
A nefrolitíase é a formação de cálculos (pedras) no trato urinário a partir da cristalização de solutos na urina, geralmente nos rins. A nefrolitíase manifesta-se classicamente por cólica renal intensa, hematúria e náuseas, sendo o cálculo de oxalato de cálcio o tipo mais comum (cerca de 75% dos casos).
- A nefrolitíase é a doença formadora de cálculos urinários; o cálculo de oxalato de cálcio responde por ~75% dos casos.
- Quadro típico: cólica renal súbita, em flanco com irradiação para a virilha, associada a hematúria, náuseas e agitação.
- Exame de escolha para diagnóstico: tomografia de abdome sem contraste (helicoidal de baixa dose).
- Cálculos < 5 mm geralmente são eliminados espontaneamente; analgesia e hidratação são a base do tratamento da crise.
- Cálculos > 10 mm, obstrução com infecção ou rim único exigem intervenção urológica.
O que é nefrolitíase
A nefrolitíase (também chamada de litíase renal ou calculose renal) é a doença caracterizada pela formação de cálculos no sistema coletor dos rins. Quando o cálculo migra para o ureter, falamos em ureterolitíase; o termo amplo urolitíase abrange todo o trato urinário. A nefrolitíase é uma das causas mais frequentes de dor abdominal aguda em pronto-socorro e tem alta taxa de recorrência: cerca de metade dos pacientes formará um novo cálculo em até 10 anos.
Os cálculos se formam quando a urina fica supersaturada de solutos formadores (cálcio, oxalato, ácido úrico, fosfato, cistina) ou quando faltam inibidores naturais da cristalização, como o citrato. Entender essa balança entre promotores e inibidores é a chave para compreender a nefrolitíase nas provas de medicina.
Causas e fisiopatologia
A formação do cálculo depende de fatores metabólicos e ambientais. Baixa ingesta hídrica, dieta rica em sódio e proteína animal, obesidade, hiperparatireoidismo, acidose tubular renal e infecções urinárias de repetição estão entre os principais fatores de risco. A composição química define a conduta de prevenção.
| TIPO | FREQUÊNCIA | DETALHE |
|---|---|---|
| Oxalato de cálcio | ~75% | Radiopaco; ligado a hipercalciúria e hiperoxalúria |
| Estruvita | ~10-15% | Coraliforme; infecção por germes produtores de urease (Proteus) |
| Ácido úrico | ~5-10% | Radiotransparente; urina ácida, gota, dissolve com alcalinização |
| Cistina | ~1% | Cistinúria (doença genética); cálculos em jovens, recidivantes |

Sinais e sintomas
O sintoma mais característico da nefrolitíase é a cólica renal (cólica nefrética): dor súbita, em cólica, de forte intensidade, localizada no flanco e com irradiação descendente para a fossa ilíaca, virilha e genitália conforme o cálculo desce pelo ureter. O paciente fica tipicamente agitado, sem encontrar posição de alívio — diferente da dor peritoneal, em que o paciente fica imóvel.
- Hematúria (micro ou macroscópica) presente na maioria dos casos.
- Náuseas e vômitos por estímulo vagal.
- Disúria, polaciúria e urgência quando o cálculo está no ureter distal (perto da bexiga).
- Febre e calafrios sugerem complicação grave: pielonefrite obstrutiva / urossepse.
Cólica renal + febre = emergência urológica. A combinação de obstrução por cálculo e infecção (pionefrose) exige drenagem urgente (cateter duplo J ou nefrostomia) além de antibiótico — não basta esperar a pedra sair sozinha.
Diagnóstico
O diagnóstico de nefrolitíase é clínico-radiológico. O exame de escolha é a tomografia computadorizada de abdome e pelve sem contraste (TC helicoidal de baixa dose), que detecta praticamente todos os cálculos, mede o tamanho e localiza a obstrução. A ultrassonografia é a primeira escolha em gestantes e crianças e útil para ver hidronefrose. O exame de urina mostra hematúria; ureia, creatinina e leucograma avaliam função renal e infecção.
| EXAME | PAPEL |
|---|---|
| TC sem contraste | Padrão-ouro; detecta tamanho, número e local do cálculo |
| Ultrassonografia | 1ª escolha em gestante/criança; avalia hidronefrose |
| Urina tipo 1 | Hematúria, pH urinário, leucócitos/nitrito (infecção) |
| Creatinina/ureia | Função renal, sobretudo se rim único ou bilateral |
| Análise do cálculo | Composição química após eliminação (orienta prevenção) |
Tratamento
O manejo da crise se baseia em analgesia, hidratação e antieméticos. Os anti-inflamatórios não esteroides (como cetoprofeno ou diclofenaco) são os analgésicos de escolha na cólica renal, superando até opioides na maioria dos estudos; opioides são reservados para contraindicação aos AINEs. A terapia médica expulsiva com alfabloqueador (tansulosina) facilita a passagem de cálculos no ureter distal entre 5 e 10 mm.
- Cálculo < 5 mm: alta probabilidade de eliminação espontânea; tratamento conservador domiciliar.
- 5–10 mm: terapia expulsiva com tansulosina + analgesia, com reavaliação.
- > 10 mm, obstrução com infecção, dor refratária, rim único ou IRA: intervenção (litotripsia extracorpórea, ureterolitotripsia a laser ou nefrolitotomia percutânea).
A prevenção da nefrolitíase é tão importante quanto tratar a crise: aumentar a ingesta hídrica para garantir diurese de pelo menos 2 a 2,5 litros por dia, reduzir sódio e proteína animal, manter ingesta normal de cálcio na dieta (restringir cálcio paradoxalmente aumenta a absorção de oxalato) e, conforme o tipo, usar citrato de potássio ou tiazídicos.
A escolha da medida preventiva específica depende da composição do cálcio e da avaliação metabólica. Nos cálculos de oxalato de cálcio com hipercalciúria, os diuréticos tiazídicos reduzem a excreção de cálcio na urina; quando há hipocitratúria, o citrato de potássio repõe esse inibidor natural da cristalização. Nos cálculos de ácido úrico, a alcalinização da urina com citrato e o controle da hiperuricemia (alopurinol em casos selecionados) ajudam tanto a prevenir quanto a dissolver o cálculo. Já nos cálculos de estruvita, ligados a infecção por germes produtores de urease, a erradicação completa do cálculo e o controle das infecções urinárias são essenciais para evitar a recorrência. Esse raciocínio — relacionar tipo de cálculo, alteração metabólica e medida preventiva — é exatamente o que as bancas exploram nas questões mais elaboradas de nefrolitíase.
“CÁLcio do prato é AMIGO da pedra? Não — é o SÓDIO.”
Lembre: na prevenção, NÃO se restringe o cálcio da dieta. O vilão é o excesso de SÓDIO (aumenta a calciúria) e de oxalato. Cálcio normal liga o oxalato no intestino e protege.
Perguntas frequentes sobre nefrolitíase
O que é nefrolitíase?
Nefrolitíase é a doença formadora de cálculos (pedras) no trato urinário, principalmente nos rins, por cristalização de solutos na urina supersaturada. O tipo mais comum é o cálculo de oxalato de cálcio, e o sintoma clássico é a cólica renal com hematúria.
Qual o melhor exame para diagnosticar nefrolitíase?
O exame de escolha é a tomografia computadorizada de abdome e pelve sem contraste, que identifica quase todos os cálculos, mede o tamanho e localiza a obstrução. Em gestantes e crianças, a ultrassonografia é a primeira opção por evitar radiação.
Quando o cálculo renal precisa de cirurgia?
A intervenção é indicada para cálculos maiores que 10 mm, dor refratária ao tratamento clínico, obstrução associada a infecção (urossepse), rim único ou perda de função renal. As opções incluem litotripsia extracorpórea, ureterolitotripsia a laser e nefrolitotomia percutânea.
- Manual de Clínica Médica — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Hematêmese — outro sinal de alarme que aparece em provas de clínica e cirurgia.
- Hipovolemia — entenda perdas de volume e reposição, úteis no doente urológico grave.
- Diurese — como avaliar o débito urinário e suas alterações na obstrução renal.
Conclusão
A nefrolitíase é tema recorrente em provas de medicina porque mistura fisiopatologia (balança de promotores e inibidores), semiologia (cólica renal típica) e conduta (analgesia, terapia expulsiva e indicações de intervenção). Dominar os tipos de cálculo, o exame de escolha e os sinais de alarme — sobretudo cólica com febre — é o que separa o aluno que acerta do que erra a questão de nefrolitíase.
Para fixar, treine questões no MedCaju, com explicação do conceito ao caso clínico.
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