
A escala de coma de Glasgow é um instrumento clínico que avalia o nível de consciência por meio de três respostas: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. A soma varia de 3 (coma profundo) a 15 (paciente alerta) e orienta a gravidade do trauma cranioencefálico, a indicação de via aérea avançada e o acompanhamento neurológico do doente grave.
- O que avalia: nível de consciência por abertura ocular, resposta verbal e resposta motora.
- Pontuação: ocular 1–4, verbal 1–5, motora 1–6; total de 3 a 15.
- Gravidade do TCE: leve 13–15, moderado 9–12, grave ≤ 8.
- Regra de ouro: Glasgow ≤ 8 indica via aérea definitiva (intubação).
- Mínimo: a menor pontuação possível é 3, nunca zero.
O que é a escala de coma de Glasgow e para que serve
A escala de coma de Glasgow é uma ferramenta padronizada para avaliar e quantificar o nível de consciência de um paciente, criada em Glasgow nos anos 1970. Em vez de descrições subjetivas como “sonolento” ou “torporoso”, ela atribui números a respostas observáveis, permitindo uma linguagem comum entre profissionais e a comparação da evolução ao longo do tempo. É um dos instrumentos mais usados na sala de emergência, na terapia intensiva e no atendimento ao trauma.
A escala de coma de Glasgow serve principalmente para classificar a gravidade do traumatismo cranioencefálico (TCE), guiar decisões como a necessidade de intubação e de neuroimagem, e monitorar a deterioração neurológica. Uma queda de pontos ao longo das reavaliações é sinal de alarme, sugerindo lesão expansiva (como hematoma) que exige intervenção. Por isso, ela não é avaliada uma única vez, mas repetida de forma seriada no paciente em risco.
Como a escala de coma de Glasgow é feita
A avaliação soma três componentes, cada um pontuado pela melhor resposta obtida: abertura ocular (1 a 4 pontos), resposta verbal (1 a 5 pontos) e resposta motora (1 a 6 pontos). O examinador observa, depois fala com o paciente e, por fim, aplica um estímulo doloroso padronizado para verificar a resposta motora. Anota-se o resultado discriminando os três valores (por exemplo, O3 V4 M5), e não apenas o total, pois isso fornece mais informação clínica.
| PONTOS | OCULAR (1-4) | VERBAL (1-5) | MOTORA (1-6) |
|---|---|---|---|
| 6 | — | — | Obedece a comandos |
| 5 | — | Orientado | Localiza a dor |
| 4 | Espontânea | Confuso | Retira à dor (flexão normal) |
| 3 | Ao chamado/som | Palavras inapropriadas | Flexão anormal (decorticação) |
| 2 | À pressão/dor | Sons incompreensíveis | Extensão anormal (descerebração) |
| 1 | Nenhuma | Nenhuma | Nenhuma |

Valores de referência e como interpretar
A interpretação da escala de coma de Glasgow parte do total, que vai de 3 a 15. No traumatismo cranioencefálico, a classificação clássica é: TCE leve (13–15), moderado (9–12) e grave (igual ou menor que 8). Um Glasgow de 15 indica paciente plenamente alerta e orientado; um Glasgow de 3 corresponde ao coma mais profundo, sem qualquer resposta. Importante: a menor pontuação possível é 3 (1+1+1), nunca zero — erro frequente em prova.
| PONTUAÇÃO | GRAVIDADE | CONDUTA TÍPICA |
|---|---|---|
| 13–15 | TCE leve | Observação; tomografia conforme critérios. |
| 9–12 | TCE moderado | Tomografia e vigilância neurológica. |
| ≤ 8 | TCE grave | Via aérea definitiva (intubação) e UTI. |
“Glasgow ≤ 8: intuba.” Pontuação igual ou menor que 8 indica incapacidade de proteger a via aérea e é critério de intubação orotraqueal. Some isso à regra de que o mínimo é 3, e dois dos erros mais comuns de prova estão neutralizados.
Causas de alteração e correlação clínica
A pontuação da escala de coma de Glasgow cai sempre que há comprometimento do nível de consciência, e suas causas vão muito além do trauma. Lesões estruturais (hematoma, AVC, tumor), distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hiponatremia, encefalopatia hepática), intoxicações (álcool, opioides, sedativos) e hipóxia ou hipercapnia podem rebaixar a Glasgow. Por isso, diante de um paciente com pontuação baixa, deve-se investigar causas reversíveis, começando pela glicemia capilar.
Há limitações importantes a considerar. A resposta verbal não pode ser avaliada de forma convencional em pacientes intubados — registra-se “V” com a observação do tubo. Sedação, bloqueio neuromuscular, afasia, surdez e barreira de idioma também distorcem a pontuação. Em crianças pequenas, usa-se a versão pediátrica adaptada. A atualização da escala incorporou a avaliação da reatividade pupilar, que pode ser subtraída do total para refinar o prognóstico nos casos graves.
| GRUPO | EXEMPLOS |
|---|---|
| Estrutural | Hematoma, AVC, tumor, edema cerebral. |
| Metabólico | Hipoglicemia, hiponatremia, encefalopatia hepática. |
| Tóxico | Álcool, opioides, benzodiazepínicos. |
| Hipóxico | Hipóxia, hipercapnia, choque. |
“Olho 4, Voz 5, Motor 6 — o melhor é 15”
Fixa o teto de cada componente: abertura ocular vale até 4, resposta verbal até 5 e resposta motora até 6, somando 15. O piso é 3 (1+1+1), nunca zero.
Perguntas frequentes sobre escala de coma de Glasgow
O que é escala de coma de Glasgow?
A escala de coma de Glasgow é um instrumento clínico que avalia o nível de consciência por três respostas: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. A soma vai de 3 a 15 e serve para classificar a gravidade do trauma cranioencefálico, indicar via aérea avançada e acompanhar a evolução neurológica do paciente grave de forma padronizada.
Qual a menor pontuação possível na escala de coma de Glasgow?
A menor pontuação possível é 3, e não zero. Ela resulta da soma de 1 ponto em cada componente (abertura ocular, resposta verbal e resposta motora) quando o paciente não apresenta nenhuma resposta. A pontuação máxima é 15, correspondente ao paciente plenamente alerta e orientado.
Glasgow de quanto indica intubação?
Uma pontuação igual ou menor que 8 na escala de coma de Glasgow indica rebaixamento grave da consciência e incapacidade de proteger a via aérea. Esse valor é o critério clássico para via aérea definitiva, ou seja, intubação orotraqueal. A regra prática é “Glasgow menor ou igual a 8: intuba”.
- Manual de Semiologia Neurológica — material recomendado do Amo Resumos para se aprofundar
- Morte encefálica — diagnóstico e critérios no doente neurológico grave.
- Hipovolemia — causa frequente de rebaixamento por choque.
- Ritmo sinusal — leitura básica do eletrocardiograma no paciente monitorizado.
Conclusão
A escala de coma de Glasgow é, ao mesmo tempo, simples de aplicar e densa em cobranças de prova. Memorizar os tetos (ocular 4, verbal 5, motora 6), a faixa de classificação do TCE e as duas regras de ouro — mínimo de 3 e intubação com pontuação igual ou menor que 8 — cobre quase todas as questões. Mais importante, é a avaliação seriada que detecta a deterioração neurológica a tempo de salvar o paciente.
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