Os três grandes nervos do membro superior — radial, ulnar e mediano — caem em prova quase sempre da mesma forma: te mostram uma deformidade da mão e perguntam qual nervo foi lesado e onde. Quem decora a inervação solta se perde; quem domina a tríade motor → sensitivo → deformidade de cada nervo responde em segundos.
- RADIAL = mão caída (punho caído). Faz a extensão do punho e dos dedos.
- ULNAR = mão em garra (4º e 5º dedos). Comanda os músculos intrínsecos da mão.
- MEDIANO = mão do pregador (da bênção). Faz a flexão e a oponência do polegar (tenar).
- Síndrome do túnel do carpo = compressão do mediano no punho (parestesia dos 3 primeiros dedos, pior à noite).
- Para cada nervo, pense em três coisas: o que ele move, o que ele sente e qual deformidade sua lesão gera.
A regra: motor, sensitivo e a deformidade
Não existe pegadinha quando você fixa a lógica. Cada nervo tem um território motor (os músculos que ele comanda), um território sensitivo (a região da pele que ele “sente”) e uma deformidade característica que aparece quando ele falha. A deformidade é sempre a consequência direta da perda motora: o nervo para de mover certos músculos, e a mão assume a posição dos músculos que sobraram funcionando.
O atalho mental: o radial é o nervo da extensão (levantar o punho e os dedos); quando ele cai, a mão “cai”. O mediano é o nervo da flexão e da pinça (fechar a mão e opor o polegar); quando ele falha, a mão não consegue fechar direito. O ulnar comanda os músculos finos intrínsecos da mão; quando ele falha, os dedos ficam “em garra”.

Os 3 nervos lado a lado
A forma mais rápida de gravar é comparar os três no mesmo quadro. Veja o que cada um move, o que sente e a deformidade que denuncia sua lesão:
| NERVO | MOTOR (move) | SENSITIVO (sente) | DEFORMIDADE |
|---|---|---|---|
| Radial | Extensores do punho e dos dedos | Dorso da mão e tabaqueira anatômica | Mão caída (punho caído) |
| Ulnar | Músculos intrínsecos (interósseos) e flexor ulnar do carpo | Borda medial: 5º e metade do 4º dedo | Mão em garra (4º e 5º dedos) |
| Mediano | Flexores, pronadores e eminência tenar | Palmar lateral: 1º ao 3º e metade do 4º dedo | Mão do pregador (da bênção) |
Onde cada um costuma lesar
A prova adora ligar a deformidade a um local anatômico de lesão — geralmente uma fratura ou um ponto de compressão. Cada nervo tem seus “pontos fracos” clássicos onde passa colado ao osso ou atravessa um túnel apertado:
| NERVO | ONDE COSTUMA LESAR | GATILHO NA QUESTÃO |
|---|---|---|
| Radial | Diáfise do úmero (sulco do nervo radial) | Fratura do meio do braço evoluindo com punho caído |
| Ulnar | Epicôndilo medial do cotovelo ou canal de Guyon (punho) | Trauma do “osso engraçado” do cotovelo + garra do 4º/5º dedo |
| Mediano | Túnel do carpo (punho); também no cotovelo | Parestesia dos 3 primeiros dedos que piora à noite |

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Testes rápidos à beira-leito
Você não precisa de eletroneuromiografia para suspeitar de qual nervo está comprometido. Alguns testes simples de movimento isolam cada nervo. Peça ao paciente um gesto específico e veja qual ele não consegue fazer:
| NERVO | PEÇA AO PACIENTE | SE LESADO |
|---|---|---|
| Radial | Estender o punho e os dedos (“sinal do joinhão” / hiperextensão) | Não levanta o punho → mão caída |
| Ulnar | Afastar/aproximar os dedos; segurar papel entre polegar e indicador | Não abduz os dedos; sinal de Froment positivo |
| Mediano | Fechar a mão e opor o polegar; percutir/fletir o punho | Não fecha 2º/3º dedo (bênção); Tinel e Phalen + |
“Radial = caída · Ulnar = garra · Mediano = pregador”
Três nervos, três deformidades. Radial derruba o punho (perde a extensão), ulnar faz a garra do 4º/5º dedo (perde os intrínsecos), mediano faz a mão da bênção (não fecha os primeiros dedos). Decore a tríade e a prova vira eliminação.
Pérola de prova e a armadilha clássica
A síndrome do túnel do carpo é o nervo mediano comprimido no punho. O quadro clássico é parestesia/formigamento dos 3 primeiros dedos (e metade do 4º) que piora à noite e acorda o paciente. Confirma-se com Tinel (percussão do punho) e Phalen (flexão forçada do punho) positivos. Se a questão fala em formigamento noturno do polegar/indicador/médio, pense mediano.
Contra a intuição, a garra ulnar piora quando a lesão é mais DISTAL (no punho/canal de Guyon) do que quando é proximal (no cotovelo). Isso é o paradoxo ulnar: na lesão alta, o flexor profundo dos dedos também é poupado/afetado de forma diferente, e a garra fica menos evidente. Lesão mais perto da mão = garra mais feia.
O que levar para a prova
Não decore a inervação músculo por músculo. Decore, para cada nervo, a tríade motor → sensitivo → deformidade e o local clássico de lesão. Radial cai com a fratura da diáfise do úmero e dá mão caída; ulnar lesa no cotovelo ou no canal de Guyon e dá mão em garra; mediano sofre no túnel do carpo e dá mão do pregador com parestesia noturna dos 3 primeiros dedos. Com esse mapa, qualquer questão de nervo do membro superior vira um exercício de eliminação.
Manual de Anatomia Ilustrada
Os nervos, plexos e relações anatômicas que mais caem na prova, em ilustrações limpas e diretas. Cada estrutura ligada à sua função e à deformidade clínica — exatamente do jeito que a prova cobra.



