Plexo Braquial — ilustração hand-drawn — Amo Resumos

Plexo braquial: raízes, troncos e os nervos terminais

O plexo braquial tem fama de pesadelo: cinco raízes que viram troncos, que viram divisões, que viram fascículos, que viram nervos — e no meio disso tudo você ainda precisa saber qual lesão dá “mão em gorjeta” e qual dá “mão em garra”. Mas a verdade é que, depois que você entende a lógica da organização em níveis, o plexo deixa de ser decoreba e vira um mapa. Quem decora nome solto se perde; quem segue a sequência resolve.

resumo de 30 segundos
  • Origem: raízes ventrais de C5, C6, C7, C8 e T1.
  • Ordem dos 5 níveis: Raízes → Troncos → Divisões → Fascículos → Ramos (nervos terminais).
  • 3 troncos: superior (C5-C6), médio (C7), inferior (C8-T1).
  • 3 fascículos nomeados pela posição em relação à artéria axilar: lateral, posterior, medial.
  • 5 nervos terminais: musculocutâneo, axilar, radial, mediano e ulnar.
  • Erb-Duchenne (tronco superior) = mão em gorjeta · Klumpke (tronco inferior) = mão em garra.

Por que o plexo braquial assusta (e não precisa)

O medo vem de tentar memorizar o plexo como uma lista de nomes desconexos. O segredo é enxergá-lo como uma linha de produção: as fibras nervosas entram cruas pelas raízes e vão sendo reagrupadas em cada estação até saírem como nervos prontos para a função. São sempre os mesmos 5 níveis, na mesma ordem, do pescoço até a axila.

Depois que você fixa essa sequência, dois ganhos aparecem: você entende de onde vem cada nervo terminal e consegue prever o que se perde quando um nível é lesado. Lesão alta (perto das raízes/troncos) afeta grupos musculares amplos; lesão distal (nervo terminal) afeta um território específico. É essa lógica que a prova cobra — não o nome decorado.

Organização do plexo braquial: raízes, troncos, divisões, fascículos e nervos — hand-drawn
A ordem do plexo braquial: Raízes → Troncos → Divisões → Fascículos → Ramos (nervos terminais) — o mnemônico ‘Reais Texanos Domam Frios Rios’.

A organização: 5 níveis em ordem

Siga as fibras do pescoço até a axila. Cada nível tem uma função de reagrupamento. Decore esta sequência primeiro — todo o resto pendura aqui:

do pescoço até a axila
NÍVEL COMPONENTES O QUE ACONTECE AQUI
1. RaízesC5, C6, C7, C8, T1 (ramos ventrais)As fibras entram cruas, vindas da medula cervical baixa.
2. TroncosSuperior (C5-C6), Médio (C7), Inferior (C8-T1)As raízes se agrupam em 3 troncos no triângulo cervical posterior.
3. DivisõesAnteriores e posteriores (2 por tronco)Cada tronco se divide; as anteriores servem flexores, as posteriores extensores.
4. FascículosLateral, Posterior, MedialAs divisões se recombinam; nomeados pela posição em relação à artéria axilar.
5. RamosNervos terminais (musculocutâneo, axilar, radial, mediano, ulnar)Os fascículos dão origem aos 5 nervos que vão para o membro.

Os 5 nervos terminais

No fim da linha de produção saem cinco nervos. Cada um carrega uma função motora-chave e um território de sensibilidade. Saber “o que cada um faz” é o que mais cai — e o que permite localizar a lesão pela clínica:

função motora e sensibilidade
NERVO FUNÇÃO MOTORA SENSIBILIDADE
MusculocutâneoFlexão do braço (bíceps braquial)Antebraço lateral
AxilarAbdução do braço (deltoide)Pele sobre o ombro (“dragona”)
RadialExtensão do punho e dos dedosDorso da mão (lateral)
MedianoFlexão e pronação; musculatura tenarPalma e 3 primeiros dedos e meio
UlnarMúsculos intrínsecos da mãoBorda medial da mão (5º dedo)
Esquema — Plexo Braquial
O esquema em um olhar.
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As lesões clássicas

Duas lesões dominam as provas, e ambas batem nos troncos — uma no superior, outra no inferior. A pista está sempre no mecanismo e na posição da mão:

erb-duchenne × klumpke
SINAL ERB-DUCHENNE KLUMPKE
Nível lesadoTronco SUPERIOR (C5-C6)Tronco INFERIOR (C8-T1)
Postura típica“Mão em gorjeta de garçom”: braço aduzido e rodado medialmente“Mão em garra”: hiperextensão das metacarpofalângicas e flexão das interfalângicas
Mecanismo clássicoTração que afasta cabeça e ombro (parto, queda sobre o ombro)Tração com o braço em abdução máxima (puxão para cima)
Achado associadoPerda de abdução do ombro e flexão do cotoveloPode cursar com síndrome de Horner (envolvimento de T1)
★ mnemônico — a ordem dos 5 níveis

“Reais Texanos Domam Frios Rios”

Raízes · Troncos · Divisões · Fascículos · Ramos. Sempre nessa sequência, do pescoço (raízes) até a axila (ramos terminais).

Pérola de prova e a armadilha clássica

💡 pérola de prova

O fascículo posterior é o pai dos dois nervos da “parte de trás” do membro: dá origem ao nervo axilar e ao nervo radial. Faz sentido — as divisões posteriores se reúnem nesse fascículo para inervar a musculatura extensora e abdutora (deltoide pelo axilar; extensores pelo radial).

⚠️ armadilha

Não troque Erb por Klumpke. Erb-Duchenne é o tronco superior (C5-C6) → mão em gorjeta de garçom. Klumpke é o tronco inferior (C8-T1) → mão em garra (e possível Horner). Lembre: lesão de cima mexe no ombro/braço; lesão de baixo mexe na mão.

O que levar para a prova

Não decore o plexo como uma lista. Fixe a sequência dos 5 níveis (Reais Texanos Domam Frios Rios), saiba o que cada um dos 5 nervos terminais faz e amarre as duas lesões clássicas pelo tronco que atingem. Com esse mapa, qualquer questão de plexo braquial vira localização: o examinador descreve um déficit, e você caminha pela linha de produção até achar onde a fibra se perdeu.

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Referências: Moore KL et al. — Anatomia Orientada para a Clínica (versão vigente). Netter FH — Atlas de Anatomia Humana (versão vigente). Conteúdo de revisão para fins didáticos.