O boletim de Silverman-Andersen é a ferramenta clínica clássica para graduar a intensidade do desconforto respiratório do recém-nascido à beira do leito, sem depender de exames. Nos primeiros minutos e horas de vida, saber aplicar o boletim de Silverman-Andersen permite dizer, em segundos, se aquele esforço respiratório é leve ou já exige suporte imediato. É um escore rápido, reprodutível e cobrado com frequência em provas de residência, ENAMED e Revalida.
Neste post você vai entender para que serve o boletim de Silverman-Andersen, os 5 parâmetros que ele avalia, como cada sinal é pontuado de 0 a 2, como interpretar o escore total (com a pegadinha de que ele é o inverso do Apgar) e qual a conduta geral segundo a gravidade. O boletim de Silverman-Andersen vai deixar de ser decoreba e virar raciocínio: quanto maior a pontuação, pior o esforço respiratório do bebê. Vamos ao boletim de Silverman-Andersen passo a passo.
- O boletim gradua a intensidade do desconforto respiratório do recém-nascido — não diz a causa, diz o quanto o bebê está se esforçando.
- Avalia 5 sinais: movimento tóraco-abdominal, tiragem intercostal, retração xifoidiana, batimento de asa de nariz (BAN) e gemido expiratório.
- Cada sinal vale 0, 1 ou 2 pontos; o escore total vai de 0 a 10.
- 0 = sem desconforto. Ao contrário do Apgar, aqui quanto MAIOR a pontuação, PIOR.
- Faixas aproximadas: 1–3 leve, 4–6 moderado, ≥7 grave — orientam monitorização, oxigênio ou ventilação.
Para que serve o boletim de Silverman-Andersen
O objetivo é único e prático: graduar a intensidade do esforço respiratório de um recém-nascido que apresenta sinais de dificuldade para respirar. Ele não faz diagnóstico etiológico (não diz se é taquipneia transitória, doença da membrana hialina, pneumonia ou aspiração meconial); ele quantifica o quanto a musculatura acessória está sendo recrutada. Por ser um exame de observação, é feito à beira do leito, de forma seriada, e serve para acompanhar a evolução: um bebê que sai de escore 2 para 7 em poucas horas está piorando e precisa de conduta ativa.

Cada um dos 5 sinais recebe uma pontuação de 0 (ausente/normal) a 2 (intenso). A lógica anatômica é simples: quando os pulmões estão pouco complacentes, o bebê usa músculos acessórios e cria pressões negativas grandes, o que aparece como retrações, tiragens, batimento de asa de nariz e gemido. Quanto mais evidentes esses sinais, maior o escore.
Os 5 parâmetros avaliados
1. Movimento tóraco-abdominal: avalia a sincronia entre tórax e abdome na respiração. Normal (0) = os dois sobem juntos. Quando há esforço, o tórax afunda enquanto o abdome sobe — o chamado balancim ou respiração paradoxal (2).
2. Retração/tiragem intercostal: afundamento dos espaços entre as costelas na inspiração. Ausente (0), discreta (1) ou acentuada (2).
3. Retração xifoidiana: afundamento na região do apêndice xifoide (parte baixa do esterno). Ausente (0), discreta (1) ou intensa (2).
4. Batimento de asa de nariz (BAN): abertura das narinas a cada inspiração, na tentativa de reduzir a resistência da via aérea. Ausente (0), discreto (1) ou intenso (2).
5. Gemido expiratório: ruído produzido pela expiração contra a glote parcialmente fechada, na tentativa de manter os alvéolos abertos. Ausente (0), audível só ao estetoscópio (1) ou audível sem estetoscópio, contínuo (2).
| SINAL | 0 PONTO | 1 PONTO | 2 PONTOS |
|---|---|---|---|
| Movimento tóraco-abdominal | Sincrônico (sobem juntos) | Tórax parado, abdome sobe | Balancim (respiração paradoxal) |
| Tiragem intercostal | Ausente | Discreta | Acentuada |
| Retração xifoidiana | Ausente | Discreta | Intensa |
| Batimento de asa de nariz (BAN) | Ausente | Discreto | Intenso |
| Gemido expiratório | Ausente | Audível só ao estetoscópio | Audível sem estetoscópio |
Como interpretar o escore total
Some os 5 sinais: o escore vai de 0 a 10. O ponto que mais confunde estudante é o sentido da escala. No boletim de Silverman-Andersen, 0 significa ausência de desconforto respiratório — o bebê está confortável. À medida que a pontuação sobe, pior está o esforço respiratório. Isso é o oposto do Apgar, no qual a nota máxima (10) é a melhor. Guarde: Silverman alto = bebê mal; Apgar alto = bebê bem.
| ESCORE | GRAVIDADE | CONDUTA GERAL |
|---|---|---|
| 0 | Sem desconforto | Observação de rotina |
| 1–3 | Leve | Monitorização, avaliação seriada, oximetria |
| 4–6 | Moderado | Suporte de oxigênio, considerar CPAP, reavaliar frequente |
| ≥7 | Grave | Desconforto importante — suporte ventilatório (CPAP/VM), UTI neonatal |
Essas faixas são um guia prático, não um número mágico: a conduta sempre integra o escore com a saturação de oxigênio, a frequência respiratória, a idade gestacional e a tendência ao longo do tempo. Um recém-nascido com escore moderado mas em piora progressiva pode precisar de suporte antes de atingir a faixa grave.
Conduta geral conforme a gravidade
Na prática, escores baixos pedem monitorização e reavaliação seriada, garantindo aquecimento, glicemia e oximetria. Escores moderados costumam demandar suporte de oxigênio (cânula ou capacete/Hood) e, frequentemente, CPAP nasal para manter os alvéolos abertos. Escores altos, com gemido contínuo e balancim, indicam suporte ventilatório mais avançado (CPAP de resgate ou ventilação mecânica) em ambiente de UTI neonatal, sempre buscando em paralelo a causa de base do desconforto.
Silverman-Andersen × Apgar: não confunda
Os dois são escores neonatais de 0 a 10 aplicados à beira do leito, mas medem coisas diferentes e têm escalas invertidas. O Apgar avalia a vitalidade global do recém-nascido no 1º e 5º minutos (frequência cardíaca, respiração, tônus, irritabilidade reflexa e cor) — e nota alta é boa. O boletim de Silverman-Andersen avalia especificamente o esforço respiratório — e nota alta é ruim. Confundir o sentido das duas escalas é erro clássico de prova.
“Bebê Gemendo Bate Tórax e Xifoide”
os 5 sinais: BAN, Gemido expiratório, Balancim/movimento tóraco-abdominal, Tiragem intercostal e retração Xifoidiana.
No Silverman-Andersen, maior escore = pior (mais desconforto). No Apgar, maior escore = melhor (melhor vitalidade). São escalas invertidas: 0 no Silverman é o ideal; 10 no Apgar é o ideal.
A questão inverte o sentido da escala e afirma que “escore 0 indica desconforto grave”. FALSO: escore 0 é o recém-nascido sem esforço respiratório. Quem pontua alto (≥7) é o bebê em desconforto grave.
O que levar
O boletim de Silverman-Andersen gradua o esforço respiratório do recém-nascido por 5 sinais (movimento tóraco-abdominal, tiragem intercostal, retração xifoidiana, BAN e gemido), cada um de 0 a 2, num total de 0 a 10 — e o segredo é lembrar que a escala é invertida em relação ao Apgar: aqui, quanto maior, pior. Domine as faixas de gravidade e a conduta e o boletim de Silverman-Andersen vira ponto garantido. Para se aprofundar, o Manual de Pediatria Clínica do Amo Resumos acompanha o paciente do recém-nascido ao adolescente.
Manual de Pediatria Clínica
Do recém-nascido ao adolescente: os escores neonatais, o desconforto respiratório e a conduta prática reunidos para a sua prova e o plantão.



