Macrolídeos, quinolonas e aminoglicosídeos: quando usar cada um — Amo Resumos

Macrolídeos, quinolonas e aminoglicosídeos: quando usar cada um

Os macrolídeos são a resposta certa em muito mais questão do que você imagina, e entender quando eles brilham (e quando falham) separa quem acerta de quem chuta. Antes mesmo de decorar dose, o segredo é raciocinar por classe: macrolídeos, quinolonas e aminoglicosídeos ocupam nichos clínicos distintos, e a banca adora justamente o cruzamento entre espectro, mecanismo e efeito adverso. Este é um dos temas mais recorrentes de farmacologia no ENAMED.

Neste post você vai fixar o essencial das três classes com foco em raciocínio de prova: quem cobre atípicos, quem cobre Pseudomonas, quem exige cuidado renal e por que a quinolona nunca deve ser banalizada. No fim, um mnemônico, a pérola e a armadilha clássica que a banca esconde na alternativa mais bonita.

resumo de 30 segundos
  • Macrolídeos (azitro, claritro, eritro): inibem a subunidade 50S, bacteriostáticos, cobrem atípicos (Mycoplasma, Chlamydia, Legionella) e coqueluche. Cuidado: prolongam QT e inibem CYP.
  • Quinolonas: inibem DNA-girase/topoisomerase, bactericidas. Cipro = Gram−/Pseudomonas/ITU; levo e moxi = respiratórias/pneumococo.
  • Aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina): inibem a subunidade 30S, bactericidas concentração-dependentes, para Gram− graves e sinergia com betalactâmico.
  • Efeitos que caem em prova: quinolona → tendinopatia e QT; aminoglicosídeo → nefro e ototoxicidade.
  • Pérola: levo/moxi cobrem pneumococo; cipro NÃO.

O caso que resume tudo

Homem de 34 anos, tosse seca há 10 dias, febre baixa, radiografia com infiltrado intersticial que “parece pior do que o paciente”. Esse quadro de pneumonia atípica é o cartão de visita dessa classe de antibióticos: o agente provável (Mycoplasma pneumoniae) não tem parede celular clássica bem definida e vive dentro da célula, então betalactâmico não resolve. É aqui que o raciocínio por espectro vale mais do que qualquer decoreba isolada de dose. Se você quer treinar esse tipo de raciocínio com questões comentadas, vale reforçar com os Materiais de Farmacologia do Amo Resumos.

Antibióticos orais e injetáveis: comprimidos, cápsulas e frasco-ampola — ilustração Amo Resumos
Depois dos betalactâmicos, três classes resolvem a maioria dos casos — cada uma com seu alvo e sua armadilha.

Troque o cenário: agora é uma mulher com infecção urinária complicada, suspeita de Pseudomonas. Macrolídeo não entra nessa história — o candidato natural é a ciprofloxacino. E se o paciente estiver séptico por Gram− grave em UTI, entra o aminoglicosídeo em sinergia com um betalactâmico. Três casos, três classes. A banca só muda o disfarce.

Macrolídeos: os reis dos atípicos

Os macrolídeos se ligam à subunidade ribossomal 50S e bloqueiam a translocação da cadeia peptídica, resultando em ação predominantemente bacteriostática. O trio clássico — azitromicina, claritromicina e eritromicina — cobre germes atípicos (Mycoplasma, Chlamydia/Chlamydophila, Legionella), sendo peça-chave na pneumonia adquirida na comunidade e na coqueluche (Bordetella pertussis). A azitromicina tem meia-vida longa e permite esquemas curtos; a claritromicina entra em esquemas de H. pylori.

Os dois cuidados que a prova cobra: essa classe prolonga o intervalo QT (risco de arritmia, atenção em quem já usa outros drogas QT-prolongadoras) e são inibidores da enzima CYP3A4 (claritro e eritro mais que azitro), gerando interações relevantes com estatinas, varfarina e outros. Esse detalhe de interação farmacocinética é o que transforma uma questão “fácil” de espectro em uma pegadinha de segurança.

Vale lembrar ainda que a eritromicina, a mais antiga da classe, tem efeito procinético no trato gastrointestinal (age em receptores de motilina) e por isso causa muitos sintomas digestivos, sendo pouco tolerada em uso prolongado. A azitromicina, por outro lado, concentra-se bem nos tecidos e permite tratamentos curtos, como o esquema de dose única em algumas clamídias genitais. Guardar essas diferenças internas ajuda quando a questão pede a melhor opção dentro da própria classe, não apenas entre classes distintas.

Quinolonas: potência que exige respeito

As quinolonas (fluoroquinolonas) inibem a DNA-girase e a topoisomerase IV, impedindo a replicação bacteriana, com ação bactericida. O ponto central de prova é a divisão de espectro por geração:

A ciprofloxacino é forte contra Gram−, cobre Pseudomonas aeruginosa e é escolha em muitas infecções urinárias e intestinais — mas tem cobertura fraca de pneumococo. Já levofloxacino e moxifloxacino são as chamadas quinolonas “respiratórias”, pois cobrem Streptococcus pneumoniae e são úteis em pneumonia. Confundir esses papéis é o erro mais comum, e a banca explora isso ao colocar um caso respiratório com ciprofloxacino como distrator elegante na alternativa.

quinolonas — quem cobre o quê
DROGA PONTO FORTE PNEUMOCOCO? USO TÍPICO
Ciprofloxacino Gram−, Pseudomonas Fraco / não ITU, gastrointestinal
Levofloxacino Respiratório amplo Sim Pneumonia (PAC)
Moxifloxacino Respiratório + anaeróbios Sim Pneumonia, intra-abdominal

O preço da potência: as quinolonas têm efeitos adversos sérios. A tendinopatia com risco de ruptura de tendão (especialmente o tendão de Aquiles, mais em idosos e usuários de corticoide) é o clássico de prova. Some-se a isso o prolongamento do QT, a disglicemia (hipo e hiperglicemia), a associação com neuropatia periférica e o efeito na cartilagem em crescimento — motivo pelo qual, em regra, devem ser evitadas em crianças e gestantes. E há a resistência crescente, que restringe cada vez mais o uso empírico banal.

Aminoglicosídeos: força para Gram− graves

Os aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina, tobramicina) ligam-se à subunidade 30S, causam leitura errada do código genético e são bactericidas concentração-dependentes — quanto maior o pico, maior a morte bacteriana, o que fundamenta o esquema de dose única diária. Cobrem Gram− aeróbios graves e fazem sinergia com betalactâmicos (o betalactâmico rompe a parede, o aminoglicosídeo entra melhor). Não têm ação em anaeróbios e precisam de oxigênio para o transporte intracelular.

Um detalhe cobrado é a relação entre efeito e concentração: por serem concentração-dependentes e apresentarem efeito pós-antibiótico prolongado, a dose única diária maximiza o pico plasmático (aumentando a morte bacteriana) e reduz o risco de toxicidade renal em comparação com múltiplas doses menores. É um raciocínio farmacocinético que a banca gosta de transformar em alternativa.

A toxicidade é o coração da questão: nefrotoxicidade (geralmente reversível, dose-dependente) e ototoxicidade (coclear e vestibular, potencialmente irreversível). Em doses altas ou em contexto anestésico, podem causar bloqueio neuromuscular. Por isso, monitorização de função renal é obrigatória.

as 3 classes — mapa de prova
CLASSE ALVO INDICAÇÃO-CHAVE EFEITO ADVERSO
Macrolídeos 50S (bacteriostático) Atípicos, coqueluche QT longo, inibe CYP
Quinolonas DNA-girase / topoisomerase (bactericida) ITU, PAC (levo/moxi) Tendinopatia, QT, disglicemia
Aminoglicosídeos 30S (bactericida conc.-dep.) Gram− graves + sinergia Nefro e ototoxicidade
★ mnemônico

“50 anda de moto, 30 mói o Gram−, e a girada é bactericida”

50S = MOto (MOycoplasma, germes atípicos); 30S = aminoglicosídeos (mói Gram− graves); “girada” = quinolonas mexem na DNA-girase e são bactericidas.

💡 pérola de prova

Levofloxacino e moxifloxacino cobrem pneumococo (quinolonas respiratórias) — por isso entram em pneumonia. Ciprofloxacino NÃO tem boa cobertura de pneumococo: seu forte é Gram− e Pseudomonas. Se a questão fala em PAC e coloca “cipro” como resposta, desconfie.

⚠️ armadilha

Banalizar a quinolona. A banca gosta de oferecê-la como escolha empírica cômoda e cobrar você lembrar dos riscos: tendinopatia/ruptura de tendão, prolongamento do QT, disglicemia, contraindicação relativa em crianças e gestantes e resistência crescente. Quinolona não é antibiótico “de rotina”.

O que levar para a prova

Raciocine sempre por três eixos: mecanismo, espectro e toxicidade. Os macrolídeos são a chave dos atípicos e da coqueluche, mas lembre do QT e das interações via CYP. As quinolonas são potentes e bactericidas, com cipro voltada a Gram−/Pseudomonas e levo/moxi cobrindo o pneumococo das respiratórias — nunca esquecendo tendinopatia, QT e resistência. Os aminoglicosídeos resolvem Gram− graves em sinergia com betalactâmico, ao custo de nefro e ototoxicidade. Dominar esse tripé resolve a imensa maioria das questões dessas três classes no ENAMED.

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Antibióticos esquematizados por classe, com espectro, mecanismo e efeitos adversos prontos para a prova.

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Referências: Goodman & Gilman, As Bases Farmacológicas da Terapêutica; Katzung, Farmacologia Básica e Clínica; Harrison, Medicina Interna. Conteúdo de revisão para fins didáticos.