
Os basófilos são o tipo mais raro de leucócito do sangue, representando 0–1% do total. Liberam histamina e heparina e participam de reações alérgicas e inflamatórias. No hemograma, o valor de referência dos basófilos vai de 0 a 100/mm³ (0–1%), e sua alteração mais cobrada em provas é a basofilia das doenças mieloproliferativas.
- Basófilos = leucócito granulócito mais raro (0–1% / 0–100/mm³).
- Grânulos ricos em histamina e heparina; primos circulantes dos mastócitos.
- Basofilia (aumento) → pense em leucemia mieloide crônica (LMC) e outras mieloproliferativas.
- Basopenia (redução) → estresse agudo, corticoides, hipertireoidismo, infecção aguda.
- Pérola: basofilia persistente sem causa óbvia é sinal de alerta para neoplasia mieloide.
O que são os basófilos e para que serve a contagem
Os basófilos são leucócitos da linhagem granulocítica (junto com neutrófilos e eosinófilos), produzidos na medula óssea a partir da célula-tronco mieloide. São as células brancas menos numerosas do sangue periférico e recebem esse nome porque seus grânulos citoplasmáticos coram intensamente em azul-arroxeado por corantes básicos, como o azul de metileno. Avaliar os basófilos no leucograma ajuda a investigar quadros alérgicos crônicos, parasitoses e, sobretudo, doenças mieloproliferativas.
A contagem de basófilos faz parte do leucograma, a segunda parte do hemograma completo. O laboratório informa o valor absoluto (por mm³ ou por microlitro) e o relativo (em percentual). Para provas, o que mais importa não é o número isolado, mas o raciocínio: por serem células de defesa contra alérgenos e parasitas e por serem expandidas em neoplasias da medula, os basófilos funcionam como uma pista diagnóstica indireta. Lembre que esses leucócitos são os “primos” circulantes dos mastócitos teciduais — ambos liberam mediadores da reação alérgica.
Como é feito o exame
A dosagem dos basófilos é feita no hemograma, a partir de uma coleta de sangue venoso (geralmente do antebraço) em tubo com anticoagulante EDTA. O analisador automático conta milhares de células e classifica os leucócitos pela contagem diferencial. Em caso de alterações ou alarmes do equipamento, faz-se a confirmação pela análise da lâmina (esfregaço sanguíneo) corada pelo método de Leishman ou Wright, observada ao microscópio. Não há necessidade de jejum prolongado para o hemograma de rotina.
| PARÂMETRO | VALOR DE REFERÊNCIA | INTERPRETAÇÃO |
|---|---|---|
| Valor relativo | 0–1% dos leucócitos | Percentual do total de células brancas |
| Valor absoluto | 0–100/mm³ (0–0,1 mil/mm³) | Contagem direta no leucograma |
| Basofilia | > 100–200/mm³ ou > 1–2% | Aumento — investigar mieloproliferativas |
| Basopenia | Próximo de zero | Difícil de detectar (já é baixíssimo) |

Causas de aumento (basofilia)
O aumento dos basófilos, chamado de basofilia, é raro e por isso muito valorizado. A causa clássica de prova é a leucemia mieloide crônica (LMC), em que a basofilia acompanha a leucocitose com desvio à esquerda e a presença do cromossomo Filadélfia. Toda síndrome mieloproliferativa pode cursar com basofilia: policitemia vera, mielofibrose primária e trombocitemia essencial. Por isso, basofilia persistente e inexplicada deve sempre levantar a suspeita de neoplasia mieloide.
Além das neoplasias, causas reativas incluem reações de hipersensibilidade (alergias, urticária crônica), processos inflamatórios crônicos, infecções virais, hipotireoidismo e algumas parasitoses. Vale lembrar que a contagem é tão pequena que pequenas variações percentuais costumam ter pouco valor clínico isolado — o contexto manda.
| BASOFILIA (aumento) | BASOPENIA (redução) |
|---|---|
| Leucemia mieloide crônica (LMC) | Estresse agudo / pós-cirúrgico |
| Policitemia vera, mielofibrose | Uso de corticoides (glicocorticoides) |
| Reações alérgicas / urticária crônica | Hipertireoidismo / tireotoxicose |
| Hipotireoidismo | Fase aguda de infecções |
| Inflamação crônica / parasitoses | Reações anafiláticas (consumo) |
Correlação clínica
A grande correlação clínica dos basófilos é com as síndromes mieloproliferativas. Em um paciente com leucocitose e basofilia, o raciocínio deve caminhar para LMC, especialmente se houver esplenomegalia, fadiga e perda de peso. Já o conteúdo dos grânulos explica o papel dos basófilos na alergia: a histamina causa vasodilatação e broncoespasmo, e a heparina tem ação anticoagulante local. Em reações de hipersensibilidade imediata (tipo I), a ligação de IgE na superfície dos basófilos desencadeia a degranulação.
Vale reforçar que os basófilos e os mastócitos teciduais compartilham a mesma origem e o mesmo arsenal de mediadores, mas têm localizações diferentes: o basófilo circula no sangue e o mastócito reside nos tecidos (pele, mucosas, vias aéreas). Essa proximidade funcional explica por que ambos são protagonistas das reações alérgicas e da anafilaxia. Outra pista de prova é que, na anafilaxia, a contagem de basófilos pode cair pelo consumo dessas células durante a degranulação maciça. Em quadros crônicos, como a urticária crônica espontânea, a ativação repetida dos basófilos contribui para a manutenção dos sintomas. Por serem células tão raras, qualquer valor percentual aumentado merece análise no contexto do hemograma completo e da clínica do paciente, e não isoladamente.
| MEDIADOR | EFEITO PRINCIPAL |
|---|---|
| Histamina | Vasodilatação, aumento da permeabilidade, prurido, broncoespasmo |
| Heparina | Anticoagulante local |
| Leucotrienos (LTC4) | Broncoconstrição mantida, inflamação |
| Receptor de IgE | Gatilho da degranulação na hipersensibilidade tipo I |
Basofilia persistente e sem causa alérgica/inflamatória aparente deve sempre disparar a suspeita de doença mieloproliferativa — em especial a leucemia mieloide crônica. É um dos achados mais cobrados quando a banca quer testar leitura de hemograma.
“BASófilo = BASE cora azul, guarda Histamina e Heparina”
O nome lembra que os grânulos coram por corantes básicos (azul). As duas substâncias-chave começam com H: Histamina e Heparina — os mediadores da alergia e o anticoagulante.
Perguntas frequentes sobre basófilos
O que são basófilos?
Basófilos são o tipo mais raro de leucócito (glóbulo branco), representando 0 a 1% do total. São granulócitos cujos grânulos coram em azul por corantes básicos e contêm histamina e heparina. Participam de reações alérgicas e inflamatórias e são os primos circulantes dos mastócitos.
Quais os valores normais de basófilos no hemograma?
O valor de referência dos basófilos é de 0 a 1% do total de leucócitos, o que corresponde a 0 a 100 células por mm³ no valor absoluto. São as células brancas menos numerosas do sangue, por isso a basopenia (redução) costuma ser difícil de detectar.
O que significa ter basófilos altos?
Basófilos altos (basofilia) podem indicar reações alérgicas crônicas, hipotireoidismo, inflamação ou parasitoses. Porém, quando a basofilia é persistente e inexplicada, o achado mais importante para provas é a suspeita de doenças mieloproliferativas, sobretudo a leucemia mieloide crônica.
- Guia de Interpretação de Exames — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Eritrograma — a série vermelha do hemograma e como interpretá-la.
- Plaquetopenia — queda de plaquetas: causas e conduta.
- VDRL — exame, interpretação e armadilhas no diagnóstico.
Conclusão
Os basófilos são poucos em número, mas grandes em valor para provas: dominar seus valores de referência, o conteúdo dos grânulos (histamina e heparina) e, principalmente, a associação da basofilia com as doenças mieloproliferativas resolve a maioria das questões. Sempre que enxergar basofilia persistente no leucograma, pense em leucemia mieloide crônica antes de fechar a leitura do hemograma.
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