Pré-eclâmpsia e eclâmpsia no ENAMED: critérios, sulfato de magnésio e conduta — Amo Resumos

Pré-eclâmpsia e eclâmpsia no ENAMED: critérios, sulfato de magnésio e conduta

A pré-eclâmpsia é um dos temas obstétricos mais cobrados no ENAMED, e por um bom motivo: reúne raciocínio diagnóstico, reconhecimento de gravidade e uma conduta de emergência bem definida. Dominar a pré-eclâmpsia significa saber separar hipertensão gestacional de doença com lesão de órgão-alvo, identificar quando a paciente entrou em critério de gravidade e agir rápido com o fármaco certo.

Neste resumo você vai ver, de forma prática, os critérios diagnósticos da pré-eclâmpsia, os sinais que indicam gravidade, o que é a síndrome HELLP, quando o quadro vira eclâmpsia e, principalmente, como conduzir com sulfato de magnésio. É o tipo de conteúdo que resolve questão na prova e salva vida no plantão.

resumo de 30 segundos
  • Diagnóstico: PA ≥140/90 mmHg após 20 semanas + proteinúria OU lesão de órgão-alvo.
  • Gravidade: PAS ≥160 ou PAD ≥110, cefaleia intensa, escotomas, epigastralgia, plaquetopenia, transaminases/creatinina altas, edema agudo de pulmão (EAP).
  • HELLP: Hemólise + enzimas hepáticas elevadas (EL) + plaquetopenia (LP).
  • Eclâmpsia: convulsão tônico-clônica na gestante com pré-eclâmpsia.
  • Conduta: sulfato de magnésio previne/trata convulsão; anti-hipertensivo na crise; corticoide fetal se prematuro.
  • Tratamento definitivo = parto. Antídoto do magnésio = gluconato de cálcio.

O caso que cai na prova

Gestante de 33 semanas chega ao pronto-socorro com cefaleia intensa há dois dias e “vista embaçada”. Na admissão, PA 168/112 mmHg, referindo dor em barra no andar superior do abdome. Antes de 20 semanas ela nunca tivera hipertensão. Esse enunciado carrega quase todas as pistas: hipertensão após 20 semanas, sintomas neurológicos e visuais, epigastralgia e níveis pressóricos em faixa de gravidade. É pré-eclâmpsia com sinais de gravidade até prova em contrário, e a próxima decisão do candidato precisa ser rápida.

Pré-eclâmpsia e eclâmpsia: critérios, sinais de gravidade e o sulfato de magnésio — esquema Amo Resumos
Hipertensão após 20 semanas com proteinúria ou lesão de órgão-alvo: o alerta que pode evoluir para eclâmpsia.

O ponto de partida do raciocínio é a definição. A pré-eclâmpsia exige hipertensão (PA sistólica ≥140 ou diastólica ≥90 mmHg, em duas medidas) surgindo após a 20ª semana de gestação, associada a proteinúria significativa ou, na ausência dela, a evidência de lesão de órgão-alvo. Essa segunda parte é o que muita gente esquece: hoje a proteinúria não é obrigatória para o diagnóstico. Se a gestante tem hipertensão nova mais plaquetopenia, disfunção hepática, insuficiência renal, edema pulmonar ou sintomas cerebrais/visuais, o diagnóstico já está fechado. Para reforçar esse tipo de raciocínio sindrômico, vale estudar com as Fichas Sindrômicas de Clínica Médica, que organizam critérios e sinais de alarme em blocos fáceis de revisar.

Critérios diagnósticos e sinais de gravidade

A grande virada de chave na prova é distinguir a pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade daquela com sinais de gravidade, porque a segunda muda toda a conduta e a urgência da resolução da gestação. A tabela abaixo resume o que você precisa ter na ponta da língua.

critérios × gravidade
DOMÍNIO PRÉ-ECLÂMPSIA (BASE) SINAL DE GRAVIDADE
Pressão arterial ≥140/90 mmHg após 20 sem PAS ≥160 ou PAD ≥110 mmHg
Neurológico/visual ausente cefaleia intensa, escotomas, turvação visual
Fígado transaminases normais epigastralgia/dor em HD, transaminases elevadas
Hematológico plaquetas normais plaquetopenia (<100.000/mm³)
Renal proteinúria isolada creatinina elevada / oligúria
Pulmão sem congestão edema agudo de pulmão (EAP)

Repare que basta um critério de gravidade para reclassificar o quadro. Uma gestante com PA 150/95 mmHg, mas com plaquetas de 80.000 e transaminases dobradas, já é pré-eclâmpsia grave, mesmo sem atingir níveis pressóricos altos. É exatamente esse tipo de armadilha que a banca adora montar.

Síndrome HELLP e eclâmpsia

A síndrome HELLP é uma forma grave e potencialmente letal do espectro da pré-eclâmpsia. O nome é o próprio mnemônico em inglês: Hemolysis (hemólise, com esquizócitos, LDH alto e bilirrubina indireta elevada), Elevated Liver enzymes (transaminases elevadas) e Low Platelets (plaquetopenia). O detalhe traiçoeiro é que a HELLP pode cursar com pressão apenas discretamente elevada ou até normal, e a paciente frequentemente se queixa de dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, mal-estar e náuseas, sendo confundida com gastrite ou virose.

A eclâmpsia, por sua vez, é a ocorrência de crise convulsiva tônico-clônica (ou coma) em gestante com pré-eclâmpsia, sem outra causa que a explique. Pode surgir antes, durante ou após o parto (eclâmpsia puerperal). É uma emergência absoluta: a convulsão gera hipóxia materno-fetal e o objetivo imediato é cessar e prevenir novas crises, estabilizar a pressão e, na sequência, resolver a gestação.

Vale entender a lógica por trás de tudo isso. A pré-eclâmpsia nasce de uma placentação anômala, com invasão trofoblástica insuficiente das artérias espiraladas. O resultado é uma placenta mal perfundida que libera fatores antiangiogênicos na circulação materna, gerando disfunção endotelial generalizada. É essa lesão do endotélio que explica, ao mesmo tempo, a hipertensão, a proteinúria, o edema, a plaquetopenia e o sofrimento hepático e cerebral. Compreender esse mecanismo ajuda a memorizar por que a doença é multissistêmica e por que só o parto — que remove a placenta — resolve o problema de forma definitiva.

★ mnemônico

“HELLP = Hemólise, Enzimas Liver, Low Plaquetas”

Três achados laboratoriais que definem a forma mais grave. Se a gestante tem dor epigástrica e plaquetas baixas, pense HELLP antes de pensar em gastrite.

Conduta: sulfato de magnésio no centro

Aqui está o coração da questão de prova. Diante de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou eclâmpsia, o fármaco de escolha para prevenir e tratar a convulsão é o sulfato de magnésio (MgSO4). Ele não é anti-hipertensivo: seu papel é a neuroproteção. Os dois esquemas clássicos são o de Pritchard (ataque IV + IM) e o de Zuspan (ataque IV + manutenção IV contínua). Como o magnésio tem janela terapêutica estreita, a vigilância da intoxicação é obrigatória.

sulfato de magnésio na prática
ITEM O QUE SABER
Indicação Prevenir e tratar convulsão na pré-eclâmpsia grave e na eclâmpsia
Esquemas Pritchard (IV + IM) e Zuspan (IV contínuo)
Vigilância Reflexo patelar, frequência respiratória e diurese a cada dose
Sinais de intoxicação Perda do reflexo patelar → FR <12–16 irpm → oligúria → parada respiratória
Antídoto Gluconato de cálcio IV

Além do magnésio, a crise hipertensiva (PA ≥160/110 mmHg) precisa ser tratada para evitar acidente vascular cerebral materno. As opções de primeira linha são hidralazina, nifedipino (via oral) e labetalol — a escolha depende da disponibilidade e das condições da paciente. Se a gestação for prematura e houver tempo, administra-se corticoide para maturação pulmonar fetal. Mas nada disso substitui a única medida curativa: o parto, que remove a placenta, órgão central na fisiopatologia da doença.

💡 pérola de prova

O sulfato de magnésio previne e trata a convulsão, não a hipertensão. E o antídoto na intoxicação por magnésio é sempre o gluconato de cálcio. Guarde essa dupla: MgSO4 protege o cérebro, gluconato de cálcio resgata da intoxicação.

⚠️ armadilha

Hipertensão antes das 20 semanas é hipertensão crônica, não pré-eclâmpsia. E não subestime a HELLP: dor epigástrica com plaquetopenia em gestante não é gastrite — é forma grave que exige resolução da gestação.

O que levar para a prova

Se você fixar cinco pontos, resolve a maioria das questões de pré-eclâmpsia: diagnóstico é hipertensão após 20 semanas com proteinúria ou lesão de órgão-alvo; qualquer critério de gravidade reclassifica o quadro; HELLP é hemólise + enzimas hepáticas + plaquetopenia; eclâmpsia é a convulsão; e a conduta gira em torno do sulfato de magnésio, do controle pressórico na crise e do parto como tratamento definitivo. Some a isso a vigilância da intoxicação pelo magnésio e o antídoto (gluconato de cálcio) e você cobre o essencial da pré-eclâmpsia que o ENAMED costuma cobrar.

material recomendado

Fichas Sindrômicas de Clínica Médica

Critérios diagnósticos, sinais de alarme e condutas organizados por síndrome — do jeito que o ENAMED cobra.

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Referências: Zugaib Obstetrícia (Ed. Manole); Rezende Obstetrícia Fundamental; Protocolos da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) sobre síndromes hipertensivas na gestação. Conteúdo de revisão para fins didáticos.