemiparesia) | Por raiz, nervo ou músculo específico |
Causas de paresia
As causas de paresia se dividem em centrais (lesões do sistema nervoso central, padrão de NMS) e periféricas (do corno anterior até o músculo, padrão de NMI ou muscular). A topografia da fraqueza e os achados de exame orientam para um dos grupos.
| TOPOGRAFIA | EXEMPLOS |
|---|---|
| Central — encéfalo | AVC isquêmico/hemorrágico, tumores, esclerose múltipla, traumatismo cranioencefálico. |
| Central — medula | Lesão medular traumática, mielite, compressão medular tumoral, esclerose lateral amiotrófica (acomete NMS e NMI). |
| Periférica — raiz | Radiculopatia (hérnia de disco com compressão radicular). |
| Periférica — nervo | Neuropatias periféricas (diabética, alcoólica), síndrome de Guillain-Barré, mononeuropatias compressivas. |
| Junção neuromuscular | Miastenia gravis (fraqueza flutuante e fatigável), síndrome de Eaton-Lambert. |
| Músculo | Miopatias e miosites (fraqueza proximal e simétrica), distrofias musculares. |
Como avaliar e diagnóstico
A avaliação começa pela anamnese: tempo de instalação (súbita sugere AVC; subaguda/ascendente sugere Guillain-Barré; flutuante sugere miastenia), distribuição (focal x difusa, proximal x distal) e sintomas associados (dor, alteração de sensibilidade, disfagia, diplopia). O exame físico deve sistematizar:
- Força: testar grupos musculares proximais e distais dos quatro membros, graduando pela escala MRC e comparando os lados.
- Reflexos: pesquisar reflexos profundos (hiper na NMS, hipo na NMI) e o sinal de Babinski.
- Tônus e trofismo: avaliar espasticidade x flacidez, atrofia e presença de fasciculações.
- Sensibilidade: mapear nível sensitivo (sugere lesão medular) ou padrão em bota/luva (sugere polineuropatia).
A investigação complementar é guiada pela topografia. Quando o quadro aponta para causa central (NMS), a neuroimagem — tomografia ou ressonância de crânio e/ou de coluna — é o exame inicial, especialmente diante de paresia súbita. Quando o padrão é periférico (NMI), a eletroneuromiografia localiza a lesão (nervo, raiz, junção ou músculo) e diferencia processos axonais de desmielinizantes; exames laboratoriais (CPK na suspeita de miopatia, anticorpos anti-receptor de acetilcolina na miastenia) e líquor (Guillain-Barré) complementam conforme a hipótese.
Atenção aos sinais de alarme: paresia de instalação súbita, déficit progressivo ascendente, nível sensitivo medular com retenção urinária ou comprometimento respiratório indicam emergência neurológica e exigem avaliação imediata.
Lesão do neurônio motor superior = paresia espástica, com hiperreflexia e Babinski presente, sem atrofia importante. Lesão do neurônio motor inferior = paresia flácida, com hiporreflexia, atrofia precoce e fasciculações. Esse contraste é a chave para localizar a lesão na prova.
“SUPERIOR ESPETA, INFERIOR AMOLECE”
Neurônio motor SUPERIOR → “eSpeta” = eSpástico, hiperreflexia, Babinski. Neurônio motor INFERIOR → “amolece” = flácido, hiporreflexia, atrofia e fasciculações. Para a distribuição, lembre “MO-HE-PA-TE”: MOno, HEmi, PAra, TEtra (1 membro → dimídio → MMII → 4 membros).
- Manual de Semiologia Neurológica — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Hemiparesia: causas, diagnóstico e tratamento — a paresia de um dimídio em detalhe
- Ataxia: tipos, causas e diagnóstico — outro sinal neurológico topográfico
- Paresia: conceito, causas e avaliação — aprofunde o conceito de fraqueza muscular
Perguntas frequentes sobre Paresia
O que é paresia?
Paresia é a redução parcial da força muscular voluntária: o paciente ainda consegue mover o segmento acometido, mas com força diminuída. Difere da plegia ou paralisia, que é a perda total da força, sem qualquer movimento voluntário. Reconhecer e graduar a paresia ajuda a localizar a lesão no sistema nervoso.
Qual a diferença entre paresia por neurônio motor superior e inferior?
Na lesão do neurônio motor superior a paresia é espástica, com tônus aumentado, hiperreflexia, sinal de Babinski presente e atrofia ausente ou tardia. Na lesão do neurônio motor inferior a paresia é flácida, com hiporreflexia, atrofia precoce e fasciculações. Esse contraste é a chave para localizar a lesão.
Como avaliar e investigar uma paresia?
A avaliação começa pela anamnese (tempo de instalação, distribuição, sintomas associados) e pelo exame de força, reflexos, tônus, trofismo e sensibilidade. A força é graduada pela escala MRC, de 0 a 5. Causas centrais pedem neuroimagem (tomografia ou ressonância); causas periféricas, eletroneuromiografia, conforme a topografia da lesão.
Conclusão
A paresia é um sinal que pede raciocínio topográfico: começa por reconhecer que se trata de fraqueza parcial (e não plegia), segue pela classificação da distribuição (mono, hemi, para ou tetra), pela graduação objetiva na escala MRC e, sobretudo, pela definição entre neurônio motor superior e inferior. Esse trajeto leva diretamente à hipótese diagnóstica e ao exame correto — neuroimagem nas causas centrais, eletroneuromiografia nas periféricas. Dominar esse esquema resolve grande parte das questões de neurologia.
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